Depois de sucessivos adiamentos devido à pandemia COVID-19, o FPS de ação e sobrevivência Dying Light 2: Stay human da Techland chegou finalmente a 4 de Fevereiro à PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series, Xbox One e PC (Steam e Epic Games Store) com a promessa de nos transportar para um novo mundo particularmente violento onde as nossas escolhas se transcrevem em consequências.

Para vos situar na história, a catástrofe de Dying Light teve início há mais de 20 anos, em 2014, quando começou uma epidemia viral denominada de The Harran Vírus (THV) que em pouco tempo tomou proporções catastróficas, ficando fora do controlo, fazendo com que a maioria da população do planeta se transforma em zombies. Mais tarde, depois de lutarem contra o vírus em Harran, quando tudo parecia estar controlado, um grupo de cientistas em segredo decide continuar a estudar e a modificar o ADN do vírus para fins militares e lucrativos. Acidentalmente, em 2023, este vírus alcançou a superfície, antes que o mundo pudesse reagir, e acabou por resultar na extinção de parte da civilização, o que conduziu ao arranque de uma nova “Idade das Trevas” em todo o mundo.

Dying Light é considerado pelos fãs da série o sucessor espiritual de Dead Island.

Dying Light 2 localiza-se no mesmo cenário pós-apocalíptico, mas em 2036, onde de seguida aos eventos de Harran, somos transportados para o interior de um dos últimos bastiões da humanidade, a cidade de Villador, conhecida como “A Cidade”. Desta vez encarnamos Aiden Caldwell, um errante denominado de Peregrino que ao longo da aventura é atormentado por memórias da sua infância que o lembram dos tempos em que ele e a irmã eram vítimas de experiências científicas. Por essa razão, o principal motivo que o leva a entrar na cidade passa por descobrir pistas sobre a localização de Mia, a sua irmã, enquanto do mesmo modo apura o motivo de os terem escolhido como cobaias.

Apesar do desenvolvimento levar o seu tempo, no interior da cidade vai sendo sucintamente estimulada a nossa curiosidade sobre os enredos que acrescentam imersão ao jogo. Com foco acentuado na narrativa, uma das características que diferencia este jogo do seu anterior é que em Villador temos duas fações principais envolvidas no desenvolvimento da história, em que cada grupo tem o seu modo de encarar o atual cenário onde habitam:
  • Os Sobreviventes são constituídos por humanos pacíficos, que apesar de serem capazes de lutar, têm como objetivo sobreviver e ajudar os mais frágeis.
  • Os Pacificadores são uma força hierárquica composta por ex-militares que tem a finalidade de manter a ordem no mundo apocalíptico. No entanto, têm uma postura rigorosa e agressiva para com os outros e aqueles que não aprovam as suas regras.

As diferenças surgem com um amplo elenco que vamos conhecendo em cada fação, que por sinal possuem personalidades marcantes e complexas. Basicamente, cada personagem proporciona histórias bem fundamentadas ligadas a missões criativas que adicionam conteúdo à narrativa, sem pensar exclusivamente no tempo de vida do jogo. Confesso, mesmo que tenha estimado a natureza humana e a companhia de membros como Hakon e Lawan e ter conhecido inimigos ferozes, na prática não senti grande impacto relacionado com as decisões que tomei, ou das consequências que poderia ou pensava haver, em consideração às fações que escolhi apoiar que no final fossem alterar dramaticamente o rumo da história principal.

Apesar de tudo, as decisões que tomamos quanto às fações tem uma conexão positiva com a jogabilidade, diferenciando as missões secundárias, no potencial dos itens a que temos acesso ou mesmo nas ruas da cidade por onde passamos. Dominar os territórios da cidade e destiná-los a uma das fações, influencia o aspecto do distrito ou quem o habita. Por exemplo, se entregarmos as áreas da cidade aos pacificadores podemos contar com mais armadilhas instaladas. Por outro lado, se selecionarmos os sobreviventes vão surgir com mais abundância tirolesas ou até trampolins. São componentes essenciais para levar em consideração as nossas escolhas porque ambas têm um papel de grande auxílio seja para promover uma movimentação rápida pelas localizações de Villador ou para recebermos reforço na altura dos combates.

Comparando com a cidade anterior, esta é muito maior e mais realista. Isto comprova-se através da arquitectura dos edifícios proporcionando a uma excelente prática de parkour. Este realismo traz efeitos empolgantes na exploração devido à liberdade que nos é facultada, melhorando à medida que adquirimos novas habilidades e outros meios de deslocação como o planador e o gancho.

O mapa de Villador é quatro vezes maior do que o do primeiro jogo

A liberdade intensifica-se quando chegamos à segunda cidade do jogo, causando de imediato impacto na exploração devido à altitude dos edifícios. Em Dying Light 2, fora as missões principais, temos outras atividades que embora sejam opcionais são recomendadas para reforçar as características da cidade e do protagonista. Como por exemplo, ativar os moinhos que funcionam como locais seguros para abrigo, estações do metro para viagens rápidas, ou os locais de anomalia e edifícios de quarentena por causa dos inibidores que lá se encontram. Algo que achei irrelevante, foram as missões rápidas que surgem a qualquer momento do jogo que se apresentam com objetivos triviais sem grande impacto, tais como ajudar um sobrevivente ou eliminar um grupo de bandidos.

