O que estamos a ver – 01 de Janeiro de 2023

De uma forma resumida, falamos um pouco sobre o que vimos e deixamos o convite para em baixo nos comentários dizerem o que viram e jogaram na última semana.

Bruno Reis

Bleach: Thousand-Year Blood War (12/13)

Em muitos casos, os hiatos são contraproducentes para o sucesso de uma série. No entanto, com Bleach: Thousand-Year Blood War assistimos a um efeito inverso. Bleach foi uma série anime que acompanhou a juventude de muita gente, visto que esteve em exibição desde 5 outubro de 2004 até 27 de março de 2012. Embora tivesse um sucesso moderado no ocidente, no seu país natal partilhou o terceiro lugar de um pódio partilhado por Naruto e One Piece, devido às suas temáticas, arte, espírito e valores apelaram mais a um público ocidental.

Contudo, a anterior adaptação possuía um aspeto um tanto juvenil e a sua violência e grafismo também acompanharam esta tendência. Nesta década de hiato não foi só Bleach que amadureceu, a indústria também. Este efeito foi sentido desde que Kimetsu no Yaiba revelou o facto que uma história mediana se for contada com uma animação de qualidade, cria impacto e gera imenso dinheiro e prestígio. Com base nestes valores assistimos a uma autêntica corrida das produtoras aos estúdios de animação. A Toei Animation conseguiu o impensável, e emergiu de uma produtora de qualidade questionável para uma das mais badaladas. Após uma vanguardista adaptação Black Clover, o estúdio Pierrot planeia seguir as pegadas da Toei Animation, da Ufotable do Wit Studio e da Mappa e de tantos outros. Ao usar toda a sua mestria produziu uma impressionante adaptação do último arco de Bleach.

Uma arte muitíssimo superior e uma realização muito mais robusta conduziram a Bleach: Thousand-Year Blood War enveredar para uma direção completamente distinta. O tom cómico e juvenil foi praticamente apagado para dar lugar a uma vertente muito mais adulta. As cores saturadas foram substituídas por tons mais naturais, a comicidade (embora ainda persista) foi reposta por desmembramentos brutais e litros de sangue a jorrar por todas as direções. Personagens que pensávamos não possuírem destaque na história emergem como mecanismos para o desenvolvimento das personagens principais. Este elemento foi sentido especialmente neste último bloco de episódios. Na reta final da história assistimos à união de muitas pontas soltas que curiosamente ainda persistiam na obra. É incrível como assistimos a acontecimentos que jamais pensaríamos, que fariam sentido e contribuíram para dar uma maior dimensão e coesão à adaptação animada. Os últimos momentos foram como um regressar a toda a obra de Bleach, desde os seus princípios humildes até as suas fervorosas lutas finais. Realmente é incrível pensar que Bleach possuía imenso ainda para nos dar. Este é só o início e mal podemos esperar para acompanhar o renovado Ichigo Kurosaki na continuação das suas aventuras no verão de 2023.

Chainsaw Man (12) FIM

Que dizer de Chainsaw Man que ainda não foi dito nas semanas anteriores? Julgo que Chainsaw Man, na sua génese, foi uma série que relatou a integração social do Denji. Se repararem o jovem rapaz inicialmente não foi integrado na mesma, e quanto mais mergulhava na descoberta de amores, mais confuso ficava ao ponto mesmo de arriscar a sua própria vida por motivos ulteriores. Contudo, se analisarmos a série mais a fundo, podemos constatar que as aventuras de Denji e da divisão do setor público atuaram como uma espécie de benchmark animado. O estúdio Mappa referiu que Chainsaw Man seria um ponto de viragem para a empresa. Acredito mesmo que superaram esta premissa, dado que apresentaram uma série extremamente apelativa também para o público mais cinéfilo. Não só assistimos a uma animação e arte incrível, como as mesmas foram apresentadas numa fotografia requintada ao som de uma fantástica banda sonora. Este efeito foi sentido em todos os momentos, desde as suas frenéticas lutas até um preparar de pequeno-almoço ou ajeitar uma camisa numas calças. Se este é o futuro do anime CGI, não tenho dúvidas que estaremos em boas mãos.  Espero mesmo acompanhar novas temporadas com este requinte e destaque e sonhar com o que a Mappa retirou nesta incrível experiência.

Felipe Soares

My Hero Academia 6 (12)

O título do episódio 12 de My Hero Academia, Fios de Esperança, acaba casando perfeitamente com seus acontecimentos. É bem interessante que as ações dos personagens centrais deste episódio tenham como base as iniciativas de outros personagens em episódios anteriores. Isso acaba significando que todas as ações, por menor que sejam, acabam tendo um peso maior em acontecimentos atuais (tanto do lado dos heróis, como dos vilões).

Olhando como um todo, os acontecimentos deste episódio me fazem lembrar da série Star Wars: Andor. A série no universo de Star Wars mostra como os acontecimentos menores na galáxia foram cruciais para que no futuro a Aliança Rebelde tivesse sucesso em derrubar o Império. 

Gostei que a edição e montagem deste episódio foi produzida com o intuito de fazer o episódio ter um tom épico o tempo todo. A animação foi muito bem trabalhada, com destaque para a sequência inicial do herói das linhas saltando do avião.

Bocchi The Rock! (11 e 12)

Excedendo minhas expectativas, os episódios finais de Bocchi The Rock! conseguiu ser emocionante e engraçado na medida certa. Gostei como a série terminou fazendo a personagem principal indo para um caminho em que ela teve um avanço sobre sua fobia social, mesmo diante de suas limitações em relação a conversar  om outras pessoas ou se apresentar sem uma caixa de manga na cabeça.

A animação destes últimos episódios são incríveis, com usos criativos de montagem e com uma edição de som na apresentação final muito bem produzida, quem ouvir a música no fone de ouvido ira conseguir ouvir detalhes no som.

Não irei me alongar muito sobre a série como um todo pois estou escrevendo um texto mais elaborado com a análise da série, mas posso dizer que acompanhar Bocchi The Rock! foi uma experiência inesperada, principalmente pela obra ter iniciado a temporada de forma completamente desconhecida e terminar sendo muito bem falada pelo público e ganhando o devido reconhecimento. 

Bullet Train

Na noite de Natal, familiares se reuniram para assistir a um filme e a forma de escolha foi bem direta: um sorteio feito de forma digital e sem questionamentos.  Foi desta forma que meus familiares tiveram que aceitar a minha escolha para assistirem Bullet Train. De forma surpreendente, o longa dirigido por David Leitch é incrível. 

O filme é uma adaptação da novel japonesa Maria Beetle, escrita por Kōtarō Isaka, e tem no elenco Brad Pitt, Joey King, Aaron Taylor-Johnson, Brian Tyree Henry, Andrew Koji, Hiroyuki Sanada, Michael Shannon, Bad Bunny, Zazie Beetz, Logan Lerman, Karen Fukuhara e Masi Oka.

Praticamente, o longa é uma comédia de ação extremamente divertida, com cenas muito bem produzidas e com um universo que consegue ser bem amplo e contido dentro de sua trama, que tem diversos assassinos atrapalhados em situações inusitadas e inesperadas. O filme também possui muito da pegada dos animes de comédia atuais, com montagem envolvendo diversos cortes rápidos, em uma mistura do estilo de direção do David Leitch.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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