O que estamos a ver – 16 de Outubro de 2022

Esta semana voltamos a 2004 de motosserra na mão

De uma forma resumida, falamos um pouco sobre o que vimos e deixamos o convite para em baixo nos comentários dizerem o que viram e jogaram na última semana.

Bruno Reis

Bleach: Thousand-Year Blood War (01)

Após sensivelmente uma década de rumores, a última parte de Bleach finalmente está entre nós na sua vertente anime. Admito que senti dezenas de calafrios durante este primeiro episódio. Garantidamente que a série de Tite Kubo marcou momentos das nossas vidas, e assistir ao seu regresso pareceu-me quase surreal. No entanto, este hiato, se assim se pode dizer, só lhe fez bem, pois não só “limpou” a sua má reputação como surgiu de uma forma extremamente equilibrada no departamento gráfico. Desde 2012, que o anime evoluiu bastante no aspeto visual devido a Demon Slayer demonstrar que mesmo uma história simples pode se tornar célebre se a arte e animação forem muito acima da média. Com base neste efeito, os diversos estúdios de animação passaram a levar muito a sério a sua produção. Dois dois estúdios que acompanharam esta tendência foram a Toei Animation e o Studio Pierrot, que outrora foram rotulados como os piores. Enquanto o primeiro nos continua a encantar com a adaptação anime de One Piece, o segundo demonstrou-nos o quanto vanguardista conseguiu ser com Black Clover. Curiosamente, ambas as obras referidas são da Shonen Jump, ou seja, a mesma revista de Bleach. O Studio Pierrot parece que continua a seguir a mesma tendência com Bleach: Thousand-year Blood War. Toda a direção e arte foram muito, mas mesmo muito superiores a anterior adaptação, tanto que nem mesmo os 4 filmes de Bleach chegaram de perto a estes 20 minutos. Se temiam pela censura por ser uma série em exibição na Disney+ não têm razões para se preocuparem, dado que neste primeiro episódio já foram cortados braços, tivemos decapitações e mais alguns corpos desmembrados num mar de sangue. O tom sentiu-se muito mais sério e sombrio devido a uma nova palete de cores e sombras. Quanto ao episódio em si foi relativamente simples. Ichigo e os seus companheiros da Cidade de Karakura salvam um grupo de Shinigamis novatos de um bando de Hollows utilizando as melhores habilidades de cada. Este pequeno excerto também serviu para apresentar o Shinigami substituto e as restantes personagens. Depois do salvamento, o Shinigami novato acorda no quarto do Ichigo, e surge um misterioso novo inimigo para confrontar o grupo. Ichigo parte em sua perseguição. Do outro lado da barreira, a Soul Society recebe uma declaração de guerra do Rei dos Quincies. Como podem ver, o primeiro episódio foi apenas uma preparação para o último arco, se tivesse que rotular o elemento mais marcante foi o facto dos Quincies se apoderarem dos Bankais dos Shinigamis. Também e comparativamente à adaptação anterior, o único elemento que penso que vai ficar aquém desta nova produção vai ser a banda sonora. Embora tivéssemos o “gospell” de Number One cantado, a anterior e icónica banda sonora não surgiu em nenhum momento, ao invés tivemos coros épicos para transmitir um ambiente mais sério, adulto e sombrio.

Chainsaw Man  (01)

Por fim, uma das mais antecipadas estreias finalmente começou a sua transmissão. Numa era cada vez mais competitiva entre estúdios de animação, o Studio Mappa desde muito cedo que colocou as suas fichas em Chainsaw man. Esta adaptação anime da obra de Tatsuki Fujimoto introduz-nos a Denji, um jovem vive num estado de extrema pobreza junto do seu companheiro Pochita, um demónio com uma motosserra no focinho. A dupla tenta a todo o custo sobreviver enquanto caçadores de demónios para pagar uma dívida do falecido pai de Denji aos yakuza. Mesmo ao vender diversos órgãos do seu corpo, Denji não consegue dinheiro para viver uma vida normal. Tudo ainda se complica muito mais quando a dupla é traída pelos yakuza sendo mortos por um bando de zombies. Num contentor do lixo e entre a espada e a parede, Pochita ingere o sangue de Denji, oferece-lhe o seu coração e transforma-o no Chainsaw Man! Após o rescaldo da vitória, o demónio é abordado por Makima, uma caçadora de demónios do governo, quem em troca dos seus serviços lhe promete uma vida “normal”. O Studio Mappa demonstrou estar à altura do prometido. Além de uma arte e animação sublimes, também prestou especial atenção à direção. Planos de câmara exageradamente aproximados, bom uso de sombras e expressões faciais diversas, e um abusivo uso de CGI foram apenas alguns dos destaques deste episódio. Como previa esta série vai ser extremamente gráfica e violenta. Não faltarão momentos com corpos desmembrados, sangue e corpos em decomposição. No entanto, também senti um pouco de ternura, talvez pela relação entre o Denji e o Pochita. O fluxo da série parece ser previsível, só espero que tenha apoios que sustente uma premissa relativamente simples desde já. Porém, tudo aponta que estamos perante um novo sucesso e uma das melhores séries do ano.

