A série YS é uma das mais antigas no mundo dos videojogos. A mesma está connosco desde as primeiras horas da Nihon Falcom Corporation, e atravessou diversas eras ao espalhar-se por um sem fim de sistemas e plataformas. No entanto, mesmo viajando durante gerações, não conseguiu manter-se no Panteão dos RPGs japoneses, e ficar ao lado de Final Fantasy, Dragon Quest, Pokémon, Tales of Series, ou até de The Legend of Heroes, a mais bem-sucedida série da Nihon Falcom Corporation nesta parte do globo. Contudo, após uma fantástica oitava parte, o livro de YS parece estar gradualmente a receber ímpeto no ocidente. Ao longo desta análise veremos se a sua sequela consegue projetar a série para palcos superiores.

Ao contrário dos combates por turnos de The Legend of Heroes, em Ys IX: Monstrum Nox os jogadores mergulham num Action RPG focado em ação e combates em tempo real. Esta é mais uma parte numerada do seu expansivo universo, tal como nos anteriores jogos da empresa, é recomendável que sejam jogadas antes pelo menos a sétima e oitava partes para assimilarmos todo o seu potencial. À semelhança dos capítulos anteriores o jogador mais uma vez assume o destino do herói Adol Christin, um dos mais antigos heróis deste género de jogos. Contudo, como se passaram vários anos desde os eventos de YS VIII: Lacrimosa of Dana, encontramos o nosso aventureiro ligeiramente mais adulto, e como é costume na série, este visita uma nova terra. Desta vez o guerreiro vermelho transporta-nos até Gllia, uma localização situada no coração no continente de Eresia, uma outrora prospera terra dominada pelo império Romun. Após alguns eventos numa prisão o nosso herói conhece uma misteriosa mulher, chamada Aprilis. A imponente figura oferece a Adol uma bênção/maldição que lhe dá a capacidade de se transformar num Monstrum, e esta autointitula-o de Crimson King, devido à sua nova forma e poderes. Um destes consiste na capacidade de exorcizar um sem fim de criaturas que assolam a região. É aqui que Adol injustamente culpado por um crime que não cometeu, começa uma nova aventura repleta de mistério, ação e requinte.

O veterano Adol Christin imerge com uma nova identidade nesta aventura

Os fãs desta lendária série vão sentir-se completamente em casa, pois os célebres combates repletos de adrenalina estão de regresso! Nos momentos em que Adol e os seus aliados visitam a realidade alternativa de Grimwald Nox, e defrontam as monstruosas Lemures que habitam neste plano, é que todo o valor do mesmo emerge. O frenético sistema de combate é praticamente herdado da sua anterior parte, ou seja, controlos ágeis, e muito pressionar de botões. À vista desarmada o jogo pode parecer demasiado simplista até para um JRPG, contudo, se o analisarmos melhor depressa vamos interiorizar-nos que não é assim tão simples como parece. O mesmo exige que seja efetuada uma troca constante de personagens, e o posicionamento e explorar as fraquezas dos adversários em combate será vital para saboreamos a vitória em confrontos mais complicados. Para atribuir alguma novidade e nostalgia aos adeptos das aventuras de Adol, estão de regresso as habilidades “Boost Mode”, “Flash Move” e “Flash Guard” de episódios anteriores, que permitem abrandar o tempo ao esquivar, defender, aumentar a velocidade de movimento e melhorar as capacidades das nossas personagens.

Os ambientes mediterrâneos da oitava parte dão lugar a localizações que retiram recortes da antiga capital de França

É preciso salientar que estes elementos estão muito bem empregues no mundo de YS IX: Monstrum Nox. Além de usarmos os seus incríveis poderes nos combates, os Monstrum permitem explorar os fantásticos ambientes da cidade de Balduq. Algumas destas habilidades são necessárias para aceder a diversos pontos na nossa aventura. À medida que adquirimos novos poderes, defendemos a mesma e avançamos no jogo, serão apresentados novos cenários, e a aquisição destes será imprescindível para continuarmos a explorar o mistério que paira nesta cidade que retira elementos arquitetónicos de Lutetia, a antiga cidade de Paris durante a invasão romana. Como em qual RPG digno desse nome, também nos são confiadas missões secundárias que embora sejam facultativas, julgamos que foram essenciais para desenvolver e enriquecer o fantástico mundo e lore das séries YS, e YS IX: Monstrum Nox em particular.

