
Em de 2022, a Netflix anunciou com alguma pompa que iria adaptar BioShock para o cinema, com Francis Lawrence na cadeira de realizador e um guião assinado por Michael Green, o mesmo que escreveu Logan e Blade Runner 2049. Desde então, quase nada foi revelado. Nenhuma imagem, nenhum elenco, nenhuma data.
A atualização veio agora, através do produtor Roy Lee, em conversa com o Collider. A mensagem principal: o filme existe, o realizador está comprometido, e a razão para o atraso tem um nome, Hunger Games.
“Teríamos conseguido fazer o filme há alguns anos, mas outros filmes atravessaram-se no caminho, sendo um deles The Long Walk e o outro a prequela de Hunger Games, que estreia em dezembro”, disse Lee ao Collider, referindo-se à agenda de Francis Lawrence. “Estamos apenas a aguardar que ele termine a pós-produção, porque vai estar a trabalhar nisso pelo menos até setembro, e depois volta a este projeto. Sei que a Netflix e a Take-Two estão muito ansiosas para ver o filme sair porque querem que o lançamento coincida com algumas das potenciais novas incarnações do jogo”.
O The Long Walk é uma adaptação de um romance de Stephen King que Lawrence acabou de dirigir. Hunger Games: Sunrise on the Reaping é a próxima prequela da saga, atualmente em produção em Espanha, com estreia prevista para 20 de novembro de 2026. Enquanto Lawrence não fechar esse projeto, escrita, rodagem, edição, não há forma de ele regressar a BioShock a sério. O que significa que, na melhor das hipóteses, a produção não arranca antes do final de 2026, empurrando um possível lançamento para 2027 ou além.
Sobre o calendário, Lee foi cauteloso mas não completamente evasivo: “Está firmemente no caminho, mas já se sabe como é. São… tantas coisas podem surgir no caminho, mas sei que a intenção é conseguir entrar em produção no próximo ano”.

O orçamento foi cortado e a história também mudou
Há um detalhe que Lee já tinha partilhado no San Diego Comic Con de 2024 e que é importante não ignorar, a Netflix reduziu o orçamento do filme. A mudança de liderança na plataforma levou a uma revisão de estratégia que afetou o BioShock diretamente. A visão original, uma produção de grande escala à altura da cidade subaquática de Rapture, com todo o seu art déco, horror atmosférico e ambição visual, foi ajustada para algo mais contido.
“Vai ser um ponto de vista mais pessoal, em oposição a um projeto maior e mais grandioso”, disse Lee na altura, sugerindo uma mudança de direção na abordagem ao guião. Para quem esperava ver Rapture recriada com a imponência que tem nos jogos, a notícia foi frustrante. Para outros, pode ser uma escolha inteligente, algumas das melhores adaptações de videojogos dos últimos anos funcionaram precisamente por apostarem na escala humana em vez do espetáculo.
O que está confirmado é que o filme vai adaptar o primeiro BioShock, o jogo original de 2007, lançado para Xbox 360 e PC, que segue Jack, o único sobrevivente de uma queda de avião no Atlântico que descobre Rapture e o que lá aconteceu. Os eventos de BioShock 2 e BioShock Infinite ficam de fora, pelo menos por agora.
O timing do anúncio não é inocente. A corrida das plataformas para adaptar propriedades de videojogos está mais intensa do que nunca, e a Netflix está visivelmente a perder terreno no live-action. A HBO tem The Last of Us, que foi um dos maiores fenómenos televisivos dos últimos anos. A Prime Video tem Fallout, que estreou em 2024 com uma receção entusiástica. A Paramount tem Sonic. A Universal tem o universo de Super Mario.
A Netflix, por seu lado, teve sucesso considerável com adaptações animadas, Castlevania e Arcane são casos de estudo, mas no live-action o histórico é mais irregular. A série de The Witcher, que começou com força em 2019, foi gradualmente perdendo fôlego com as longas esperas entre temporadas e a saída de Henry Cavill. A série de Assassin’s Creed existe, mas não há qualquer sinal de quando poderá estrear.
O BioShock, mesmo com orçamento reduzido e um realizador com a agenda cheia, continua a ser provavelmente a propriedade mais reconhecível que a Netflix tem na fila para live-action. A questão é se vai conseguir chegar ao ecrã antes que a janela de oportunidade se feche.









