Durante a Nintendo Direct de junho de 2026, a Monolith Soft presenteou os fãs com uma versão de Xenoblade Chronicles para a Nintendo Switch 2, trazendo finalmente o tão merecido aprimoramento visual e combinando o melhor do remaster com o potencial da nova consola da Nintendo.
A versão física vai ficar disponível a 30 de Julho de 2026.
Convém dizer que Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition é o mesmo jogo a nível de enredo e jogabilidade. Como disse acima, este novo lançamento foca-se essencialmente em melhorias gráficas e no desempenho que transformam por completo esta jornada épica da Monolith Soft.

Mais uma vez, voltamos a reviver a história de Shulk, um jovem engenheiro da Colónia 9 capaz de empunhar a Monado, uma espada com poderes ocultos inimagináveis. Esta longa viagem decorre sobre os corpos de dois titãs que se enfrentaram mutuamente há milhares de anos. Destes seres nasceram novas raças, criaturas e civilizações, dando origem a um mundo de escala absolutamente avassaladora. Os cenários estão entre os mais impressionantes alguma vez criados num JRPG, inseridos num universo que ainda hoje nos faz sentir pequenos diante da sua dimensão.
Sem querer estragar nenhuma surpresa para quem entra pela primeira vez nesta aventura, posso adiantar que vos espera uma história sem igual, repleta de reviravoltas, personagens memoráveis e momentos narrativos marcantes que, acreditem, vão-vos deixar conectados desde o início da experiência até aos seus créditos finais.
Quanto à jogabilidade, trata-se de um JRPG com um foco acentuado na narrativa, mas sem nos deixar de oferecer total liberdade para explorar regiões gigantescas, completar missões, recolher itens, visitar cidades, descobrir segredos e enfrentar inúmeras criaturas, nunca perdendo o ritmo.

Como devem saber, o combate mistura ação em tempo real com elementos clássicos por turnos. Podemos mover-nos livremente enquanto os ataques normais são executados automaticamente, gerindo em simultâneo as habilidades Arts e as Talent Arts à medida que vão ficando disponíveis. A profundidade deste sistema vai além desta premissa, já que cada técnica pode gerar efeitos adicionais ou ser potenciada consoante a nossa posição em relação ao inimigo.
É neste ponto que os confrontos ganham outra camada devido às mecânicas que nos deixam encadear efeitos para derrubar ou atordoar o adversário. A própria gestão do aggro surge como um elemento essencial para proteger o grupo, aliada ao sistema de visões de Shulk, que nos dá a oportunidade de antecipar os ataques em segundos. O combate fica ainda mais intenso com a cooperação contínua entre os nossos companheiros, apoiados por uma IA que cumpre muito bem as expectativas e com a necessidade de manter a moral da equipa em alta. Todas estas ramificações estratégicas estão sempre presentes, colocando-nos à prova enquanto nos desafia a tirar o máximo proveito do potencial conjunto de cada uma das personagens.
Na Nintendo Wii, o tamanho dos mapas de Xenoblade Chronicles foi algo fora do comum. Os produtores em entrevistas revelaram que a área explorável do jogo tinha um tamanho equivalente à ilha principal de Tóquio.
Esperem também uma enorme variedade de armas e armaduras para equipar, bosses com um nível de dificuldade acima da média e múltiplos sistemas secundários que vão sendo integrados com o avançar da campanha, garantindo uma sensação constante de evolução e aprendizagem.
Naturalmente, nem tudo é do meu agrado. As missões secundárias continuam a ser o seu maior ponto fraco e ainda hoje se sentem demasiado repetitivas, servindo puramente como um incentivo à exploração, à subida de nível e à conquista de melhores equipamentos.

Antes deste novo lançamento, em 2020 a Definitive Edition trouxe melhorias significativas que foram igualmente importantes para a experiência. Uma interface mais intuitiva, uma arena com novos desafios, dois modos de dificuldade e o epílogo Future Connected, uma expansão com personagens igualmente interessantes e uma nova região que continua a impressionar.
Falando agora especificamente desta versão dedicada à Nintendo Switch 2, foi adicionado o Ether Jet, um veículo que nos permite descolar no vasto mundo do jogo a grande velocidade. Para além de tornar a exploração mais acessível, esta mota que pode ser desbloqueada na área dos refugiados, na Bionis’ Leg, abre as portas ao Grande Prémio Nopon, um conjunto de minijogos de corridas e desafios em circuito, onde podemos ganhar pontos e desbloquear novos equipamentos. Não era propriamente o tipo de conteúdo que esperava, mas acaba por ser um incentivo para relaxar um pouco da missão, ainda que não acrescente nada de relevante à narrativa.
As cinemáticas nesta versão receberam uma nova roupagem, correndo a 60 FPS em alta definição, com direito a efeitos táteis através da vibração dos novos Joy-Con.
É evidente que o maior argumento para voltar a comprar Xenoblade Chronicles são as suas melhorias gráficas e posso garantir que são bem sentidas. Mesmo que a versão da Nintendo Switch tivesse trazido algumas mudanças, continuava a sofrer com uma imagem pouco nítida e quedas abruptas de frames em zonas mais detalhadas e durante os combates. Na Nintendo Switch 2 o panorama muda por completo, seja ligada a uma televisão 4K ou em modo portátil a 1080p, o jogo mantém os 60 FPS quase sempre intactos.
Ao olharmos para o ecrã, notamos uma imagem muito mais definida, o que realça ainda mais a incrível a arte do jogo. Agora a natureza realmente parece credível e as roupas das personagens têm texturas bem conseguidas. Foi um privilégio voltar a desbravar este mundo de fantasia de ficção científica. Um mundo rico e variado onde cada paisagem tem a sua própria beleza e encanto, e ver tudo isto novamente numa vertente aprimorada transformou a experiência em algo simplesmente impressionante.

No modo portátil as melhorias fazem-se notar, ainda que seja neste formato que a idade de Xenoblade Chronicles se denuncia um pouco mais. Ocasionalmente, notamos as texturas a perder alguma definição ou pequenas quedas de FPS, mas nada que comprometa a jogabilidade.
No que diz respeito ao som, desta vez encontramos todas as cenas das conversas “Heart-to-Heart” com vozes em inglês e japonês, apesar de continuarem a ignorar as legendas em português. O que mantiveram na íntegra, e ainda bem, foi a banda sonora, que continua a ser um dos pontos fortes de toda a série. Composta por uma equipa de confiança, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura, Manami Kiyota e pelo grupo ACE+, ela proporciona uma das sonoridades mais ecléticas do género, refletindo naturalmente as emoções que a história e o mundo do jogo quer transmitir. Continua a ser das minhas bandas sonoras de eleição, ao lado da série Kingdom Hearts.
Dezasseis anos depois do seu lançamento original, Xenoblade Chronicles continua a ser um dos JRPGs mais relevantes da indústria. São poucos os estúdios que conseguem combinar um mundo fascinante, uma narrativa memorável e um sistema de combate envolvente de forma tão equilibrada e especial. Mas neste caso, ver este mundo a correr a 60 FPS e a 4K faz com que a visão da Monolith Soft ganhe um novo fulgor.
Se nunca jogaste, a versão para a Nintendo Switch 2 é a melhor forma de descobrires um dos grandes clássicos da Nintendo, mas mesmo que já conheças cada momento desta aventura de trás para a frente, o novo salto visual é motivo mais que suficiente para justificar uma viagem de regresso a este mundo colossal.










