
Pela primeira vez, uma obra gerada por IA chegou ao topo do ranking geral do Comic Seymour, uma das maiores lojas digitais de mangá do Japão. A conquista marca um momento histórico que está a gerar reações mistas entre criadores, enquanto os leitores parecem mostrar-se surpreendentemente indiferentes à origem da obra.
O Comic Seymour (cmoa.jp) é uma das plataformas mais importantes para distribuição digital de mangá no Japão, com milhões de utilizadores e milhares de títulos disponíveis. Ver uma obra gerada por inteligência artificial no primeiro lugar do ranking geral é algo sem precedentes e levantou discussões acesas nas redes sociais japonesas, especialmente entre artistas e criadores de mangá.
A obra em questão explora a história de um casal casado que perdeu a conexão física e procura recuperar a intimidade. O mangá é publicado pelo Studio ZOON, que funciona simultaneamente como editora e revista, e opera sob a estrutura de uma grande empresa japonesa de tecnologia da informação.
Leitores mostram-se indiferentes à origem da obra
Um dos aspetos que mais chamou à atenção foi a ausência de uma reação negativa significativa por parte dos leitores. As avaliações do mangá no Comic Seymour mantiveram-se relativamente calmas, sem sinais de indignação generalizada ou rejeição massiva por se tratar de uma obra criada por IA.
Esta falta de controvérsia entre o público levou alguns analistas a especular que a maioria dos leitores pode simplesmente não se importar se a arte de um mangá é criada por um artista humano ou gerada por inteligência artificial. As objeções mais fortes parecem estar concentradas entre os criadores profissionais, não entre os consumidores finais.
A distinção é importante porque revela uma potencial divisão entre quem produz e quem consome mangá. Enquanto artistas expressam preocupação com o futuro da indústria e o valor do trabalho humano, os leitores parecem avaliar as obras principalmente pela sua qualidade percebida e entretenimento, independentemente do método de criação.
Nas redes sociais japonesas, a notícia do ranking gerou uma onda de comentários de mangakás e ilustradores profissionais. As reações variaram entre choque genuíno, resignação perante o inevitável, e preocupação com as implicações para a indústria.
Alguns criadores expressaram frustração com o facto de anos de treino e desenvolvimento de competências artísticas poderem ser, em teoria, replicados ou substituídos por algoritmos. Outros adotaram uma postura mais pragmática, reconhecendo que a tecnologia de IA está a evoluir rapidamente e que resistir pode ser inútil.
No entanto, também há vozes que questionam se o sucesso desta obra é genuinamente orgânico ou resultado de outros fatores, nomeadamente o peso corporativo por trás do projeto.
Um dos pontos mais debatidos é o facto de o Studio ZOON operar sob uma grande empresa japonesa de TI. Críticos argumentam que o sucesso no Comic Seymour não pode ser atribuído apenas à qualidade da obra, mas também aos recursos corporativos, estratégias de marketing e presença forte na plataforma que uma grande empresa pode proporcionar.
Esta perspetiva sugere que o primeiro lugar no ranking representa menos uma vitória da inteligência artificial sobre a criação humana e mais uma demonstração de como recursos financeiros e corporativos podem impulsionar qualquer produto, independentemente da sua origem. A combinação de produção assistida por IA com apoio empresarial sólido mostra-se capaz de dominar as maiores lojas digitais de mangá do Japão.
Para alguns observadores, isto significa que o resultado “fala por si mesmo”, a prova de que a produção assistida por IA, quando combinada com presença forte numa plataforma e recursos corporativos, já consegue competir e vencer no mercado mainstream.
Implicações para a indústria
O caso levanta questões fundamentais sobre o futuro da criação de mangá. Se os leitores realmente não se importam com a origem das obras que consomem, isso pode abrir caminho para uma proliferação de títulos gerados por IA nas principais plataformas.
A indústria do mangá já enfrenta desafios significativos, incluindo condições de trabalho exigentes para mangakás, prazos apertados e pressão constante para produzir conteúdo. A possibilidade de automatizar partes do processo criativo pode ser vista como uma solução para alguns destes problemas, ou como uma ameaça existencial ao trabalho artístico humano.
Alguns defendem que a IA poderia ser usada como ferramenta auxiliar, ajudando artistas com tarefas repetitivas ou demoradas, permitindo-lhes focar-se nos aspetos mais criativos. Outros temem que as editoras simplesmente optem pela opção mais barata e rápida, marginalizando artistas humanos.
Esta não é a primeira vez que a inteligência artificial entra no mundo do mangá japonês. Em anos anteriores, surgiram experiências isoladas com obras parcial ou totalmente geradas por IA, mas nenhuma tinha conseguido alcançar um ranking tão elevado numa plataforma mainstream de grande escala.
A diferença fundamental é que o Comic Seymour não é uma plataforma nicho ou experimental, é um dos maiores distribuidores digitais de mangá do Japão, frequentado por milhões de leitores. O sucesso nesta plataforma representa validação comercial real, não apenas curiosidade tecnológica.
O debate continua
A conquista do primeiro lugar no Comic Seymour por uma obra gerada por IA não resolve o debate sobre o papel da inteligência artificial na criação artística, pelo contrário, intensifica-o. As questões sobre autenticidade, valor artístico, direitos de autor e o futuro dos criadores humanos continuam sem resposta clara.
O que está a tornar-se evidente é que a tecnologia avançou ao ponto de produzir obras que, pelo menos para uma parte significativa do público, são indistinguíveis ou comparáveis às criadas por humanos. Se essa tendência se mantiver, a indústria do mangá pode estar à beira de uma transformação profunda.
Por agora, o Studio ZOON e a sua obra gerada por IA ocupam o topo do Comic Seymour, enquanto criadores, leitores e a indústria em geral tentam compreender o que isto significa para o futuro da nona arte japonesa.










Não fica clato no texto de vocês nenhuma vez se só a arte foi gerada por ia, ou se o roteiro também… isso é um.ponto a ser debatido também, pois quanfo você diz que foi gerads por ia precisa especiticar o quanto disso foi feito por ia.
De qualquer jeito levanta uma discussão interessante, embora eu não fique tão feliz em saber que pra muita gente tanto faz
Qual o nome do manga ??
Tsuma yo, Boku no Koibito ni Natte Kuremasen ka?