Durante a sétima geração de consolas o Sackboy ficou conhecido como a mascote não oficial da PlayStation após o lançamento do jogo Little Big Planet para a PlayStation 3 em 2008. Contudo, ao contrário de um certo marsupial laranja -que também ficou conhecido pelos mesmos motivos- não foi integrante num jogo tradicional de plataformas, mas sim numa espécie de “workshop” onde os jogadores podiam criar e partilhar as suas criações uns com os outros em qualquer parte do planeta. Como seria de esperar, Little Big Planet foi um jogo revolucionário para o seu tempo que colocou a primeira pedra para o desenvolvimento dos consagrados Super Mario Maker e Dreams. Curiosamente este último foi desenvolvido pela Media Molecule, que outrora criaram o de Little Big Planet.

Avançamos 12 anos e após um desembarque de Sackboy: A Big Adventure na PlayStation 4 e PlayStation 5, eis que chega finalmente a hora do PC descobrir o encanto da simpática criatura resgatada pela Sumo Digital num formato de jogo mais convencional.

Na loja do Zom Zom vamos poder vestir o Sackboy com novas e antigas glórias da PlayStation

Embora Sackboy: Uma Grande Aventura seja um título de lançamento da PlayStation 5 criado especialmente para demonstrar o uso do DualSense, na sua essência estamos perante um jogo de plataformas 3D clássico. Contudo, o seu ambiente faz com que se distinga quer de experiências clássicas como das atuais. O Artemundo é uma terra mágica, construída através de materiais têxteis, nesta terra habitam simpáticas criaturas também criadas pelos mesmos materiais em paz e harmonia. Tudo estaria bem não fosse o cruel e tenebroso Vex, decidir espalhar os seus pesadelos neste paraíso. Quase todos os habitantes sucumbiram ao seu domínio, todos menos um, o Sackboy, porque consegue escapar num foguetão. É neste momento que o comando é passado ao jogador, pois só mesmo com o seu contributo conseguirá Sackboy enfrentar Vex e salvar os seus amigos.

Nesta demanda o jogador terá de controlar o menino de pano por mais de 60 níveis temáticos tais como selvas, florestas, mares, gelo, etc. Nestes assistimos ao seu legado, dado que em cada ambiente temos a sensação de que foi construído com o editor de níveis que tantas alegrias nos deu em 2008. Pedaços de fita-cola, novelos e retalhos de pano são apenas alguns dos seus constituintes. Felizmente -ou infelizmente consoante o ponto de vista- o jogo não exige a precisão milimétrica de um simpático Super Mario 64, ou do infernal Crash Bandicoot 4: It’s about Time. Na verdade, estamos perante um jogo muito simples, visto que as secções de plataformas são relativamente fáceis e pouco exigentes, o que faz deste o título da Sony para o PC um jogo perfeito para o público juvenil, uma lacuna que ainda persistia na plataforma. Contudo, o seu charme faz com que os adultos também se interessem por este mundo mágico. Grande parte do seu charme recai para os fatos e engenhos que o Sackboy vai utilizar. Será um gancho? Um fato de tigre? Ou um Boomerang? As capacidade e imaginação do nosso amigo têxtil são realmente únicas e infindáveis.

O jogo resgata o tradicional mapa-mundo que originalmente surgiu em Super Mario Bros. 3

Porém, o maior destaque neste quesito vai para os níveis musicais. Realmente já não assistíamos a níveis onde a própria música era um constituinte, desde talvez os tempos de Ristar na SEGA Mega Drive enquanto explorava o planeta Sonata. À semelhança da estrela da SEGA o mundo é regido pela música, ou seja, as plataformas, os inimigos e a nossa própria navegação dança ao seu ritmo. Também o jogo captura olhares mais veteranos através do fervoroso “Time Attack” onde temos de terminar um nível num limite de tempo pré-estabelecido com poucas ou nenhumas margens para erros. Como se não bastasse, também teremos de colecionar objetos para abrir caminho para novos mundos e habilidades para o nosso amigo. Em suma, Sackboy: Uma Grande Aventura também consegue agarrar e cativar uma demografia adulta por oferecer camadas de desafio e exploração, que convenhamos, foram uma surpresa e muito bem-vinda mesmo que estejamos perante uma aventura breve e agradável. Esta também pode ser saboreada por amigos ao nosso lado ou espalhados pelo planeta através do modo multiplayer em níveis que exigem a colaboração entre 2 a 4 jogadores, um elemento que expande o tempo de vida do jogo por este ser relativamente breve sendo que é possível concluir o jogo em cerca de 11 horas.

