A Netflix anunciou durante o evento Next on Netflix em Tóquio, que vai começar a utilizar os novos estúdios da Toho a partir de 2028, com planos para até 15 produções por ano. O acordo marca uma expansão significativa da colaboração entre a gigante do streaming e um dos estúdios mais icónicos do Japão, responsável por franquias como Godzilla e por ter acolhido realizadores como Akira Kurosawa.
Esta não é a primeira vez que a Netflix trabalha com a Toho. Em março de 2021, a plataforma arrendou dois palcos de som nos estúdios existentes da Toho, na zona de Setagaya em Tóquio, para produções como Yu Yu Hakusho e Sanctuary. Agora, com os novos estúdios que estão a ser construídos, a Netflix duplicará a sua capacidade de produção no país.
O anúncio veio acompanhado da revelação de que Human Vapor será a primeira colaboração criativa oficial entre Netflix e Toho. A série, anunciada inicialmente em agosto de 2024, é uma reinterpretação moderna do filme de 1960 The Human Vapor, realizado por Ishiro Honda, o criador de Godzilla.
A produção junta criadores japoneses e sul-coreanos numa colaboração transnacional. Yeon Sang-ho, o realizador de Train to Busan e Hellbound, é produtor executivo e co-argumentista, enquanto Shinzo Katayama, conhecido pelo trabalho em Gannibal da Disney+ e pelo filme Missing de 2021, assume a realização.
No elenco estão Shun Oguri, de Godzilla vs. Kong, e Yu Aoi, estrela de Wife of a Spy de Kiyoshi Kurosawa, que se reencontram no ecrã 23 anos depois de trabalharem juntos em Ao to Shiro de Mizuiro, em 2001.
O filme original conta a história de um bibliotecário que, após uma experiência científica que correu mal, ganha a capacidade de se transformar em gás. Usa os seus poderes para roubar bancos e financiar a carreira de uma bailarina por quem se apaixona. O terceiro e último filme da Transforming Human Series da Toho, é considerado uma obra-prima do thriller de ficção científica, reconhecida pelos seus efeitos visuais inovadores para a época e pela exploração de estruturas de poder e opressão social.
Presença crescente no mercado japonês
O investimento da Netflix no Japão tem vindo a intensificar-se nos últimos anos. Em 2024, o serviço de streaming ultrapassou os 10 milhões de subscritores no país, consolidando-se como líder num mercado onde a televisão tradicional ainda domina grande parte do consumo mediático.
A plataforma tem apostado fortemente em conteúdo japonês, tanto em live-action como em anime. Durante 2025, a Netflix anunciou parcerias estratégicas com estúdios de anime como MAPPA, Production I.G, Bones e David Production, expandindo a sua oferta de animação japonesa para audiências globais.
Durante o mesmo evento, a Netflix confirmou que transmitirá o World Baseball Classic 2026 no Japão, marcando a primeira vez que a plataforma transmite um evento desportivo ao vivo no país. O torneio, que decorre entre 5 e 17 de março, incluirá todos os 47 jogos disponíveis em direto e on-demand.
A decisão gerou alguma controvérsia no Japão, uma vez que marca a primeira vez que os jogos da seleção japonesa não estarão disponíveis na televisão aberta. Anteriormente, um consórcio de empresas de média, incluindo Amazon Prime Video, detinha os direitos japoneses para o World Baseball Classic.
No entanto, a Netflix confirmou que permitirá visualizações públicas dos jogos e está a trabalhar com autoridades locais para organizar eventos desse tipo. Os jogos da seleção japonesa terão também transmissões de áudio gratuitas na Nippon Broadcasting e em streaming no Radiko.









