
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou esta semana três pessoas ligadas à Supermicro, fabricante de servidores com sede em San José, na Califórnia, por exportação ilegal de servidores equipados com GPUs da NVIDIA para a China, em violação da Lei de Reforma do Controlo de Exportações.
O esquema, que terá gerado cerca de 2,5 mil milhões de dólares em vendas entre 2024 e 2025, envolveu a criação de encomendas fictícias feitas por empresas do Sudeste Asiático que, na realidade, serviam de fachada para redirecionar os equipamentos para clientes chineses. Os servidores eram montados nos EUA, enviados para as instalações da Supermicro em Taiwan e depois entregues a uma empresa de logística que reembalava tudo em caixas sem identificação antes do envio final para a China.
Para iludir as equipas de auditoria e conformidade, os envolvidos foram ainda mais longe, construíram milhares de servidores “fantasma”, carcaças vazias sem componentes, que eram deixadas nos armazéns da empresa do Sudeste Asiático para dar a aparência de que os equipamentos continuavam no local correto. Imagens de videovigilância captadas pelas autoridades mostram trabalhadores a usar secadores de cabelo para transferir etiquetas com números de série dos servidores reais para estas réplicas vazias.
Os chips em causa incluem alguns dos modelos mais avançados da NVIDIA, os B200, H100 e H200, todos sujeitos a restrições de exportação impostas pelo Departamento de Comércio dos EUA precisamente para impedir que tecnologia de IA crítica chegue a Pequim sem licença.
A Supermicro não é nomeada como arguida na acusação, mas o impacto foi imediato, as ações da empresa caíram 33% na sexta-feira após a divulgação pública do caso. Em comunicado, a Supermicro sublinhou que não é arguida no processo e que os funcionários foram colocados em licença administrativa. “A conduta alegada é uma violação das políticas e controlos de conformidade da empresa”, afirmou a Supermicro, acrescentando que mantém “um programa de conformidade robusto”.
A NVIDIA, por sua vez, distanciou-se do esquema. Um porta-voz da empresa afirmou que a conformidade com as leis de exportação é uma “prioridade máxima” e que “o desvio ilegal de computadores controlados pelos EUA para a China é uma opção perdedora em todos os sentidos — a NVIDIA não presta qualquer serviço ou suporte a esses sistemas”.
Este não é o primeiro caso do género. Segundo reportagens recentes, cerca de mil milhões de dólares em chips de IA da NVIDIA foram vendidos ilegalmente nos três meses seguintes ao endurecimento dos controlos de exportação pela administração Trump, e em dezembro de 2025 as autoridades do Texas apreenderam mais de 50 milhões de dólares em GPUs da NVIDIA com destino à China. Os três acusados enfrentam penas que podem chegar a 20 anos de prisão, além de coimas e confisco de bens.