Urusei Yatsura (2022) (01)

Por falar em estreias antecipadas, o que dizer desta! Podemos nesta temporada receber o regresso do shinigami substituto, Mr. e Mrs. Smith, ou descobrirmos o demónio da Stihl. Porém, nenhum dos dois chegou aos calcanhares (para mim pelo menos) ao regresso de Urusei Yatsura, a minha série favorita da lendária Rumiko Takahashi. A mesma tem um lugar muito especial no meu coração, não só por acompanhar a versão clássica em 2004 na Sic Radical, como possuir todos os volumes da obra em espanhol (Lamu) no formato “Big Manga” e ser a primeira obra que completei e que me acompanhou nos meus tempos de estudante. Digo e torno a dizer a David Production, é por excelência o estúdio de animação que melhor anima e adapta obras lendárias de mangá. Fez e continua a fazer com JoJo’s Bizarre Adventure, o mesmo com Captain Tsubasa e agora prepara-se para criar uma adaptação de luxo com Urusei Yatsura, aqui nesta parte do mundo conhecida como Lum. Tal como as obras referidas, o estúdio demonstra ter um enormíssimo conhecimento e respeito pela mesma. Isto porque na energética abertura (uma das favoritas da temporada certamente) podemos assistir às próprias vinhetas do mangá, às capas do mesmo, possuir alguns elementos com a primeira de 1981, ao merchandise da época (posters e calendários) e até aos jogos da nossa extraterrestre favorita para a NES, Urusei Yatsura: Lum no Wedding Bell, Urusei Yatsura: Miss Tomobiki wo sagase, para o Game Boy e Urusei Yatsura: Stay With You para o PC Engine. O eyecatcher também foi baseado na capa do primeiro volume do mangá. Além destes registos, a David Production também conseguiu contornar o célebre momento polémico do jogo da apanhada enquanto animou, adaptou e transportou a Lum e o Ataru para um ambiente mais sério e moderno, até porque foi possivel assiti-lo na ótica dos extraterrestres. Contudo, senti que o primeiro episódio passou a correr e alguns desenvolvimentos foram super apressados. Também com surpresa descobri que um Levi pode ser um bom Ataru, e uma Nagatoro uma Lum digna, se bem que sinto a falta da sensualidade e ternura da voz da Hirano Fumi. A arte e animação parecem ser um híbrido entre as de Captain Tsubasa com as originais da série de 1981, especialmente nas cores e no grafismo. Fiquei agradavelmente surpreendido e rendido com este regresso da Lum, só espero que diminuam um pouco a brightness (algumas cenas são excessivamente brilhantes), que a Lum continue a ficar uma espécie de “Super Saiyan” quando descarga frustração no seu Darling e que continuemos a ter esta qualidade, fidelidade e diversão da’tcha!

Fujam Marins, Komis, e Nezukos! A waifu original está de regresso e com muita energia acumulada!

Mob Psycho III (02)

Reigen recebe a visita do grande único e incomparável Caçador de Yokais, o Grande Haruaki Amakusa. Enquanto Reigen e Mob viajam para caçar um poderoso yokai, o jovem estudante apenas concentra as suas atenções no festival escolar e o que deve fazer para criar uma casa assombrada mais assustadora para os seus visitantes. Este episódio exemplificou bem os pontes fortes de Mob Pyscho, ou seja ação com um estilo visual vanguardista bem característico do ONE, onde o humor de indiferença anda de mais dadas com a falta de senso comum.

Falta de senso comum ou um humor muito consciente? Cabe a vocês decidirem

Akiba Maid Sensou (02)

As nossas maids encontram-se entre a espada e a parede quando a sua manager perde o seu café e recebe um dívida enorme para pagar. Contudo, Nagomi e as suas colegas do Tokoton planeiam saudar a mesma e recuperar a sua base de operações ao confrontar o seu credor num jogo de poker. Akiba Maid Sensou continua a desenvolver a sua fórmula sem quaisquer tipos de pudor, censura e lógica. É absolutamente delirante assistir às suas aventuras com extremas doses de tiroteios, sangue e violência simplesmente por não fazerem qualquer sentido. É de louvar que a PA.Works aposte em séries originais deste calibre nesta era dominada por visual novels e isekais.

