A Riot Games com a intenção de expandir o universo de League of Legends, resolveu juntar-se a outros estúdios independentes e diversificar as suas apostas por diferentes géneros e plataformas para dar a descobrir aos jogadores as histórias e personagens inspiradoras que habitam no mundo fictício de Runeterra. Foi a partir desta proposta que em 2019 nasceu Ruined King: A League of Legends Story, o novo RPG por turnos desenvolvido pela Airship Syndicate e editado pela Riot Forge que chegou a 16 de Novembro de 2021 na PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.

Este jogo narra a história de Viego, outrora rei que perdeu a sua vida há mais de mil anos quando tentava trazer de volta a vida da sua amada esposa do reino dos mortos. Em consequência do seu ato inconsciente, acabou por provocar o desencadeamento de uma catástrofe mágica, conhecida como a “Ruína” que levou o seu reino à destruição. Já no presente, somos levados às terras de Bilgewater, onde começamos por jogar na pele da capitã Sarah Fortune, a destemida campeã de LoL chamada pelo nome Miss Fortune, que pouco depois de ajustar contas com o rei dos piratas Gangplank, vê o retorno da maldição chamada de “Tormento” que começa a afetar a população da sua cidade portuária. Para combater esta névoa negra composta por criaturas e espíritos amaldiçoados, resolve procurar o apoio de outros para encarar e perceber o segredo por detrás da maldição.

Enquanto atravessamos os cenários de Bilgewater e de Shadow Isles, o destino vai-nos apresentando seis rostos conhecidos de League of Legends. São eles, a sacerdotisa Kraken Illaoi, o coração de Frejord Braum, o estripador de Bilgewater Spike, a misteriosa raposa de nove caudas Ahri e o Espadachim Ioniano Yasuo. O primeiro impacto é o envolvimento que vamos obtendo com os heróis, que para além de estarem unidos contra um inimigo em comum, cada um tem uma ambição pessoal e sobretudo personalidades bem estruturadas e distintas que vão sendo aprofundadas com o desenvolvimento da jornada.

Durante a exploração descobrimos tesouros, objetos e pontos de descanso que podemos interagir.

Existe de facto uma ênfase na expansão da narrativa e do Lore deste jogo, que vai sendo alcançada durante a exploração. Pequenas notas que vamos descobrindo no chão que relatam ocorrências daquele universo, conversas que vão surgindo com os moradores ou breves interações entre os protagonistas. Deste modo, não será necessário os jogadores terem qualquer familiaridade prévia com League of Legends para poder contemplar Ruined King na integra, enquanto os fãs do universo do MOBA vão ser cativados a entrar na história do jogo e a aprender mais sobre o mundo fantástico de Runeterra.

Estas situações também são enfatizadas pelo elenco que dá voz aos personagens, e em particular às cenas com maior foco na narrativa que se destacam pelas incríveis ilustrações do artista luso-descendente Joe Madureira, conhecido na indústria pelos videojogos Battle Chasers: Nightwar e Darksiders. Mesmo que o estilo de Ruined King se aproxime dos títulos nomeados anteriormente, é fácil deixarmo-nos levar pela arte das cutscenes e cinemáticas deste jogo, sendo curioso observarmos o universo enigmático da Riot Games à imagem de outros artistas com estilos artísticos diferentes, sem deixarem de ser fieis à imagem original de League of Legends mas numa vertente mais BD.

O mecanismo de combate por turnos em Ruined King é tanto tradicional assim como intuitivo. Durante os combates os Campeões têm ao seu dispor um menu com as seguintes habilidades:

  • As instantâneas, que são executadas de imediato e que geram sobrecarga que funciona como um substituto da mana;
  • As habilidades de Lanes, que consomem mana e dividem-se em três Lanes diferentes;
    • Speed Lane que provocam menos dano mas permitem atacar o inimigo rapidamente;
    • Balance Lane que é mais equilibrada entre as duas;
    • Power Lane, que apesar de demorar mais a atacar, provoca mais dano ao inimigo:
  • As Ultimate que invocam um golpe extremamente poderoso, representado por uma bela animação que para além de provocar muito dano pode também acrescentar efeitos ao grupo.

