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    Autora espanhola de banda desenhada Alicia Jaraba Abellán na Comic Con Portugal 2026

    A criadora de Celle qui parle e Loin na Comic Con Portugal 2026

    cover loin - Alicia Jaraba Abellán (1)

    A Comic Con Portugal 2026, que se realizará entre 23 e 26 de abril no Europarque, em Santa Maria da Feira, confirmou a presença de Alicia Jaraba Abellán, uma das vozes mais promissoras da banda desenhada europeia. A autora espanhola, nascida em Vigo em 1988, distingue-se pela forma como aborda figuras femininas fortes e identidades culturais híbridas nas suas obras.

    Formada em Filologia Hispânica e Francesa pela Universidade de Santiago de Compostela, Alicia só mais tarde se dedicou formalmente à arte gráfica na ESDIP – Escuela Superior de Dibujo Profesional, em Madrid. A decisão de transformar uma paixão de infância numa carreira profissional veio após perceber que era possível viver do desenho, inspirada pelo seu professor Kenny Ruiz.

    Os primeiros anos foram difíceis. Entre 2017 e 2019, trabalhou como ilustradora em séries juvenis do mercado franco-belga, incluindo Les Détectives du Surnaturel e L’Onde Dolto. Durante este período, dava aulas de ilustração digital a crianças para complementar o rendimento, enfrentando momentos de dificuldades financeiras.

    O verdadeiro ponto de viragem na carreira de Alicia chegou em 2022 com Celle qui parle (Soy la Malinche em Espanha), publicada pela Bamboo Édition. Esta novela gráfica de 224 páginas revisita a figura histórica de Malinche, a intérprete ameríndia que serviu Hernán Cortés durante a conquista do México no século XVI. A obra, que mistura ficção e realidade histórica, oferece uma perspetiva sensível sobre uma personagem controversa, frequentemente acusada de traição ao seu povo.

    O trabalho foi recebido com entusiasmo pela crítica europeia. A escolha de dar voz a uma mulher cujo papel foi crucial mas frequentemente mal interpretado pela História ressoou com leitores de vários países. Para Alicia, que é mulher e linguista, a história de alguém cujo “super-poder” eram as línguas que dominava tornou-se irresistível. A ideia surgiu durante umas férias no Costa Rica, quando leu um romance sobre Malinche rodeada pelos sons e cheiros da selva tropical.

    Em 2024, Alicia regressou com Loin (Longe em Portugal), uma obra de 136 páginas que marca uma mudança significativa de registo. Aqui, a autora abandona a narrativa histórica para se concentrar numa história contemporânea: um casal na casa dos trinta que viaja numa carrinha camperizada até ao sul de Espanha para fazer mergulho em Cabo de Gata.

    Ulisses e Aimée estão juntos desde o liceu, mas atravessam um momento difícil. Ele procura redescobrir-se através do mergulho, que vê como terapia. Ela, que passou o ano absorvida na sua tese, sente-se culpada por não ter estado presente e aceita a viagem apesar das suas fobias. Funciona como metáfora do medo de sair da zona de conforto, enquanto a narrativa explora com delicadeza os desafios da vida a dois quando os sonhos individuais começam a divergir.

    O estilo gráfico de Alicia caracteriza-se por um traço elegante e contido, expressivo mesmo na simplicidade. As suas composições visuais, especialmente em Loin, destacam-se pelo minimalismo e pela forma como o silêncio e as expressões transmitem mais do que longas conversas. A paleta de cores é cuidadosamente escolhida para reforçar a emoção de cada cena, as cores quentes e vibrantes do México em Celle qui parle contrastam com os tons luminosos do verão mediterrânico em Loin.

    Residente em Madrid, Alicia divide o tempo entre criação autoral, ilustração, tradução dos próprios trabalhos e colaboração com escolas e projetos artísticos. Trabalha principalmente para o mercado franco-belga, onde encontrou espaço para desenvolver histórias que a apaixonam. É também participante do webcomic coletivo Hotel Gran Hotel.

    Apesar da carreira relativamente recente como autora completa, Alicia já conquistou um lugar de destaque no panorama europeu da banda desenhada. A sua capacidade de transitar entre diferentes géneros narrativos, da ficção histórica ao drama contemporâneo, demonstra versatilidade e maturidade criativa. Os temas que aborda ressoam com questões atuais: identidade feminina, conflitos interculturais, vulnerabilidade, empatia e momentos de transformação pessoal.

    A organização promete divulgar em breve mais informações sobre programação, sessões de autógrafos e painéis com a autora.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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