O estilo visual dos tiroteios com o tradicional estilo visual carregado característico dos anos 70 foi realmente fantástico

Dragon Quest: The Adventure of Dai (2020) (99)

O penúltimo episódio da grande aventura do pequeno herói foi parcialmente dedicado à sua luta final contra Vearn e a fuga dos outros heróis. Enquanto os mesmos sacam de mais uns truques -e pseudo-sacrifícios- das suas cartolas, o rapaz dragão se eleva aos céus e luta contra o Rei Demónio no espaço. O vilão sabendo que não vai conseguir vencer revela a sua verdadeira forma ao transformar-se numa criatura digna de um boss final de um Jrpg, um efeito bem patente não fosse esta série baseada num. Destaque para as cenas de luta que pareceram saídas do filme Dragon Ball Super: Broly. É possível que algum do staff tenha participado na produção deste episódio.

XBOX 360

Mairimashita! Iruma-Kun -Terceira temporada- (02)

Iruma e Lead continuam o seu treino para aumentarem o seu rank junto da sua nova e caprichosa mestra. Enquanto Lead se farta de ser seu escravo, o rapaz humano decide continuar, isto porque já está habituado a realizar este tipo de tarefas e não consegue negar nenhum pedido. Felizmente os seus esforços são recompensados, dado que o seu Sullivan indica para a sua serva para lhe ensinar e dominar uma nova e poderosa arma em forma de arco e flecha. Quanto aos outros colegas da turma dos desajeitados, continuam os seus treinos… de uma forma ou de outra, acho eu.

My Hero Academia -Sexta temporada- (03)

My Hero Academia continua a humanizar aos seus vilões ao revelar-nos que os heróis podem ser vilões e os vilões podem ser heróis consoante o ponto de vista e motivações de cada um de nós. Neste ponto a sexta temporada tem sido incisiva, se bem que um pouco perturbante mesmo debaixo das suas camadas juvenis.

SPY x FAMILY- (15)

O primeiro arco do segundo cour por fim termina com os Forger a receber um novo membro para a sua família, o cão Bond. A chegada do novo companheiro faz a Anya despir a sua faceta de Stella Anya para vestir o manto de orgulhosa dona de um cão… gigante. Contudo, a menina planeia usar a situação para ajudar o seu pai a salvar o mundo ao colocar em prática um plano para juntar colegas aos seus amigos de quatro patas. O grande destaque deste episódio foi para a mente ilusória de Anya. Mesmo diante de um mundo de perigos continua com a sua inocência a assistir como tudo fosse um mais um episódio do Bond Man. Outros dois elementos adorei e penso que passaram despercebidos para muitos espetadores foram a imposição da Anya (finalmente a nossa menina soube escutar a sua personalidade) e o conturnado passado da Handler que agora descobrimos ser uma mãe que perdeu a filha numa sangrenta guerra anos atrás.

 ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ  ゴゴゴゴ

Pop Team Epic 2 – (03)

As bocas sujas das adoráveis Pipimi e Popouko revelam-nos o lado B dos programas infantis como o Buéréré (aqui até com momentos de assédio sexuual verbal), culinária com pimentos, mais chocobos, momento “I want to believe”, um jogo de Pop Team Epic como se fosse programado pela Ubisoft, e até a participação da Nanachi de Made in Abyss. Desconheço quem foram os seiyuu masculinos, mas lá que tiveram demasiada liberdade isso tiveram.

Nunca digam a meninas se querem trincar um pouco da vossa salchicha nunca sabe se não a perdem no processo

Helder Archer

Entre as muitas coisas que fui vendo e jogando

Bleach: Thousand-Year Blood War

Vi o primeiro episódio, correspondeu ás expectativas, para além das melhorias gráficas o mais importante para mim foi que manteve “a mesma sensação” da série anterior.

Chainsaw Man

Estava com medo que as altas expectativas não fossem correspondidas, mas ainda bem que tal não aconteceu, Chainsaw Man arrancou com o pé direito, boa direção e boa animação, embora fique surpreso com a grande quantidade de animação CG que a série têm, mas aparentemente o estúdio MAPPA já chegou a um nível que consegue mesclar quase na perfeição 3DCG e 2D sem grandes discrepâncias, algo que só víamos a Ufotable e Kyoto Animation fazer.

