A franquia The Legend of Zelda é decididamente para mim uma das jornadas mais encantadoras em toda a indústria dos videojogos, que acompanha a profecia de um herói destinado a resgatar uma bela princesa de um mal que tende a persistir. Foi devido a este enredo simples e intemporal que a Nintendo fez desta saga uma experiência obrigatória para todas as suas gerações, colocando-a lado a lado da principal mascote da empresa, Super Mario.

Depois da estreia do remake de The Legend of Zelda: Link’s Awakening e do spin-off Hyrule Warriors: Age of Calamity na Nintendo Switch, durante a Nintendo Direct de Fevereiro de 2021, fomos surpreendidos pelo regresso do premiado The Legend of Zelda: Skyward Sword, um clássico da Wii de 2011 que comemora agora o seu décimo aniversário com uma nova versão em HD que abraça, de modo bastante notório, a evolução gráfica e híbrida acessível na Nintendo Switch.

The Legend of Zelda: Skyward Sword leva-nos a visitar a primeira história da cronologia de The Legend of Zelda, onde é revelada a origem da famosa Master Sword, e do reino de Hyrule. Ambientada no arquipélago flutuante de Skyloft, mais uma vez, o jogador encarna o jovem Link, o herói da lenda que tem a missão de salvar a sua amiga de infância Zelda, que devido a um inesperado tornado, cai dos céus em direção ao reino esquecido.

Depois da abertura, quando começamos a investigar o reino abaixo dos céus, percebemos que o seu destino não passa só por este propósito, mas também por lidar com um grande mal antigo, que no passado tinha sido selado pelos deuses. Esta é uma das franquias que merece atenção pela sua história, até porque foi idealizada do zero com diversos elementos nostálgicos, que nos revelam uma nova perspetiva do relacionamento entre Link e Zelda.

Nesta aventura, com a ajuda do nosso amigo alado Loftwing, conseguiremos percorrer os céus e mergulhar nas terras da superfície, onde investimos grande parte do nosso tempo a explorar as principais regiões do jogo que se diferenciam pelos diferentes ecossistemas. Como em qualquer boa aventura de The Legend of Zelda, podemos descobrir no interior das três regiões, que vão de florestas a um vulcão em erupção, elementos como tesouros, quebra-cabeças, novos caminhos por desbloquear, masmorras, um elenco de personagens invulgar e muito mais.

Não é surpresa que o grande trunfo da série continua a ser as suas memoráveis masmorras. Divididas por templos, navios fantasmas e outros territórios povoados por criaturas hostis, as suas construções são marcantes que se assemelham perfeitamente aos de Ocarina of Time e Twilight Princess. Estes entregam como já é habitual, ambientes labirínticos e fantasiosos com puzzles complexos que para serem solucionados necessitam da nossa maior concentração enquanto é também dada utilidade aos simples itens do jogo que vão sendo desbloqueados e aperfeiçoados à medida que progredimos. Dois dos exemplos de itens que adquirimos em Faron Woods é a Slingshot (fisga), que será útil para provocar dano nos inimigos à distância e atingir elementos inacessíveis ou o Beetle, um besouro mecânico telecomandado, que pode ser otimizado para realizar diversas ações como transportar bombas à distância ou acionar mecanismos.

Outra distinção que está presente no interior das masmorras são os confrontos contra os chefes do jogo, que mantêm uma postura estratégica e muito desafiante. Destaca-se principalmente um dos vilões que até aos dias de hoje, se denomina perfeitamente como sendo um dos mais incisivos de toda a série. Aliado ao elemento narrativo e a um dos grandes obstáculos que teremos de encarar, Lord Ghirahim é um ser poderoso, com uma aparência andrógina construída sobre maneirismos teatrais, que deseja a todo custo capturar Zelda para um propósito maligno. São as suas interações que nos servem os confrontos mais intensos, assim como momentos de humor e ironia, valorizando o tempo que passamos na superfície.

É a partir das missões paralelas que podemos libertar o herói do seu destino. São nestes momentos genéricos, que vão desde entregar sopa quente ao instrutor da academia, até ao investigar o desaparecimento de um dos habitantes de Skyloaf, que são criadas as situações mais intrigantes que nas quais percebemos o vínculo que Link tem com os personagens. Da mesma forma, conversar com os habitantes dos céus e com os seres que vivem abaixo das nuvens, é bastante enriquecedor porque nos oferecem mais informações sobre o mundo do jogo.

Para quem está familiarizado com o original deste título, vai facilmente identificar na sua estrutura um caráter mais sequencial, seguindo assim os passos dos antecessores. Independentemente de que para alguns esse factor se possa constituir num ponto menos favorável, neste jogo, o aspecto fulcral acaba por recair principalmente na narrativa, fazendo com que Skyward Sword consiga reunir todos os elementos necessários para continuar a fazer dele um excelente capítulo na saga de The Legend of Zelda.

