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    Disney+ prepara-se para trazer vídeos verticais em 2026

    Disney+ quer captar atenção das gerações mais jovens com conteúdo curto no formato TikTok

    Disney+ HD Visual

    A Disney+ anunciou na CES 2026 que vai introduzir vídeos verticais na plataforma de streaming ainda este ano. A novidade chega num momento em que serviços como TikTok e Instagram Reels dominam os hábitos de consumo digital das gerações mais jovens, com os seus feeds infinitos de conteúdo rápido e imersivo.

    O anúncio foi feito durante o evento Tech + Data Showcase da Disney em Las Vegas, onde a empresa revelou os seus planos para atrair utilizadores da Geração Z e Geração Alpha. Erin Teague, vice-presidente executiva de Product Management da Disney Entertainment e ESPN, explicou a estratégia por detrás desta decisão: “Isto é o que a Geração Z e a Geração Alpha esperam. Eles não estão necessariamente a pensar em sentar-se e ver um conteúdo longo de duas horas e meia nos seus telemóveis”.

    A Disney deixou claro que não pretende usar o formato vertical apenas como ferramenta promocional. Ao contrário do que acontece com trailers e clips promocionais tradicionais, a empresa está a considerar desenvolver conteúdo original específico para este formato. “Tudo está em cima da mesa”, disse Teague. Isto pode incluir desde programação de curta duração criada exclusivamente para dispositivos móveis até excertos editados de séries e filmes populares transformados em pequenos vídeos digestíveis.

    A empresa garantiu que o formato será integrado de forma natural na experiência do utilizador: “Estamos obviamente a pensar em integrar vídeo vertical de formas que sejam nativas aos comportamentos centrais dos utilizadores”, explicou Teague. “Por isso, não será uma experiência desconexa e aleatória”.

    Esta não é a primeira incursão da Disney no território dos vídeos verticais. Em agosto de 2025, a empresa lançou um feed personalizado de vídeos verticais na aplicação ESPN, apelidado de Verts, que oferece highlights desportivos e análises em formato curto. A experiência com o ESPN serviu como campo de testes para entender como o público reage a este tipo de conteúdo.

    O movimento da Disney+ surge numa altura em que o consumo de vídeos curtos explodiu globalmente. O TikTok conta atualmente com mais de 1,5 mil milhões de utilizadores ativos mensais, enquanto o YouTube Shorts regista mais de 15 mil milhões de visualizações diárias. A própria Netflix já experimentou feeds verticais no ano passado, permitindo aos utilizadores percorrer clips das suas séries originais.

    A Disney descreveu o objetivo desta iniciativa como transformar a Disney+ numa “visita diária obrigatória”, expandindo a experiência para categorias como notícias e entretenimento. A ideia é criar um feed personalizado e dinâmico que se adapte aos interesses individuais de cada utilizador.

    O timing da decisão não é acidental. As plataformas de streaming enfrentam uma pressão crescente para aumentar o engagement diário dos utilizadores, especialmente com a crescente dependência de receitas publicitárias. Quanto mais tempo os utilizadores passam nas aplicações, maior o potencial de exposição a anúncios. Os vídeos de formato curto provaram ser eficazes em manter as pessoas a regressar às aplicações várias vezes ao dia.

    A Disney ainda não revelou uma data específica para o lançamento dos vídeos verticais na Disney+, limitando-se a indicar que a funcionalidade chegará “mais tarde este ano” nos Estados Unidos. Também não foram divulgados detalhes sobre uma eventual expansão internacional do serviço.

    A empresa enfatizou que a experiência irá evoluir ao longo do tempo, explorando diferentes aplicações do formato vertical através de várias categorias de conteúdo. A ideia é criar um feed que se atualize em tempo real com base na última visita do utilizador, oferecendo uma mistura de desporto, notícias e entretenimento adaptada aos gostos individuais.

    Resta saber se o público que procura a Disney+ para maratonas de séries como The Mandalorian ou filmes da Marvel estará recetivo a este novo tipo de experiência fragmentada. O desafio da empresa será equilibrar a sua identidade como destino de conteúdo premium de longa duração com esta aposta em formatos breves que competem diretamente com redes sociais já estabelecidas.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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