Mais uma vez, o ciclo dia e noite tão falado está presente nesta continuação. Quando a noite cai, parte das espécies de mortos-vivos ocultos nos edifícios, devido à luz do dia, saem dos seus ninhos. As ruas da cidade são ocupadas por criaturas especiais, com destaque para os uivadores que sempre que nos detetam, provocam uma perseguição que se torna num dos momentos mais aterradores e enérgicos de todo o jogo. Quando acontecem, temos de dar uso às técnicas que aprendemos de parkour ao mesmo tempo que fugimos de uma horda de zombies que nos alcançam mesmo no cimo dos edifícios, o que tem tendência para se agravar caso não nos consigamos esconder nos arbustos ou proteger nas várias zonas seguras iluminadas por luzes ultravioleta que eles tanto receiam.

As incursões noturnas pelos ambientes perigosos da cidade também trazem as suas vantagens. É justamente o melhor momento para recolher todo o tipo de recursos já que parte dos inimigos estão ausentes dos edifícios. Principalmente os laboratórios EGS onde encontramos conservados os inibidores, equipamentos e recursos raros. Explorar de noite ainda garante um bónus de experiência. Caminhar calmamente por dentro dos edifícios para não despertarmos as atenções das criaturas ou eventualmente evitar as perseguições, proporciona um outro nível de tensão e medo impossível de ser sentido durante o dia.

No caso do combate, estamos munidos de uma enorme variedade de armas e modificações que são fundamentais para sobreviver nesta cidade hostil. Temos acesso a armas de corpo-a-corpo ou à distância, nomeadamente facas de arremesso, molotov, espadas elétricas, minas, machados, martelos, o clássico arco e flecha entre outros. Estes normalmente podem ser obtidos a partir dos mercadores, em destroços da cidade ou através do sistema de fabrico quando adquirirmos as plantas que são alcançadas a partir de missões ou compradas nos mestres artesãos das fações.

Com este leque de opções, fica demasiado fácil encarar os mortos-vivos, independentemente das outras estirpes que possam ser superiores, a velocidade do nosso protagonista é a suficiente para nos desviarmos e estarmos à vontade em combate. Já com os inimigos humanos é fundamental ter em atenção a altura certa do ataque para usar a defesa e os atordoar. Tirando as dificuldades que surgem de noite, de dia fica evidente a falta de criatividade da inteligência dos inimigos, para não falar do desafio, que tende a tornar as caçadas um pouco monótonas.

No que diz respeito às habilidades, temos duas árvores em vez das cinco como no título anterior e estas são ramificadas ao combate e ao parkour de Aiden. Para desbloquearmos as habilidades precisamos de ganhar experiência e isso é atingido naturalmente, ou seja, a partir de missões ou especificamente quando percorremos a cidade eliminando tudo à nossa frente. Parece simples, mas existem requisitos para as desbloquear. Tal, implica a utilização dos inibidores nomeados acima que dão a escolher se queremos aumentar a vida ou vigor do protagonista. O que por outro lado, contribui para aumentar a resistência à infecção de Aiden que desperta no escuro quando sentimos falta de luz natural. Por fim, a evolução também passa pelos equipamentos que estão disponíveis em classes: Arruaceiro, Médico, Tanque e Patrulheiro. Cada uma delas proporciona vantagens que por exemplo acrescentam dano às armas de uma mão, resistência ao dia e noite, ou mais experiência nas habilidades de combate.

O grande calcanhar de aquiles de Dying light 2 está na sua estrutura visual e técnica. Deparei-me com um mundo preenchido de erros, desde texturas desfocadas aos ambientes naturais com pouca vida, até aos maiores que por vezes afetam o som dos ambientes, vozes dos personagens e as próprias legendas a outros erros técnicos que acabavam por bloquear o jogo. Já as cenografias apresentam-se impecáveis. Texturas com qualidade, nitidez e bem estruturadas, que nos mostram os belos momentos da história. Os atores que dão voz aos personagens foram bem escolhidos e são transparentes nas emoções. Já a banda sonora é um boost de energia quando estamos em combate, mas também emotiva quando é necessário.

Em conclusão, explorar as localizações enquanto aprofundamos as histórias secundárias da Cidade de Villador é um dos elementos que mais estimei no tempo que subsisti em Dying Light 2. Apesar de ser percetível a presença de bugs e problemas técnicos que podem por vezes atrapalhar a aventura, as excursões noturnas e o sistema de progressão associado ao combate e parkour trazem diversas abordagens que aplicadas com criatividade asseguram divertimento durante horas. A sequela está longe de ser perfeita, no entanto os jogadores que gostaram da viagem por Harran, vão gostar mais ainda de entrar no mundo pós-apocalíptico de Dying Light 2: Stay human.

Interessado em videojogos com o gosto acentuado para JRPG, está presente na equipa do OtakuPT desde 2013 com o propósito de acompanhar e informar sobre o que de melhor se faz na área do entretenimento gamer.
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Tiago Pereira
Tiago Pereira
16 , Fevereiro , 2022 19:50

Jogo na PS4 e é só problemas, bugs e gráficos maus com texturas também más. Foi extremamente mal otimizado, só é pena que não dê para pedir reembolso se não era já.
O Dying Light 1 para altura estava perfeito, este agora… credo

Ricardo Martins
Ricardo Martins
Reply to  Tiago Pereira
17 , Fevereiro , 2022 21:49

Se esquecermos a má optimização e os bugs que eventualmente são corrigidos através de atualizações, vale oportunidade. Especialmente depois desbloquearmos a segunda região.

Noᥙzᥱᥒ Ψυκιησ
Noᥙzᥱᥒ Ψυκιησ
18 , Fevereiro , 2022 4:09

DL2 me decepcionou mais q surpreendeu 😐