A versão original manteve-se popular por ser um dos títulos da série a beneficiar dos inovadores controlos por movimento da Wii, o que foi um grande marco na altura para a produtora mas que também fez dividir a opinião dos fãs em consequência dos problemas que o controlo gerou nas acções em combate, por meio do dispositivos de movimento. Contudo, a Nintendo teve oportunidade de resolver as pequenas imperfeições na mais recente versão de Skyward Sword HD, explorando essa herança de um modo mais confortável e divertido devido à adaptação dos controlos por movimento, que foram melhorados para os Joy-con, captando as mesmas sensações que nos faziam sentir como um verdadeiro herói, assim como também, conseguiram adaptar no modo portátil os movimentos da nossa espada e de outros acessórios a partir do analógico direito, sem sairmos da nossa zona de conforto.

Esta inteligente adição é importante e mais satisfatória para quem decide eleger o modo portátil ou a Nintendo Switch Lite, mesmo que a princípio isso possa trazer alguma dificuldade em dominar os golpes, envolvendo uma certa prudência para percebermos qual a movimentação correta do analógico para cada golpe, mas que acaba por ser recompensador e desafiante para o jogador. Por outro lado, com os comandos é conquistada uma maior naturalidade e agilidade quando seguramos com o joy-con esquerdo o escudo e com o joy-con direito utilizamos os ataques de espada do herói. Visualizamos este aspecto quando em campo somos capazes de tirar proveito de outro ritmo de numerosos golpes, seja de cima para baixo, na horizontal e na vertical, contra os vários inimigos e é ainda mais intuitivo executar um spin attack ou um Down Thrust.

A câmara é um outro aspecto trivial, que assombrou a versão Wii. Felizmente, com o aproveitamento da evolução, a equipa que atua por detrás de Skyward Sword HD revelou-se astuta a polir esta contrariedade, permitindo que movamos a câmara livremente com o joy-con direito apontado para TV ou simplesmente na portátil com botão L sem largar, ao mesmo tempo que conduzimos a câmara com analógico direito. Esta nobre mudança simplifica a jogabilidade em várias situações, principalmente sempre que estejamos rodeados de numerosos inimigos ou em outras situações em que desejamos analisar o ambiente ao nosso redor. Desse modo, é relevante salientar que ambas as formas de experienciar a aventura são íntegras e adequadas, seja com os comandos joy-con ou com os botões da portátil.

No que toca às alterações que contribuem para suavizar a jogabilidade, a Nintendo acrescentou desde um botão “Skip” para saltar as cutscenes, até à possibilidade de avançar com os diálogos do jogo. Uma outra importante atualização, está ligada a Fi, a companheira de Link que reside dentro da espada dos deuses. Nesta aventura, a figura mística deixa de desencadear longos textos e de aparecer várias vezes, para passar somente a surgir durante situações de destaque. É também possível à distância de um botão, invocar Fi a qualquer momento que desejamos para nos auxiliar com orientações, seja com simples dicas ou informações sobre os inimigos do jogo.

Visualmente, a nova versão HD comparada à versão de 2011, consegue acentuar o seu carácter artístico imensamente fundamentado pelas obras de pintura impressionista do século XIX. Os detalhes minuciosos, tanto dos cenários como dos personagens, remonta-nos à sensação de que estamos perante uma verdadeira pintura em movimento que se sobrepõe ao aspecto pixelado, dando lugar a visuais mais nítidos e suaves. Este marco é decididamente aprimorado dado à capacidade gráfica da Nintendo Switch que nos permite jogar esta versão remasterizada de Skyward Sword nos seus suaves 60 quadros por segundo. A banda sonora de Zelda é tão elogiável quanto tudo o resto. As suas melodias orquestradas continuam a permanecer emocionantes mesmo após uma década.

Ao voltar a reviver este capítulo, fez-me recordar o quanto é agradável a sensação de poder explorar o reino de Hyrule na era da N64. Os jogadores têm agora a oportunidade de alternar entre controlos por movimento e botões sem deixar de apreciar o encanto do mundo expressivo de Skyward Sword, que é desta vez enaltecido graças a esta nova edição HD para a Nintendo Switch. Para além das melhorias relacionadas as “quality of lifes”, o jogo também entrega algumas das masmorras e quebra-cabeças mais incisivos da série. The Legend of Zelda: Skyward Sword HD é com toda a certeza, uma segunda oportunidade concedida aos jogadores que no passado ficaram insatisfeitos com as mudanças, mas também um excelente ponto de partida para as gerações mais recentes, que ainda não estão adaptados cronologicamente com os clássicos da série.

The Legend of Zelda: Skyward Sword HD já está disponível para Nintendo Switch.

Interessado em videojogos com o gosto acentuado para JRPG, está presente na equipa do OtakuPT desde 2013 com propósito de acompanhar e vos informar acerca do que melhor se faz na área do entretenimento gamer.