No passado dia 6 de abril teve lugar o evento de autógrafos, Q&A e desenho ao vivo com a autora e ilustradora do mangá de The Rising of the Shield Hero, Aiya Kyu, em San Francisco nos EUA. No final do evento também teve uma entrevista mais informal com a ilustradora e autora de mangá, tal como o Q&Acom os fãs presentes.


Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

The Rising of the Shield Hero ou Tate no Yuusha no Nariagari é originalmente uma web novel lançada em 2012 no website Shōsetsuka ni Narō, por Aneko Yusagi (história) e Minami Seira (arte) e posteriormente lançada como novel a partir de 2013 pela Media Factory. Foram lançados 21 volumes até ao momento.

O seu mangá é serializado desde 2014 na revista Monthly Comic Flapper por Aiya Kyu que ilustra e adapta a história de Aneko Yusagi. Foram lançados 13 volumes até ao momento. A obra no Japão conta já com mais de 6.2 milhões de cópias, contanto com ambos novel e mangá).


Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

Deixo-vos então com a entrevista que a Crunchyroll conduziu no evento com Aiya Kyu:

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield HeroCrunchyroll: Aiya-sensei, gosta de San Francisco?

Aiya Kyu: É um bom lugar para passar o dia, aliás eu fiz um pouco de turismo pela cidade ontem.

CR: Isso é fantástico! Ok, vamos já para as perguntas mais sérias, quando começou a desenhar mangá, e como foi a sua entrada para a indústria?

AK: Eu sempre gostei de desenhar. Desde que era criança eu era tipo, “Eu quero viver a desenhar”, então basicamente eu ingressei em uma escola nessa mesma área. Eu fui assistente de mangá e após algum tempo me tornei em uma autora de mangá.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield HeroCR: Como se envolveu primeiramente na adaptação de The Rising of the Shield Hero em mangá, e era uma fã da obra original (Novel)?

AK: Eu não conhecia a obra previamente até receber a proposta para a adaptação, eu fui abordada um dia pelo staff editorial da Monthly Comic Flapper a dizer “olhe nós temos uma série chamada Shield Hero, gostaria de desenhar o mangá para ela”?

CR: Muitos fãs acham a história de Naofumi muito especial e relacionável. O que faz Shild Hero se sobressair em relação a outras histórias isekai?

AK: Tenho a certeza que muitos já passaram por um tempo em que se sentiram traídos ou culpados por outros, e eles se sentem sozinhos neste mundo, então eles sentem um tipo de ligação com o Naofumi. Por essa razão que os fãs sentem tanta emoção pela série, e é esse fato que torna Shield Hero tão único entre outras séries do género.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

CR: Quão proximamente você trabalha com Aneko Yusagi (autora da novel) para a adaptação em mangá, e como essa relação influencia no trabalho?

AK: A forma de como apresentar a história no mangá é diferente em uma novel, nós basicamente temos um pouco de liberdade, mas eu trabalho muito proximamente a Aneko-sensei para ter a certeza que a sua visão na obra se mantem mas sempre com um sentimento de estar a ler um mangá no pensamento.

CR:  O que tem sido o aspeto mais desafiante em adaptar uma light novel para mangá?

AK: A parte mais complicada foi o fato de que existem muitas mais palavras envolvidas em uma novel, por isso é extremamente difícil incorpora-las no mangá, ficaria demasiado denso se fosse colocar tudo o que tem escrito na novel, cortar a “gordura”, assim dizendo, e ter a certeza de que a história fica apresentável no formato mangá mantendo sempre os mesmos conceitos presentes na obra original é a parte mais complicada.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

CR: Com certeza, como você mencionou antes, quando se fala de magia em uma light novel, pode-se alongar por várias páginas a explicação para tal magia, mas em mangá, se tentar manter toda essa informação acaba-se tornando quase numa apresentação em PowerPoint. Ninguém quer ler uma apresentação em PPt.

AK: (risos) Exato, basicamente quer-se preservar o tempo e sensação, fazendo que o mangá não seja lento em demasia, então em segmentos mais teóricos de explicação tentámos usar mais a arte e imagens sobre palavras para manter o ritmo fluindo.

CR: Naofumi é um personagem complexo que é visto por muitos como um vilão, mas na realidade é extremamente bondoso e generoso. Foi uma personagem complicada de trabalhar?

AK: Eu penso que é uma personagem muito fácil de enfatizar com, você fica a conhecer mais sobre ele e seus sentimentos nas novels, então tentando manter esse aspeto de ser fácil de relacionar no mangá é muito difícil.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

CR: Uma das personagens mais populares, Raphtalia, é também uma personagem bem complexa com um passado bem intenso. Como a trabalhou de modo a transmitir toda a sua profundidade no mangá?

AK: Graças a todos os esforços de Naofumi, Raphtalia é uma mulher bastante forte agora, mas é muito importante lembrar o passado de onde ela cresceu. É muito difícil, mas tente sempre manter em mente a sua história e do passado que a fez ser como ela é agora.

