
A Walt Disney Company confirmou que Bob Iger deixará o cargo de CEO a 18 de março de 2026, data que coincide com a assembleia anual de acionistas. Josh D’Amaro, atual presidente da divisão Disney Experiences, assume a liderança da empresa nessa mesma data, numa decisão aprovada por unanimidade pelo conselho de administração na segunda-feira.
D’Amaro, de 54 anos, ingressa também de imediato no conselho de administração da companhia. Paralelamente, Dana Walden, copresidente da Disney Entertainment, foi nomeada para um novo cargo criado especialmente para esta transição: presidente e diretora criativa da Walt Disney Company. Walden reportará diretamente a D’Amaro.
Iger permanecerá na empresa como consultor sénior e membro do conselho até à sua reforma definitiva, marcada para 31 de dezembro de 2026.
A nomeação de D’Amaro põe fim a um processo de sucessão que se arrastava há vários anos e que ganhou contornos particularmente dramáticos após a experiência falhada com Bob Chapek. Iger havia deixado o cargo de CEO em fevereiro de 2020, passando o testemunho a Chapek, mas regressou em novembro de 2022 depois de o conselho ter demitido o seu sucessor, num momento de crise para a empresa.
Bob Iger comentou: “Josh D’Amaro é um líder excecional e a pessoa certa para se tornar o nosso próximo CEO. Ele tem uma apreciação instintiva da marca Disney e uma compreensão profunda do que ressoa com o nosso público, aliada ao rigor e atenção ao detalhe necessários para concretizar alguns dos nossos projetos mais ambiciosos”.

Do parque temático ao topo da hierarquia
D’Amaro está na Disney há 28 anos, tendo ingressado na empresa em 1998. A sua carreira passou por múltiplas áreas, incluindo finanças, estratégia empresarial, marketing, desenvolvimento criativo e operações. Ocupou cargos de presidente tanto na Disneyland Resort como na Walt Disney World Resort antes de assumir, em 2020, a presidência da Disney Experiences.
Esta divisão, que inclui parques temáticos, resorts, cruzeiros e negócios de licenciamento, tornou-se o maior segmento da Disney, gerando 36 mil milhões de dólares em receitas no ano fiscal de 2025 e empregando cerca de 185 mil pessoas em todo o mundo. D’Amaro foi também responsável por supervisionar uma expansão de 60 mil milhões de dólares no negócio, que inclui novas atrações baseadas em propriedades intelectuais conhecidas, vários navios de cruzeiro e até um novo parque temático e resort em Abu Dhabi.
D’Amaro comentou: “A força da Disney sempre veio das nossas pessoas e da excelência criativa que define as nossas histórias e experiências. Não há limites para o que a Disney pode alcançar, e estou entusiasmado por trabalhar com as nossas equipas em toda a empresa e com parceiros criativos brilhantes para honrar o notável legado da Disney enquanto continuamos a inovar, crescer e oferecer valor excecional aos nossos consumidores e acionistas”.
Dana Walden recebe cargo inédito
A nomeação de Walden para o cargo de presidente e diretora criativa representa uma novidade na estrutura da Disney. Ela passa a ter supervisão sobre as operações de cinema, televisão, notícias e streaming dentro da unidade Disney Entertainment, além de continuar a gerir a Hulu, Disney+ e a divisão de marketing da empresa.
Walden, que chegou à Disney através da aquisição da 21st Century Fox em 2019, foi amplamente considerada uma das principais candidatas internas durante o processo de seleção do CEO.
Bob Iger comentou: “Dana Walden é uma líder excelente que comanda um tremendo respeito da comunidade criativa. Dado que a criatividade está no coração de tudo o que a Disney faz, ela é uma escolha maravilhosa para servir nesta nova função de liderança”.
Alan Bergman, copresidente da Disney Entertainment, e Jimmy Pitaro, presidente da ESPN, continuarão nas suas funções atuais, reportando à nova estrutura de liderança.

Os números por detrás da decisão
A escolha de D’Amaro para CEO reflete uma mudança significativa nas prioridades financeiras da Disney. Durante décadas, os estúdios de cinema e televisão foram os principais motores de lucro da empresa. Contudo, as transformações no mercado de streaming e a disrupção no modelo tradicional de negócio audiovisual alteraram esta equação.
A divisão Experiences tornou-se crucial para o futuro crescimento da Disney, numa altura em que o negócio de media tem estado em declínio. As ações da Disney mantiveram-se praticamente estagnadas nos últimos três anos, e os investidores estarão atentos para perceber se D’Amaro consegue replicar o seu sucesso na divisão de parques em toda a empresa.
D’Amaro terá um salário base anual de 2,5 milhões de dólares, com possibilidade de bónus anuais de até 250% deste valor e incentivos em ações de longo prazo no valor de 26,25 milhões de dólares por cada ano fiscal em que servir como CEO.
Iger liderou a Disney durante quase duas décadas, num período marcado por aquisições transformadoras como a Pixar (2006), a Marvel (2009), a Lucasfilm (2012) e a 21st Century Fox (2019). No seu regresso em 2022, após a turbulenta passagem de Chapek, Iger focou-se em estabilizar a empresa, cortando 7.000 postos de trabalho e reduzindo 5,5 mil milhões de dólares em despesas.
Quando regressou, a Disney enfrentava múltiplos desafios: parques temáticos e salas de cinema encerrados pela pandemia de COVID-19, um serviço de streaming que acumulava prejuízos significativos e uma estrutura organizacional que necessitava de reorganização. Iger conseguiu tornar o streaming lucrativo e posicionar a empresa para o crescimento futuro.
Futuro do streaming ainda em construção
Enquanto a liderança muda de mãos, a Disney continua a trabalhar na integração completa da Hulu na Disney+. Durante a apresentação de resultados do primeiro trimestre de 2026, realizada a 2 de fevereiro, Iger indicou que a experiência de aplicação unificada deverá estar disponível até ao final do ano civil de 2026.
Esta integração, que começou na primavera de 2024 com conteúdos selecionados, marca o fim da Hulu como aplicação independente. O catálogo completo da Hulu já está disponível na Disney+ desde outubro de 2025, e a empresa confirmou que, apesar da fusão das aplicações, os utilizadores continuarão a poder subscrever os serviços separadamente.
A transição está já em curso, a aplicação do Hulu deixará de funcionar na Nintendo Switch a partir de 5 de fevereiro de 2026, marcando uma das primeiras datas oficiais ligadas ao encerramento gradual do serviço como plataforma autónoma.