Summer Time Rendering

Terminei Summer Time Rendering (Summer Time Render), e o final foi satisfatório embora ache que tal como acontece muito neste tipo de histórias lá para o final o autor se perdeu um pouco nas suas ideias e a preocupação final foi tapar algumas inconsistências que foram sendo abertas ao longo da história.

Felipe Soares

SPY x FAMILY (14 e 15)

Diferente do que estava esperando, este pequeno arco que iniciou a segunda parte de SPY x FAMILY não foi a fundo em um desenvolvimento dramático dos personagens. A maior tensão acabou envolvendo mais a questão da possibilidade da guerra entre os dois países, mas ainda assim gostei como o tom cômico destes episódios escondem bem as questões políticas que existem em segundo plano. A animação funcionou bem como um todo, a edição foi bem dinâmica, ainda assim achei que a trilha acabou não ganhando nenhum destaque.

Chainsaw Man (01)

Quem acompanha o manga de Chainsaw Man fala muito do conteúdo da obra, isso acabou elevando as expectativas em torno da série e talvez o primeiro episódio funcione muito bem como história. Gostei da abordagem e da forma como é tocada as questões sociais e filosóficas em torno deste primeiro episódio, isso ocorreu de forma bastante direta mesmo diante de todo o sangue e gore. Este primeiro episódio funcionou muito bem como apresentação de universo e mesmo quem não for continuar acompanhando o anime vai sentir o impacto de seus acontecimentos (afinal este episódio consegue ter uma história fechada e bem contada).

A animação deste primeiro episódio foi muito bem produzida e com muitos momentos de impacto, porém, em algumas cenas a animação em CG ficou visivelmente estranha. Estes momentos estranhos não atrapalham a experiência do episódio como um todo, mas acaba sendo um momento que pode tirar um pouco quem está assistindo do mundinho da série.

My Hero Academia 6 (02 e 03)

Aos poucos as coisas estão escalonando dentro dos acontecimentos da série, este escalonamento também vem elevando o tom dramático da obra e em como o limiar entre ser um herói ou um vilão está ficando cada vez mais estreito. Com a escala dramática aumentando também ficou perceptível uma escalada no nível de violência, o que antes era algo mais lúdico agora ficou mais físico e direto. Isso acaba mostrando um crescimento que tira os personagens (e o público) do lugar comum.

Bocchi The Rock! (01)

Existem animes em que nos identificamos com algum personagem por causa de alguma situação ou característica. Isso ocorreu imediatamente comigo em relação a protagonista de Bocchi The Rock!. Nos dois temos problemas com timidez e temos uma habilidade que queremos mostrar para as outras pessoas, o desafio é como revelar isso sem parecer um completo esquisito. Assim como Hitori Bocchi no Marumaru Seikatsu, Bocchi The Rock! aborda sobre o problema da ansiedade social de forma leve e já embarquei de cabeça na jornada da protagonista em conseguir tocar em uma banda diante de um público grande.

Shinobi no Ittoki (01 e 02)

Gostaria de falar que Shinobi no Ittoki é completamente interessante, mas tenho sentimentos mistos sobre o que realmente estou achando sobre o anime nestes dois episódios. Inicialmente estava achando o conceito de ninjas no mundo moderno interessante, o modo de trabalho deles faz sentido com o mundo atual, o uso das habilidades físicas misturadas com tecnologia é legal e a possibilidade de uma guerra secreta envolvendo um jovem líder de clã era um plot que poderia ser bem trabalhado, Infelizmente a série se voltou em seguir para um caminho mais clichê, algo que achei um banho de água fria.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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7 Comentários
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alex
alex
16 , Outubro , 2022 20:48

Adorei o primeiro episódio do remake da Lum, também gostei da voz dela apesar de ser mais grave 😁

Samuel Silva
Samuel Silva
16 , Outubro , 2022 23:58

Gostei muito do primeiro episódio de Urusei Yatsura e do opening também! Bleach voltou em grande, foi um episódio muito bom e a confirmação que o Studio Pierrot vai arrasar na animação. Ainda bem que o Felipe está a ver o Bocchi The rock, é preciso que mais gente veja e fale sobre esse anime.

Felipe Soares
Membro
Reply to  Samuel Silva
17 , Outubro , 2022 1:50

Bocchi The Rock talvez se torne meu xodó dessa temporada. Fui ver pela comedia e terminei me identificando com as dificuldades da protagonista. 😄

josenilson vinicius
josenilson vinicius
17 , Outubro , 2022 2:10

Bruno, tá na mao

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