Back 4 Blood é um FPS multiplayer online principalmente co-operativo, desenvolvido pela Turtle Rock Studios e publicado pela Warner Bros. Interactive Entertainment, e desde cedo que mostra o seu pedigree como sucessor espiritual da série Left 4 Dead (também da Turtle Rock Studios, mas cujos direitos pertencem ainda à Valve).

Voltamos a um mundo pós-apocaliptico onde uma espécie de minhocas parasitas chamadas de “The Devil Worm” infecta a maior parte da humanidade, transformando-os em mortos-vivos chamados de “Ridden“, enquanto um grupo de sobreviventes chamados de “Cleaners” reconstrói e defende Fort Hope, uma base militar que serve também como hub social para a nossa party quando jogamos com amigos.

O modo principal de Back 4 Blood, muito à semelhança dos Left 4 Dead, é uma campanha estruturada em quatro “actos” distintos, e cada um desses com um numero de sub-capítulos que acabam por ter equivalência às diferentes e mais pequenas campanhas de L4D e seus capítulos, onde os jogadores escolhem um dos oito Cleaners disponíveis (quatro deles são desbloqueáveis), para formar uma equipa de quatro jogadores e proceder a um dos capítulos disponíveis (podendo retomar a partir de qualquer um ao qual tenham chegado anteriormente) e seguir a pequena narrativa e objectivos que acompanham cada capítulo.

A partir daqui, volta a familiaridade com Left 4 Dead, com mecânicas e um feel de jogo extremamente parecidos, mas actualizado à nova geração, com os Ridden normais a serem extremamente fáceis de derrotar sem nunca nos dar uma sensação de segurança devido aos seus números (e pior ainda quando aparece uma Horde e a equipa fica rapidamente rodeada por dezenas de Ridden), e com vários tipos de Ridden especiais (chamados Mutations) que requerem alguma adaptação a aparecerem constantemente no meio dos restantes como os Tallboys com um braço massivo que carregam na direção dos Cleaners, os Reekers grandes e lentos mas que explodem numa massa de liquido corrosivo, os Stingers que saltam de um lado para o outro e se colam a paredes para depois cuspirem uma gosma aderente ou os Snitchers que quando não são destruídos imediatamente chamam uma Horde, entre outros que vão aparecendo ao longo da campanha, incluindo bosses gigantescos como os Breakers e os Ogres que têm direito a uma barra de energia e requerem muita estratégia.

Onde Back 4 Blood difere, no entanto, é que há efetivamente uma diferença ligeira entre as personagens disponíveis a nível do equipamento com que começam e alguns stats de bónus passivos que podem ser individuais ou afectar a equipa em geral, para além de um inovador sistema de “cartas” que vão sendo desbloqueadas e podem ser adicionadas ao “baralho” do jogador, tornando-se uma fonte de costumização para a maneira como o jogo se desenrola, com cada carta a fornecer um bónus adicional ao ser escolhida para ficar activa no final de um dos níveis, tornando os jogadores progressivamente mais fortes. Isto é balançado com cartas utilizadas pelo “Director” que modificam os objectivos de determinado nível e/ou os Ridden nele presentes, o que torna a experiência de jogo diferente em cada playthrough.

O sistema de armamento é semelhante ao de L4D, sendo que as armas disponíveis aos jogadores estão inteiramente dependentes daquilo que estes conseguem encontrar espalhado pelos níveis, mas desta feita, as armas têm diferentes “ranks“, podendo uma arma ser melhor do que outra de um modelo completamente idêntico, assim como podem ser melhoradas com acessórios como óticas, silenciadores, apoios, estabilizadores ou simplesmente encontradas já com um conjunto de upgrades equipados. A juntar às armas primárias e secundárias ainda temos uma mão cheia de items de apoio como molotovs, granadas, artigos de cura e outros com usos mais específicos.

Há também uma mão cheia de pequenas cutscenes espalhadas pela campanha, o que a juntar às pequenas trocas de diálogo que as personagens vão tendo entre elas ajuda a fazer com que Back 4 Blood pareça mais story-driven do que os seus percursores. Para quem não tem amigos que já tenham o jogo, não precisam de se preocupar, para além de existir matchmaking com jogadores aleatórios (e com possibilidade de Cross-Play com todas as plataformas em que o jogo existe), em ultimo caso, a equipa será preenchida com bots (ou automaticamente assim, caso o jogador queira fazer uma Solo Campaign), se bem que infelizmente… a Inteligência Artificial dos nossos parceiros computorizados deixa bastante a desejar neste momento, competindo com os Ridden na aparente falta de cérebro…

Para quem prefere modos competitivos, há ainda o modo Swarm, que coloca duas equipas assimétricas de quatro jogadores uma contra a outra, com Cleaners de um lado e Ridden do outro, permitindo aos jogadores controlar uma das Mutations e usar as suas habilidades para ganhar aos Cleaners, com cada equipa a ter acesso a novos perks e upgrades a cada ronda através mais uma vez de cartas e decks feitos especificamente para este modo e à maneira como cada jogador pretende desenvolver a sua personagem.

Desta forma, Back 4 Blood é ao mesmo tempo algo com uma personalidade completamente familiar para os fãs de Left 4 Dead, mas que conta, no entanto, com pequenos toques que lhe adicionam uma identidade própria e talvez mais polida do que os seus antecessores. A quantidade de conteúdo e a repetitividade do mesmo devido ao factor de aleatoriedade prometem bastantes horas de jogo, com mais cenários, personagens, armas e cartas confirmadas como conteúdo adicional presente no Season Pass para breve.

(NOTA: Este Back 4 Blood foi analisado na sua versão PlayStation 5)

Review por Tiago Vasconcelos.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.