Enquanto aguardamos o esperado Pokémon Arceus, e notícias sobre a nova geração de Pokémon, a Nintendo e a ILCA, presenteiam-nos com um remake já muito aguardado pelos fãs de Pokémon Diamond e Pokémon Pearl após 15 anos desde o seu lançamento. Pokémon Brilliant Diamond e Pokémon Shining Pearl são os primeiros jogos da série principal a não serem desenvolvidos pela Game Freak, mas que mantém Junichi Masuda, o diretor do original, como um dos diretores deste remake.

Os originais Pokémon Diamond e Pokémon Pearl foram lançados para Nintendo DS em 27 de julho de 2007 na Europa.

Tal como no original, a história situa-se na região de Sinnoh onde o protagonista ao assistir às notícias sobre a aparição de um Gyarados vermelho num lago da região, decide verificar o lago local juntamente com Barry, o seu amigo e rival super energético (provavelmente o mais energético de toda a franquia). Chegando ao local, encontramos o professor Rowan com os seus assistentes Lucas ou Dawn a investigar o lago, e ao saírem do local deixam uma mala com 3 pokebolas dentro, das quais ao sermos atacados por uns Starly´s, não temos outra solução a não ser usar um dos três pokémon iniciais, sendo eles Turtwig, Chimchar e Piplup. Daqui em adiante é a receita de qualquer jogo de pokémon, o professor pede ajuda para reuniremos dados para o Pokédex e partimos na nossa jornada para eliminar os 8 líderes de ginásio e tirar a campeã de Sinooh, Cynthia, do lugar que nós pertence, ignorando totalmente o objectivo principal dado pelo professor.

Chegando às batalhas, seja quando encontramos um Pokémon na wild, um treinador aleatório, ou quando enfrentamos um líder do ginásio, a animação das transições continua fiel ao original, modificando-se nos momentos de confronto onde o jogo de chibi passa para o puro 3D similar ao Sword e Shield. O lado negativo que encontrei é que em algumas situações, como nas batalhas contra a Team Galactic ou em zonas como a Cycle Road, é perceptível um certo desleixo por parte dos produtores, preferindo não recriar os cenários onde acontecem as batalhas.

Quanto à banda sonora, as músicas foram todas reconstruídas, tornando-as bem mais emocionantes e vibrantes, como se as originais já não fossem o suficiente, dando como exemplo a música da Elite Four que até hoje ficou na memória, por isso o facto de terem dado pequenos toques, que em nada a pioraram, é sem dúvida um ponto a aplaudir.

Chegando às mecânicas de jogo, este remake tenta ao máximo proporcionar uma experiência aproximada do jogo original, mas ao mesmo tempo, adicionar novas mecânicas de outros jogos atuais, que tornam um pouco confuso tentar entender ao certo qual o verdadeiro objetivo da produtora.

Uma delas é o XP Share, uma mecânica que muitos fãs desde o Pokémon X e Y amam ou odeiam, e neste jogo não dão sequer a opção de o desativar, o que irá deixar parte dos jogadores desapontados. Para quem não sabe o XP Share permite que todos os pokémons que estiverem na equipa partilhem a experiência que ganham uns com os outros, quer seja ganha em combate como também no caso de capturamos um Pokémon.

Uma outra particularidade que nasceu de outros títulos da série, foi a remoção da necessidade de ensinar HMs a um pokémon da nossa equipa para usar habilidades especiais importantes para o progresso do jogo, como o rock smash para partir pedras ou o cut para cortar árvores, assim como o fly para voar. Tudo isso vai-se desbloqueando à medida que vencemos os líderes dos ginásios, e para podermos usar as ditas habilidades, continuamos a encontrá-las em forma de TM, sendo que nesta geração todos os TMs são limitados ao contrário das gerações anteriores onde algumas das habilidades eram infinitas e outras tinham um limite.

Por exemplo, o Flash, que é usado para iluminar grutas, não entra na lista dos Hidden Moves dos quais não precisamos de um pokémon para o utilizar, ou seja, sendo este um dos TM limitados convêm ter em conta o pokémon a quem ensinamos, senão ficamos sem habilidade até encontrarmos outro TM com a mesma característica. Esta situação também se aplica à entrada dos Fairy-type, que sinceramente anula na totalidade a decisão de terem colocado apenas os Pokémon desta região até ao término da Elite Four, uma vez que a Fairy-Type torna tudo mais fácil, principalmente contra a campeã Cyntia.

