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    MangaDex, o maior site de mangá pirata, começa a apagar títulos com menores para evitar problemas legais

    A plataforma, conhecida por hospedar traduções não oficiais de mangá, implementou uma nova política interna que já levou à remoção de vários títulos e gerou debate na comunidade.

    MangaDex logo HD

    O MangaDex, um dos maiores sites de leitura de mangá com traduções não oficiais (scanlations), está a remover títulos que apresentem personagens menores de idade em situações sexuais. A medida foi confirmada por um administrador da plataforma identificado como EtherealNeko, e citada pelo perfil Anime Updates no X/Twitter: a plataforma “irá oficialmente avançar para o cumprimento legal removendo mangá que represente conteúdo sexual com personagens que pareçam ser menores (avaliado caso a caso) quer pelo design do personagem, quer pelo diálogo”.

    O assunto veio a público quando um grupo de scanlation questionou a remoção da sua tradução do mangá Stray Cat Girl, apenas para descobrir que o site tinha implementado uma política interna que até então não era conhecida publicamente. Outros administradores terão repetido o mesmo enquadramento no servidor de Discord da plataforma, confirmando que as remoções visam evitar complicações legais.

    A avaliação, segundo o que foi comunicado, é feita caso a caso, o critério para classificar um personagem como menor pode ser tanto o seu aspeto visual como o que é dito explicitamente no texto da história. Este detalhe, em particular, alimentou parte da discussão na comunidade: no mangá e no anime, é comum existirem personagens cuja idade é ambígua pelo design, ou cujas idades são declaradas de forma inconsistente com a sua aparência. Alguns utilizadores argumentaram que a política, aplicada de forma abrangente, poderia afetar uma fatia significativa do catálogo.

    O MangaDex foi fundado em 2018 e funciona sem fins lucrativos, sustentado por doações. Ao contrário de muitos sites de pirataria, proíbe traduções oficiais licenciadas e tem uma política ativa contra grupos que monetizem conteúdo protegido por direitos de autor. Ainda assim, o conteúdo que aloja é tecnicamente ilegal, e a plataforma tem enfrentado pressão crescente nos últimos meses, em maio de 2025, foi alvo do maior processo de remoção por DMCA da sua história, com cerca de 7.000 títulos eliminados em várias línguas após notificações coordenadas de editoras como a Kodansha, Square Enix, Naver e Kakao, entre outras. Na altura, a plataforma confirmou que não encerraria e que continuaria a melhorar as suas funcionalidades.

    Site pirata MangaDex diz que não vai fechar após 7 mil títulos terem sido afetados por pedidos de remoção DMCA

    A nova política sobre menores é distinta das remoções por DMCA, não resulta de pedidos externos de editoras, mas de uma decisão interna da administração do site para adequar o seu catálogo às leis vigentes em matéria de proteção de menores. Vários países criminalizam a representação de menores em contextos sexuais, mesmo em conteúdo desenhado ou fictício, uma área legal que tem sido objeto de debate crescente à escala internacional, e que plataformas de maior dimensão, como o Pixiv, também têm abordado com políticas similares.

    A decisão do MangaDex sublinha uma tendência mais ampla, mesmo plataformas que historicamente operaram numa zona cinzenta legal estão a adaptar as suas regras internas à medida que a pressão regulatória sobre conteúdo digital aumenta. O âmbito exato das remoções não foi tornado público, e a plataforma não emitiu uma declaração detalhada sobre a política além do que foi partilhado pelos administradores nos canais da comunidade.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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