Os franceses do Big Bad Wolf Studio e a Nacon regressam à carga com um novo jogo da série Vampire: The Masquerade. Vampire: The Masquerade – Swansong é descrito como um “RPG” narrativo que retira elementos do seu jogo de tabuleiro que em breve vai receber a sua quinta edição

Numa fase inicial o jogador é convidado a controlar o trio de vampiros composto por Galeb, Emem e Leysha, convocado pelo príncipe Iversen porque o código vermelho foi soado. Esta condição toma lugar quando um vampiro viola a “máscara”, ou seja, revela a sua identidade perante a sociedade humana. Sem perder tempo a líder dos Camarilla, reúne três vampiros de grupos, motivações e etnias diferentes para investigar uma conspiração que ameaça destruir a própria sociedade de vampiros de Boston. Convém referir que nesta parte o jogador controla alternadamente cada uma destas criaturas da noite enquanto é apresentado aos conceitos de jogo que atuam como tutorial.

Tal como em diversos RPG, também fomos apresentados às características de cada personagem e aos seus atributos físicos, sociais e mentais, que consequentemente influenciam Perícias como Retórica, Intimidação, Persuasão e Psicologia (Diálogo); Segurança e Tecnologia (Exploração); Dedução e Educação (Conhecimento). Para quem não conhece este RPG de mesa os seus elementos podem ser um pouco complicados, visto que as Disciplinas são únicas para cada personagem jogável e representam uma parte dos seus poderes vampíricos.

As personagens também podem ser melhoradas, porém utilizar os poderes de cada uma deve ser algo pensado com conta, peso e medida, dado que para funcionarem em pleno necessitam de um certo equilíbrio. A “UI” do jogo apresenta dois medidores, um roxo para fome, e outro para força de espírito. O jogador inicia a sua aventura com uma barra completa de força de espírito, contudo, quando usa uma habilidade vampírica a sua fome aumenta, o que faz com que tenha especial atenção a este indicador, visto que a tudo o custo deve evitar sucumbir às veias sumarentas, e causar uma carnificina sem precedentes. Felizmente existem itens que podem ser utilizados para colmatar estas inconveniências. No entanto, a forma mais “segura” de atuar é encontrar um humano (bolsa), arrastá-lo para um sítio longe de olhares indiscretos para alimentar a nossa personagem e consumir sangue suficiente para fortalecer a nossa personagem sem a matar. Devido a esta mecânica, o jogador terá de agir meticulosamente, visto que esta ação aumenta o seu nível de suspeita e concede características negativas dependendo do seu impacto. Claro que com talentos como a “Persuasão” ou “Dedução” a nossa personagem poderá sair impune de algumas situações e claro que estes “talentos” podem também ser melhorados ao longo da nossa aventura para sairmos ilesos das situações mais bizarras e caricatas.

Um dos elementos que separa Vampire: The Masquerade – Swansong, de qualquer outro RPG no mercado, é a sua própria herança. Tal como no seu produto original, cada NPC possui uma ficha de personagem com as suas próprias disciplinas, talentos e atributos físicos e psicológicos, dado que existem NPCs que também são vampiros. Também e ao contrário de qualquer produto deste género, as batalhas não são ganhas com armas ou milhares de números a invadir os nossos ecrãs, aqui Vampire: The Masquerade – Swansong recorre aos seus próprios elementos, e convida os jogadores a participarem em confrontos onde o diálogo é uma arma tanto de defesa como de ataque. Estas “Confrontações” -que fariam até o próprio Naruto e o seu talk no jutsu suarem- possuem pequenas frações e tentativas para darmos a volta à situação. Mesmo o evento mais estranho ou bizarro terá de ser exemplarmente explicado de forma transparente e coerente para a nossa personagem não lidar com as suas consequências e suspeitas.

A jogabilidade propriamente dita apresenta diversos paralelismos com jogos de investigação. Não tardou até ao nosso vampiro explorar cada campo e recanto, enquanto interagiu com diversos “NPCs” em busca de pistas. O jogador é obrigado a usar as mecânicas apresentadas para avançar na história, mas alertamos para que não se alimentem imprudentemente mesmo nesta fase inicial, porque o jogo terá uma dificuldade muito acentuada e pode ditar um abandono prematuro desta aventura.

Tal como nos anteriores jogos da Big Bad Wolf, fomos agraciados como uma narrativa ramificada repleta de escolhas que conduziram a consequências e finais diferentes. Como estamos perante um jogo com uma duração que não deve alcançar os dois dígitos para a maioria dos jogadores, este elemento conseguiu conduzir a um efeito de produtividade, visto que permite desfrutarmos de várias ramificações, e personagens sem desembolsar abundantes de tempo e força vital.

Tecnicamente falando Vampire: The Masquerade – Swansong, é um produto bem estranho. Embora possua resoluções até 4K e diversos efeitos visuais -que não são encontrados na maioria dos jogos- tais como folhagem, sombras, filtros, ou efeitos (sem especificar quais), as animações e modelos de personagens são excecionalmente pobres e não acompanham este seu quesito técnico. Este foi um elemento bem estranho já que a base do jogo e de qualquer RPG digno desse nome está nas suas personagens e este foi o mais fraco de todos. Além de texturas deslavadas, pobres e datadas, as animações que as acompanham são muito ríspidas e robóticas, chegando alguns modelos como Journey Atkins, ou Laley, a parecerem que saíram do Programa do Aleixo. Mesmo diante de tal registo a nossa configuração conseguiu reproduzir a aventura sem se alimentar de mais componentes e com todos os efeitos ao máximo -de salientar que no menu de configurações gráficas existe uma opção para autodetetar e retirar ao máximo cada recurso.

Outro elemento bizarro que acompanhou a sua componente técnica foram as legendas. Embora o jogo indique que suporta os idiomas de português europeu e português do Brasil, em qualquer um dos dois opta pelas legendas de português do Brasil. É no mínimo estranho ser destacado que existem legendas diferentes e, na prática, só existir uma legenda. Respeitante ao nível sonoro, também não encontramos grandes referências ou destaques. Relativamente aos atores que interpretam as personagens, apenas os sentimos a ser funcionais e as melodias são muito minimalistas tanto que por vezes nem damos pela sua presença. Julgamos que por as personagens apresentarem um efeito datado quer visualmente como tecnicamente, a interpretação dos atores foi colocada um pouco de lado, e por mais positiva que seja não teve o efeito desejado.

Vampire: The Masquerade – Swansong é uma aventura que venera a sua fonte em todos os momentos, mas que quando é transitada para o ecrã e em movimento consegue ser tão robótica e inexpressiva como as peças do tabuleiro de onde bebe a sua fonte. Embora apresente conceitos interessantes para o seu género, um aspeto demasiado rudimentar e datado não permite que as criaturas das trevas se levantem da escuridão e permaneçam na mesma amontadas debaixo de títulos de elevado orçamento e “indies” com maior destaque e qualidade.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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light 701
light 701
22 , Maio , 2022 14:47

boa analise, sugestão: tragam uma analise de V Rising um jogo que comecei a jogar e me surprendeu muito, misturando as mecanicas do diablo com uma tematica de vampiros

light 701
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Reply to  Bruno Reis
24 , Maio , 2022 1:20

exatamente hehe