Neste remake ainda é possível ver a informação do que é super efetivo ou não durante os combates, tal como relativamente ao XP Share, deveria ser escolha do jogador, uma vez que é um sistema agradável para os novos jogadores mas completamente desnecessário para os mais experientes.

Outro ponto a destacar é a introdução das Boxes na secção da equipa que temos, onde conseguimos trocar os nossos Pokémon com os que estão na Box sem precisar de visitar o Pokémon Center mais próximo da região. No entanto, um pokémon que vai para a box ferido, só recupera após falarmos com a enfermeira do Pokémon Center.

O Underground, agora chamado Grand Underground, sofreu também algumas alterações interessantes. Agora o subsolo foi expandido com novas seções chamadas de hideaways, onde no seu interior, composto por vários biomas, podemos capturar pokémon selvagens que não estão presentes noutras regiões do jogo. Estas áreas foram criadas especialmente para resolver a falta de Pokémon do tipo fogo que a geração Diamond e Pearl possuem. Infelizmente, antes de desbloquearmos a National Pokédex, o Grand Underground não tem nada que o faça ser relevante no início. Até porque, Underground para os treinadores de Pokémon é um meio de conseguirem completar o pokedex, sendo que parte dos itens que encontramos no seu interior podem ser conseguidos fora do underground exceto os Mysterious Shard S e L, que trocados por outros itens invocam os lendários no Ramanas Park.

No Ramanas Park em Pokémon Brilliant Diamond, poderão encontrar Raikou, Entei, Suicune e Ho-Oh, enquanto que em Pokémon Shining Pearl, poderão encontrar Articuno, Zapdos, Moltres e Lugia.

Outra novidade foi a criação de uma zona chamada Ramanas Park que faz parte do post-game do jogo. Nesta nova área temos várias cavernas espalhadas à volta do parque, onde teremos oportunidade de batalhar e conseguir capturar Pokémon Lendários de diferentes gerações da franquia. Algo que eu e provavelmente muitos de nós esperávamos e infelizmente não encontramos, foi o Distortion World, o qual foi substituído por uma área chamada Distortion Room, acessível apenas dentro do Ramanas Park.

Para embelezar as nossas partidas, temos a opção de customizar as pokébolas e atribuí-las a qualquer pokémon que tenhamos, quer na equipa, quer na box. As personalizações ajudam a obter pontos extras no Super Contest, enquanto os stickers dão para decorar a pokébola. Estes são conseguidos através das interacções com alguns NPC ́s ou na troca de berries, sendo que determinados stickers afetam certos aspectos que devemos ter em conta na prova em que vamos participar.

Depois de várias mecânicas inexistentes na versão original e que foram aqui concebidas neste remake, não nos podemos esquecer da favorita de qualquer verdadeiro apreciador de pokémon desde a sua aparição no Pokémon Yellow, a introdução da opção de podermos ter um pokémon ao nosso lado quando chegamos a Hearthome City.

Por fim, em relação ao jogo Online, sem ser as habituais trocas e batalhas que se realizam num espaço chamado Union Room, podemos também participar em Super Contests e explorar o Grand Underground na companhia de outros jogadores para descobrirmos tesouros e estatuetas que servirão para embelezar o nosso esconderijo mais rapidamente.

Em conclusão, Pokémon Brilliant Diamond e Pokémon Shining Pearl, em geral conseguem entregar um bom remake do jogo que pretendem representar. A introdução do XP Share e do Fairy-Type, mesmo contra a vontade de alguns dos fãs desta geração, trouxe um maior facilitismo que vai ao encontro de um público mais novo, provando que um jogo não precisa de ser complexo para ser uma experiência divertida. Para os fãs de longa data, reviver mais uma vez a nostalgia de explorar Sinnoh através de uma nova roupagem visual, é mais que suficiente, apesar dos pontos negativos que encontramos durante a aventura. Aguardo ansiosamente para ver o que a ILCA aprendeu com esta experiência e como irão lidar com o seu próximo projeto.

Review por Ricardo Simões.

Interessado em videojogos com o gosto acentuado para JRPG, está presente na equipa do OtakuPT desde 2013 com o propósito de acompanhar e informar sobre o que de melhor se faz na área do entretenimento gamer.