Estará a indústria americana de comics prestes a desaparecer?

Campanha o Melhor do Japão

Wolverine wallpaper

Um artigo por Peter Pischke no The Federalist publicado no início de 2021 ressurgiu agora nas redes sociais e tem dado que falar entre os fãs de comics. O artigo tem como título “O que o entretenimento nerd dos USA deve aprender com os comics japoneses e “The Mandalorian”” e nele Pischke relaciona o declínio dos comics americanos com uma série de “decisões terríveis” relativas a mudanças nos setores da população-alvo.

O autor conservador dá o exemplo do seu irmão que é um leitor casual de comics e que ficou estupefacto com uma tendência atual. A Marvel lançou recentemente um comic transformando Starlord, o personagem dos “Guardiões da Galáxia”, num bissexual poliamoroso. Ele afirmou:

Por que a Disney permite que seu pessoal faça pouco dos fãs? Se a Disney está sem dinheiro por causa do COVID-19, parece muito estúpido insultar o seu público.

Pischke avança afirmando que a indústria de comics já está a morrer há algum tempo. As vendas caíram há algum tempo e continuam a diminuir. Diz ele ainda que conforme as lojas de comics morrem, os fãs assistem com horror à indústria a transformar cada personagem popular em caricaturas Woke. Ele dá exemplos de 2020 onde surgiram um Batman de raça negra, um Wolverine bissexual e um Flash negro não binário.

Peter Pischke passa então a afirmar que a indústria de comics começou assim a focar-se mais e mais num pequeno segmento de fãs ignorando todos os outros e que isso se repercutiu nas vendas.

Nerds compram comics, os woke não.

Ele dá o exemplo de Brian Hibbs do Comicsbeat que prevê que a DC Comics desista do mercado de comics inteiramente em 2022. Referindo também exemplos de pessoas ligadas à indústria como Andy Khouri (editor DC Comics), Bill Sienkiewicz e Mark Russell que publicamente já insultaram os fãs por estes não aderirem às novas tendências dos comics.

Peter Pischke passa depois a dar o exemplo da indústria mangá que está em crescimento e fala até do mega sucesso de Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer) que vendeu só no Japão mais de 100 milhões de cópias.

Cultural e fiscalmente, estamos a comparar as baleias japonesas com os peixinhos americanos daqui. Para a indústria de comics, 100 milhões de cópias seriam um sonho absoluto. De fato, em 2019, a totalidade da indústria de comics ocidental vendeu um total de 15,5 milhões de cópias, e a maior parte disso são livros escolares e mangás. Para ver de outra forma, as vendas totais da indústria de comics ocidentais representam apenas 10% das vendas de um único mangá.

Ele passa então a falar entre as diferenças entre os autores japoneses e os americanos.

Em primeiro lugar, os criadores de mangá olham para seus fãs com adoração. No Japão, uma cultura com um senso muito mais consciente de respeito e hierarquia, se um criador insulta alguém ou um ator infringe a lei, eles são punidos.

Pischke passa então a falar de The Mandalorian, afirmando que Kathleen Kennedy, a presidente da Lucasfilm, deturpou a franquia Star Wars e que fez pouco dos fãs quando propositadamente removeu Luke Skywalker e Han Solo.

O que se seguiu não foi apenas uma onda terrível de filmes banais, parques temáticos falidos, comics ilegíveis e merchandising indesejado, mas também miopia. Nenhuma peça de merchandise do Baby Yoda estava pronta para o Natal de 2019. Cegada pelo seu desejo obstinado de ser um veículo de justiça social, a Lucasfilm não viu o sucesso de Mando a chegar.

O sucesso financeiro não parecia importar muito a Kennedy. O “wokening ” de “Star Wars”, ao contrário da indústria de comics, não se baseou numa falha de economia, mas numa falha colossal da leitura da cultura.

Ao contrário de Kennedy, no entanto, Jon Favreau e Dave Filoni entendem que “Star Wars” é melhor quando está a ser “Star Wars”, e apenas um ano depois de criar “The Mandalorian”, o Disney Plus cresceu para 86 milhões de assinantes. Em suma, a economia está forçando a Disney a reconhecer aquilo que, pela política, ela se recusou a reconhecer.

O que acham? Por que acham que os comics estão em dificuldades? Concordam com Peter Pischke? A indústria americana de comics está em declínio por as editoras se focarem num pequeno segmento do mercado? Ou é algo que independentemente de agendas políticas era inevitável?

FONTEThe Federalist
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.