Esta mecânica de Lane torna os confrontos mais fluidos e desafiantes, impulsionando-nos a escolher estrategicamente a ordem do nosso turno com a finalidade de trazer benefícios à nossa jogada. Parte dos combates requer a nossa atenção contra a variedade de inimigos que exigem o uso de determinados Lanes para serem derrotados. Para nos auxiliar, temos acesso em combate ao modo de análise que revela informações vitais sobre o inimigo, o que facilita os confrontos. Temos também presente em todas as batalhas os efeitos positivos ou negativos (Hazards, Boons e Wildcards) que interferem de igual forma contra todos os que estejam dentro da região afetada na barra de iniciativa. Em contrapartida, estes efeitos, tais como a cura, o aumento do ataque ou envenenamento, podem ser aplicados a nosso favor contra o inimigo, isto caso consigámos manipular as habilidades de Lane de maneira a ficarmos no interior das regiões com os efeitos benéficos e por outro lado “levar” os oponentes para as regiões com efeitos nocivos.

As habilidades dos Champiom também são fundamentais para o combate. Por exemplo, Illaoi, produz tentáculos espectrais que fortalecem as suas técnicas de ataque e de cura, enquanto Braum com o seu enorme escudo, causa dano e aplica concussão aos inimigos e é especializado na defesa ou Yasuo a destacar-se pelos seus ataques com chance de maior dano crítico e reduz a velocidade dos inimigos.

O jogo dá-nos acesso a dois tipos de moeda:  A moeda de ouro utilizada para comprar diversos itens nos mercadores presentes em jogo, e a moeda negra utilizada no mercado negro que serve para comprar equipamentos e Skins únicas para os protagonistas.

Tal como é habitual em outros Role Playing game, Ruined King é um jogo que entrega ao jogador várias opções de personalização. Os equipamentos que podemos comprar ou conquistar para aumentar os atributos, um sistema que permite encantar o arsenal com efeitos especiais que concedem várias vantagens em combate, habilidades e pontos de aprimoramento que vamos desbloqueando quando subimos o nível do personagem, até ao útil sistema de runas com habilidades passivas que podem ser alteradas e adequadas ao nosso estilo de jogo.

Apesar de serem componentes habituais para os jogadores assíduos deste género, no geral acabam por tornar os combates mais interessantes e menos previsíveis.

Em Ruined King, há ainda uma variedade de sidequests que acabam por entregar valiosas recompensas, mais histórias e contos interessantes. Sejam elas descobrir planos diferentes para chegar à chave de um pirata embriagado, caçar assassinos ou cobrar dívidas aos habitantes perigosos da cidade sem partir para violência. De certa forma, a sua construção lembram-me a qualidade da escrita e a diversidade que encontramos no mundo de The Witcher. Fora de combate também são convocados desafios em forma de puzzle que dão utilidade às características de cada um. É neste momento que entra a sabedoria de Illaoi, por exemplo, a única capaz de compreender glifos antigos ou Yasuo que com a sua espada lança tornados capazes de ativar mecanismos eólicos à distância. Ainda que a sua simplicidade não o torne assim tão exigentes, acabam por ajudar a balancear o ritmo do jogo, intercalando-os com os momentos de combate para não se tornarem repetitivos.

Ruined King é um jogo que não foi pensado para se assemelhar ao grafismo das atuais gerações. Mas é justo dizer que não deixa de ser agradável apreciar o seu aspecto visual clássico, tendo em conta o esquema cromático utilizado e a qualidade estética que representa bem o ambiente melancólico do jogo. Além disso, as melodias criadas pelo compositor de Ori and the Blind Forest e Ori and the Will of the Wisps, Gareth Cooper, encaixam na perfeição no ambiente e temática em que o jogo se inspira. De um ponto de vista técnico, a única contrapartida que posso nomear, é a presença de loadings muito extensos que preenchem a tela durante a nossa passagem para outras áreas. Compreendo o porquê da sua existência num jogo com uma construção revitalizada, assim como certamente outros apreciadores do género de gerações mais antigas também compreenderão, mas para jogadores mais novos, poderá não ser um ponto a favor.

Em conclusão, o desenvolvimento de Ruined King: A League of Legends Story foi uma boa oportunidade para a produtora Airship Syndicate aprimorar o conceito aplicado em Battle Chasers, tornando com a mais recente mecânica de Lane os combates por turnos mais fluidos e táticos. Ao mesmo tempo, temos o talento artístico de Joe a adicionar charme ao mundo estético de League of Legends, juntamente com uma história que é complementada com personagens apaixonantes. A jogabilidade tradicional e o seu aspeto mais datado pode não agradar a todos os jogadores, mas aqueles que são devotos de RPG clássicos e fãs de League of Legends, vão descobrir nesta obra uma aventura muito competente.

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Lucius Artorius Pendragon
Lucius Artorius Pendragon
19 , Dezembro , 2021 21:10

Riot Games ferrou demais com a Lore do Rei Destruído. O jogo é legalzinho pelo menos e aqui da pra jogar com o Yasuo no time kek