Para salvar os seus amigos, o Sackboy terá de colecionar o maior número de esferas

Também encontramos agradáveis surpresas nos seus registos técnicos. Estamos perante o jogo até à data que melhor uso faz do DualSense. Sem dúvida que o revolucionário comando da PlayStation 5 é o suprassumo desta grande aventura. Diríamos mesmo que o jogo é completamente transformado pelo simples uso deste comando. Isto porque pudemos sentir a pressão e física do puxar e agarrar objetos, caminhar em diversos terrenos ou ouvir os altifalantes do comando com sons de molas, cordas e ganchos. As opções gráficas também foram muito superiores a outros jogos PlayStation no PC, fazendo mesmo o recente Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões corar de vergonha neste departamento. Além de desfrutarmos de resoluções até 4K, Sackboy: Uma Grande Aventura conta com diversos “presets” com graus desde o baixo até ao muito alto com diversas opções gráficas. Temos oclusão de ambiente, efeitos de partículas, texturas, sombras dinâmicas, reflexos, suavização e qualidade de renderização e também podemos habilitar elementos visuais adicionais -alguns deles proprietários. Iluminação de efeitos adicionais, efeitos de sombras Ray Tracing, detalhe aumentado dos objetos, grafismo melhorado para cabelo, iluminação de cena adicional, penugem do Sackboy e limite de taxa de fotogramas. De salientar que jamais esperaríamos encontrar metade dos efeitos aqui presentes devido à natureza e simplicidade desta grande aventura, sendo o Ray Tracing e a taxa de fotogramas desbloqueada duas das melhores surpresas.

Embora simplista o mundo de Sackboy é muito variado e original
Embora simplista o mundo de Sackboy é muito variado e original

Como o uso do Ray Tracing é muito limitado, o jogo não sofreu muito com a aplicação do mesmo. Para os leitores que não estão familiarizados com o nosso equipamento habitual para testes passamos a apresentá-lo. Sackboy: Uma Grande Aventura jogado numa build composta por um processador AMD RYZEN 5950X, placa gráfica AMD RADEON RX 6900XT e 32 GB DDR 4 RAM com todos os elementos visuais elevados ao máximo, registou entre 79 a 90 fotogramas por segundo na maioria dos ambientes. Quando retirámos os efeitos Ray Tracing registámos mais fotogramas, mas muito longe do aumento que imaginávamos, ou seja, apenas recebemos uma subida adicional em média de 10 FPS, talvez pelo pouco uso desta técnica neste título. Quando passámos do 4K da secretária para o 2K do portátil, o nosso Lenovo Legion 5 PRO equipado com um processador AMD Ryzen 7 5800H, chipset gráfico NVIDIA Geforce RTX 3070 a 140w e 16 GB RAM obteve praticamente os mesmos valores. Isto porque além de ser jogado numa resolução menor, o motor de Ray Tracing da NVIDIA é muito superior ao da AMD. Infelizmente com a omissão das tecnologias supersampling NVIDIA DLSS 2.3, AMD FSR 2.1 e Intel XESS não nos foi possível desfrutar ou registar os habituais testes, isto porque Sackboy: Uma Grande Aventura não dispõe no momento de nenhuma destas tecnologias. Inexplicavelmente também não possui suporte para HDR, um efeito na verdade muito, muito estranho, ainda mais devido à sua origem. Outro elemento verdadeiramente estranho, diríamos mesmo bizarro, foi a utilização de recursos da Epic Games Store. Esta análise foi jogada através da Steam, e foi no mínimo peculiar assistirmos o jogo antes da sua primeira utilização fazer uma transferência de ficheiros da sua concorrente mais direta. No entanto, desconfiámos que possa ser necessário devido ao crossplay no PC. Felizmente, as habituais opções de áudio e texto estão todas presentes. O nosso amiguinho fofinho é um verdadeiro poliglota, dado que domina 24 idiomas onde naturalmente constam o português de Portugal e do Brasil. Para finalizar a nossa análise sublinhamos que o jogo recebeu recentemente uma atualização gratuita que corrige os tenebrosos soluços que estavam presentes em diversos níveis e sequências cinematográficas. Se esta era uma barreira que vos impedia de adquirir este jogo, podem suspirar de alívio porque já está resolvida.

Sackboy: Uma Grande Aventura preenche a lacuna que existia na demografia de jogos da PlayStation no PC. Agradável de jogar, difícil de dominar, agradável de presenciar. Esta frase reflete na perfeição o requinte e o recorte desta grande aventura nesta nova casa. Contudo, a mesma recebe uma camada muitíssimo superior se for adicionado à equação o revolucionário comando DualSense e as suas capacidades hápticas.

Pros:

  • Jogo que expande a demografia PlayStation no PC
  • Originalidade visual
  • Simples e agradável de jogar
  • Excelente uso dos recursos do DualSense no PC
  • Suporte para várias opções gráficas e visuais
  • Crossplay entre PC
  • Suporte a áudio e textos em Português europeu e do Brasil
  • Problemas técnicos retificados

Cons:

  • Sem suporte a HDR
  • Jogabilidade e desafio demasiado simples para veteranos
  • Pouca duração
  • Sem suporte às tecnologias supersampling da NVIDIA, AMD e Intel
Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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