In Sound Mind - Análise

In Sound Mind é o primeiro grande projecto dos developers indie We Create Stuff, até agora apenas com jogos flash e alguns mods de qualidade no seu catálogo, e mostra bastante promessa com um jogo de horror psicológico que nos deixa com um sensação de estranheza e pouco à-vontade do inicio ao fim, lembrando outros clássicos do género como Amnesia ou Alan Wake sem nos dar a certeza se estamos a observar uma realidade alternativa ou se tudo acontece na cabeça da personagem principal.

A nossa personagem acorda num edifício aparentemente abandonado que vamos explorando aos poucos, até percebermos que eventualmente entramos no nosso escritório de psicologia, onde podemos ir analisando cassetes que contêm gravações das sessões de clientes, os quais descobrimos aos poucos que foram vitimas das suas próprias situações e expostos a químicos experimentais. Cada uma dessas cassetes transporta-nos diretamente para um género de “construção mental” de cada paciente, ajudando à variedade de design de níveis, acompanhado pela conversa presente nessa cassete, levando-nos finalmente a lidar com fases de exploração e puzzles, assim como as projeções mentais dos problemas dos nossos pacientes sob a forma de autênticos monstros terroríficos.

Com algum esforço e preserverança, acabamos por ter acesso a armas com que nos podemos defender ou até mesmo atacar alguns desses monstros, mas facilmente percebemos que até o sentimento de segurança que as armas nos dão é subvertido e na maior parte dos casos o melhor é evitar ao máximo os confrontos ou simplesmente correr o mais rápido possível. E acaba por ser o maior sentimento que In Sound Mind nos transmite – subversão. Desde a estranha progressão na exploração, à maneira como somos transportados para sítios que não fazem sentido, a manequins que aparentam ter vontade própria e até estranhos telefonemas que parecem vir de alguém verdadeiramente infernal e picam a nossa personagem de maneiras extremamente pessoais.

Num todo, In Sound Mind acaba por ser uma experiência claramente indie no seu desenvolvimento, mas com polimento e originalidade q.b. na maneira em que nos apresenta os seus puzzles e desenrola a informação pertinente aos mistérios que investigamos, com bastante terreno para explorar e imensos objectos com que interagir (e até temos uma gata a quem podemos fazer festinhas, certamente algo a ter em conta!).

In Sound Mind poderá não agradar a todo o tipo de jogadores, especialmente devido ao seu ritmo relativamente lento, mas os fãs de experiências deste género certamente apreciarão o jogo por aquilo que é e pelo que tenta fazer (e bem).

Review por Tiago Vasconcelos.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.