Novamente somos apresentados a um colorido e carismático elenco de personagens

A conclusão desta aventura com todas as missões primárias e secundárias pode levar cerca de 30 horas, e ao completarmos a mesma teremos acesso a um desafio bem invulgar neste género de jogos. O modo “Time Attack” permite os jogadores desafiarem os bosses das masmorras em sequência, e reviverem alguns dos melhores momentos do jogo. Em comparação com as anteriores aventuras -especialmente as mais clássicas- YS IX: Monstrum Nox, é muito mais contínuo e fluido. As paisagens mediterrâneas de Gaete deram lugar a um ambiente de fantasia negra medieval, uma história mais séria e um leque de personagens que acompanharam esta tendência. Este pacote de luxo é envolto num sistema de combate bastante desafiante, que imerge na sua maior força ao enfrentarmos os bosses finais de cada masmorra.

As batalhas continuam a ser um misto entre frenético e metódico

Visualmente a aventura de Adol partilha essencialmente os mesmos valores dos jogos mais recentes da Nihon Falcom Corporation, publicados pela NIS America no ocidente, tanto que até mesmo as suas opções gráficas e motor de jogo são equiparáveis às mesmas, sendo que o único elemento divergente ao que nos apercebemos é poderem ser modificadas em jogo e não através de um launcher dedicado. Além das tradicionais resoluções e efeitos de anti alisamento de texturas, podemos também aprimorar os efeitos de sombras, qualidade de texturas, resolução interna, e até um modo de resolução dinâmica, imprescindível para as builds mais modestas. Na nossa configuração podemos desfrutar desta aventura com todo o requinte no máximo dos máximos a 4K e a 120 fotogramas por segundo sem quaisquer perdas até mesmo nas lutas mais caóticas. Conforme foi relatado anteriormente a versão PlayStation 4 sofria de enormes quebras de fluidez, e é com muito gosto de afirmamos que tal não se manifestou nesta versão, pelo contrário, a Nihon Falcom Corporation, produziu um produto bem à semelhança dos seus anteriores nesta plataforma, cimentando o seu lugar no pódio como uma das empresas japonesas que melhor transita de consolas para computador. Contudo, os seus visuais não impressionam, e apenas estão um pouco melhores quando comparados com a aventura anterior. Os cenários apresentam texturas ligeiramente melhoradas, e carecem de detalhe especialmente nas masmorras.  A grande novidade neste capítulo é a proporção de personagens que está muito mais próxima de modelos humanos, e transmite um aspeto mais sério.

O mesmo não podemos dizer das suas melodias, novamente a equipa da Nihon Falcom Sound Team JDK, o veterano, Takahiro Unisuga, e os seus discípulos Yukihiro Jindo, Mitsuo Singa trazerem-nos novamente uma banda-sonora absolutamente espetacular, e do mais energético. À semelhança do que este fantástico departamento já nos habituou, temos melodias polvilhadas com violino, pianos, guitarras elétricas e género musicais modernos repletos de adrenalina. Algumas melodias também parecem herdar estilos de música de videojogos da era 16/32 bits, a faixa Glessing Way! Parece saída de um título Megaman X, inclusive podemos ouvir a meados um excerto do tema X vs Zero:Decisive Battle de Megaman X5. O jogo dispõe de áudio em inglês e japonês, mas não possui legendas em português europeu, ou português do Brasil.

Em certas instâncias da aventura o jogador terá de defender a cidade de várias ondas de Lemures

YS IX: Monstrum Nox, é uma aventura bem equiparável ao que a Nihon Falcom Corporation, já nos habitou em YS e nas suas obras no geral. Uma narrativa evolvente e emocionante, repleta de momentos efervescentes, personagens carismáticas e um ambiente único e memorável. Se ainda não são fãs de uma das mais antigas séries RPG da indústria, desafiamos a explorarem os livros de YS, podem crer que não se vão ficar apenas pelo nono capítulo, vai uma aposta?

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.