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    Samsung admite que escassez de RAM pode forçar aumento de preços em 2026

    Gigante sul-coreana não descarta reajustes nos produtos devido à corrida pelos chips de inteligência artificial

    Corsair Vengeance ram

    A Samsung alertou esta semana que a escassez global de memória RAM poderá forçar a empresa a aumentar os preços dos seus produtos ainda em 2026. O aviso foi dado por Wonjin Lee, presidente e responsável pelo marketing global da Samsung, numa entrevista à Bloomberg durante a CES 2026 em Las Vegas.

    Vão existir problemas relacionados com o fornecimento de semicondutores, e isso vai afetar toda a gente“, afirmou Lee. “Os preços estão a subir enquanto falamos. Obviamente, não queremos transmitir esse fardo aos consumidores, mas vamos chegar a um ponto em que teremos de considerar realmente reajustar os preços dos nossos produtos“.

    A mudança de tom é significativa. Em dezembro de 2025, a Samsung tinha dito à Reuters que estava a monitorizar o mercado mas recusava comentar sobre preços. A declaração pública de Lee pode ser interpretada como uma forma de preparar o terreno para um anúncio oficial de aumentos.

    A escassez global de RAM resulta da procura insaciável dos datacenters de inteligência artificial por memória de alta largura de banda. Os fabricantes de chips reorientaram as suas prioridades de produção para satisfazer essa procura, criando um efeito dominó que afeta até a RAM de baixa largura de banda utilizada em automóveis.

    A SK Hynix, outro gigante sul-coreano do setor, reportou durante a sua conferência de resultados de outubro que a sua capacidade de HBM, DRAM e NAND está “essencialmente esgotada” para 2026. A Micron, fabricante norte-americana, saiu recentemente do mercado de memória para consumidor para se focar exclusivamente em clientes empresariais e de IA.

    Micron abandona o fabrico de memórias, RAM e SSD da Crucial para se dedicar ao mercado IA

    Para os consumidores, o impacto começa a ser visível. Os fabricantes de smartphones já reconsideram as configurações de memória para dispositivos futuros. Os fabricantes poderão reintroduzir modelos base com apenas 4GB de RAM em 2026, um nível que tinha praticamente desaparecido. Mesmo smartphones de gama média e alta poderão ter alocações de memória mais limitadas.

    A Dell já confirmou aumentos de preços entre 10% e 30% em PCs a partir de dezembro, impulsionados diretamente pelo custo crescente da memória. Outros fabricantes como Lenovo e Asus também sinalizaram ajustes de preços para 2026.

    O próprio TM Roh, co-CEO da Samsung e responsável pela divisão móvel, disse à Reuters na CES 2026 que a divisão móvel não está “imune” à escassez de chips de memória. Rumores apontam para possíveis aumentos na série Galaxy S26, que deverá ser lançada nos próximos meses.

    A ironia da situação não passa despercebida. A Samsung é simultaneamente o maior fabricante mundial de chips de memória e vítima da crise que ajudou a criar. A empresa reportou lucros operacionais recordes no quarto trimestre de 2025, com estimativas acima de 20 biliões de won. Para o primeiro trimestre de 2026, projeções internas apontam para lucros operacionais entre 30 e 35 biliões de won, potencialmente o trimestre mais lucrativo alguma vez registado por uma empresa sul-coreana.

    Este cenário levanta questões sobre quem beneficia realmente da corrida pela inteligência artificial. Passaram-se mais de três anos desde que o ChatGPT foi lançado e iniciou a mania da IA. Durante esse período, as empresas promoveram chatbots e outras ferramentas de IA generativa como tecnologia transformadora que facilitaria a vida quotidiana através da automatização por machine learning.

    Alguns analistas financeiros já soaram o alarme sobre uma possível bolha da IA prestes a rebentar. Economistas alertaram esta semana que o investimento em infraestrutura de IA pode alimentar inflação mais ampla à medida que estes aumentos de preços se propagam pela economia.

    Para as empresas de médio porte, o problema é duplo. Enquanto fornecedores de cloud em hiperescala conseguem garantir fornecimento através de compromissos de longo prazo e investimentos diretos em fábricas, obtendo custos mais baixos e disponibilidade assegurada, as empresas médias dependem de contratos mais curtos e compras spot, competindo pela capacidade residual depois dos grandes compradores garantirem fornecimento prioritário.

    A Samsung anunciou planos para construir uma nova linha de produção de memória na sua fábrica em Pyeongtaek, Coreia do Sul, mas a produção em massa só começará em 2028. Até lá, a pressão sobre os preços deverá manter-se.

    Para quem procura comprar novos dispositivos eletrónicos em 2026, o conselho é simples: os preços provavelmente não vão baixar tão cedo. A questão que permanece é se os consumidores e trabalhadores estão realmente a obter algum benefício desta era da IA, ou se estão apenas a pagar a conta.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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