CR: E agora uma perguntinha mais divertida: qual é a personagem de Shield Hero que mais gosta de desenhar e porquê?

AK: Naofumi a personagem principal, ele é o centro da história, é fácil de simpatizar com, por isso o acho mais fácil de desenhar.

CR: Você tem algo que queira dizer para os fãs do mangá de The Rising of the Shield Hero de fora do Japão?

AK: Primeiramente, obrigado pelo convite para este evento, se não fosse pelas novels eu não estaria aqui. É realmente incrível a quantidade de fãs que estão aqui presentes neste evento. Deixa-me feliz, e espero que continuem a gostar de Shield Hero.


Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

Anteriormente a Cruncyroll deu a oportunidade de os fãs poderem submeter as suas perguntas para Aiya Kyu, onde várias questões seriam compiladas para a seguinte sessão de Q&A:

Fã: Como eu melhoro os meus desenhos para me tornar num mangaka de sucesso?

AK: Se tornar em um mangaka de sucesso não necessita apenas de habilidade, mas igualmente sorte, no entanto mais importante é que você precisa de ser capaz de contar uma história, e não apenas saber desenhar bem. Basicamente, em todos os aspetos tanto desenho como a escrita, precisa de continuar a praticar.

F: Já jogou algum jogo RPG de fantasia?

AK: No passado, eu adorava jogar jogos de fantasia e jogava bastantes, mas hoje em dia eu não pareço encontrar tempo para jogar, então não tenho jogado tanto.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

F: Porque escolheu desenhar esta série de maneira mais leve, do que por exemplo um tom mais sombrio como Berserk? Todos nós sabemos que é uma boa história que foi adaptada de uma maneira mais leve para atrair um número maior de leitores. No entanto, Shield Hero tem tons mais sombrios na sua história original. Terá sido isso um pedido de Aneko Yusagi-sensei ou foi sua ideia, sendo que a obra é um isekai?

AK: Grande parte foi devido ao meu estilo original. Mas eu fiquei bastante inspirada pela ilustradora das novels originais, Minami-sensei, e queria abordar aquele estilo de desenho, então essa foi a outra grande causa.

F: Ao desenhar o mangá, já experienciou algum laço emocional com as personagens, ao ponto em que os eventos relacionados às personagens a afetaram também?

AK: Tenho a certeza de que se me sentisse emocionalmente ligada a uma personagem, eu definitivamente iria sentir algum tipo de emoção se algo lhe acontecesse, mas eu sinto que é melhor retrair um pouco as minhas emoções e apena olhar para a obra no geral. Eu sempre tento ter em mente de dar um passo atrás e olhar para a obra como um todo.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

F: Tem alguma personagem que goste menos de desenhar?

AK: Eu não tenho nenhuma personagem que não goste de desenhar em particular, então podemos já dizer qual é a menos favorita personagem de todos, Myne. Na verdade eu não a tenho de desenhar como uma bela mulher então eu posso relaxar enquanto a desenho, então eu me divirto a desenha-la porque não tenho de ter a certeza de que ela fica realmente bonita. Por isso, eu não tenho qualquer personagem que não goste de desenhar.

F: Como se sente desenhando apenas a Myne?

AK: Eu apenas tenho que ter a certeza de a desenhar com a sua aparência de malvada. (risos) Eu apenas dou o meu melhor para trazer à tona o pior dela.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

F: Você já respondeu à questão de qual seria o personagem que mais gosta de desenhar, mas qual é o seu design preferido do escudo?

AK: Eu realmente gosto mais do escudo pequeno original, por ser mais fácil desenhar.

F: Estava à espera que Raphtalia se tornaria uma das personagens femininas mias populares do ano?

AK: Eu realmente não esperava isso de todo quando desenhava o mangá! Estou apenas adaptando a já existente história para mangá, então nem pensei muito nisso.

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero
(IG @kalsplay @Space_trashy )

F: Tem alguma personagem em que queira ver em cosplay?

AK: Vamos ser simples e diretos. Deem-me Naofumi e Raphtalia.

F: Qual é a sua personagem favorita e porquê?

AK: Eu gosto da visão da série, e cada uma das personagens. Mas se realmente, mesmo tivesse que escolher uma, seria Naofumi porque é o mais divertido de desenhar.

 

Entrevista com a autora do mangá de The Rising of the Shield Hero

F: Se você estivesse pressa em um isekai, escolheria o escudo, espada, lança ou arco?

AK: Estritamente falando, se fosse apenas as armas, escolheria a espada.

F: Tirando Naofumi, Raphtalia e Filo, qual seria a sua personagem favorita?

AK: Essa é uma pergunta realmente complicada! Se realmente, tivesse que escolher, sendo que gosto de desenhar monstros, talvez uma das personagens monstro, ou Fitoria sendo que ela é “tipo” um monstro.