
Os subscritores portugueses da Disney+ começaram a reportar nas últimas semanas a perda repentina de uma funcionalidades premium de qualidade de imagem. O Dolby Vision e o HDR10+ desapareceram da plataforma em Portugal e noutros países europeus.
O problema começou a manifestar-se primeiro na Alemanha, onde no final de 2025 os utilizadores notaram que conteúdos que anteriormente transmitiam em Dolby Vision passaram a apresentar apenas HDR10 básico. A situação agravou-se durante o período natalício, quando se tornou evidente que algo estava errado.
Agora, os relatos espalham-se pela Europa. Subscritores em Portugal, França, Holanda, Bélgica, Polónia e nos países nórdicos confirmaram que perderam acesso às tecnologias avançadas de HDR. Fóruns no Reddit e sites especializados em tecnologia de vídeo enchem-se de queixas de utilizadores frustrados.
A diferença é significativa. O Dolby Vision e o HDR10+ oferecem um espectro de cores mais amplo e contrastes mais dinâmicos do que o HDR10 básico, especialmente em cenas escuras ou com grande variação de luminosidade. Para quem investiu em televisores de topo compatíveis com estas tecnologias, a mudança representa uma degradação notória da experiência visual.
Confrontada com a situação, a Disney emitiu um comunicado vago que atribui o problema a “desafios técnicos”. Em declarações ao site FlatPanelsHD, a empresa afirmou: “O suporte para Dolby Vision de conteúdos na Disney+ está atualmente indisponível em vários países europeus devido a desafios técnicos. Estamos a trabalhar ativamente para restaurar o acesso ao Dolby Vision e forneceremos uma atualização assim que possível. O suporte para 4K UHD e HDR permanece disponível em dispositivos compatíveis”.
No entanto, investigações do alemão Heise revelam que os “desafios técnicos” mencionados pela Disney podem esconder uma verdade mais complexa: uma disputa de patentes com a empresa americana InterDigital.
Em novembro de 2025, um tribunal alemão emitiu uma injunção contra a Disney por violação de uma patente da InterDigital relacionada com tecnologia de streaming de vídeo HDR. A decisão do Tribunal Regional de Munique proíbe a Disney de usar certas tecnologias de compressão de vídeo nas suas plataformas de streaming na Alemanha.
A InterDigital, uma empresa de investigação e desenvolvimento em tecnologias móveis e de vídeo, iniciou em fevereiro de 2025 uma campanha de litígio global contra a Disney. A empresa apresentou processos nos Estados Unidos, Brasil, Alemanha e no Tribunal Unificado de Patentes europeu, acusando a Disney+, Hulu e ESPN+ de infringirem as suas propriedades intelectuais relacionadas com compressão de vídeo avançada.
Josh Schmidt, diretor jurídico da InterDigital, declarou: “As nossas tecnologias de vídeo permitem à Disney transmitir conteúdo de forma eficiente e melhorar a experiência do utilizador. Preferimos sempre assinar acordos de licenciamento através de negociação amigável, mas estamos comprometidos em receber uma compensação justa pela nossa investigação inovadora”.

A Disney removeu silenciosamente todas as referências ao Dolby Vision das suas páginas de suporte europeias. Curiosamente, até a página de suporte americana deixou de mencionar a tecnologia, o que sugere que o problema pode não ficar confinado à Europa.
A InterDigital não é uma desconhecida no mundo dos litígios de patentes. A empresa detém milhares de patentes relacionadas com tecnologias de rádio e vídeo e já moveu processos contra gigantes como Amazon, Microsoft e Samsung.
Por seu lado, a Disney contra-atacou em agosto de 2025 com um processo próprio no Tribunal Distrital de Delaware, acusando a InterDigital de práticas monopolistas e de exigir taxas de licenciamento abusivas. A empresa de entretenimento argumenta que as patentes da InterDigital são essenciais para os padrões de codificação de vídeo H.264 e H.265, e que a empresa americana violou compromissos de licenciar estas tecnologias em termos razoáveis e não discriminatórios.
O impacto nos utilizadores vai além da perda de qualidade de imagem. Os filmes 3D disponíveis através da aplicação Disney+ no Apple Vision Pro também desapareceram em vários países europeus, uma vez que estes conteúdos são transmitidos em formato Dolby Vision.
A situação é particularmente frustrante porque os subscritores do plano Disney+ Premium continuam a pagar o preço completo, mas recebem agora um serviço com funcionalidades reduzidas. Durante a época alta de visualização, que inclui o período natalício, mais de 10.000 espectadores diários tentavam aceder aos conteúdos premium na plataforma.
Não há qualquer indicação de quando, ou se, o Dolby Vision regressará à Disney+ na Europa. Disputas de patentes desta natureza tendem a arrastar-se durante meses ou até anos, e a Disney não forneceu um calendário para a resolução do problema.









