
A segunda temporada de One Piece chegou à Netflix a 10 de março com oito episódios, trazendo os Chapéus de Palha para o interior da Grand Line e adaptando arcos como Loguetown, Reverse Mountain, Whiskey Peak, Little Garden e Drum Island. Para muitos fãs, a mudança de tom foi imediata, mais extravagante, mais colorida, mais próxima do espírito do mangá original. E isso não foi acidente.
Num podcast oficial lançado pela Netflix em conjunto com a estreia da temporada, intitulado One Piece: Into the Grand Line – The Official Podcast, o criador do mangá, Eiichiro Oda, explicou a lógica por detrás dessa mudança. A primeira temporada foi desenhada para ancorar a série no realismo humano antes de abrir as comportas para o fantástico.
“Na primeira temporada, a equipa de live-action estava focada em trazer o lado humano dos personagens em vez de se apoiar nos elementos de fantasia extrema”, disse Oda no podcast. “Era sobre enraizar a história na humanidade. Para a segunda temporada, disse à equipa que, à medida que avançamos com a história do mangá, precisamos de começar a libertar esses elementos de fantasia para que Luffy possa começar a enfrentar adversários formidáveis de forma plausível. Precisamos de expor os espectadores aos aspetos mais extravagantes do mangá agora. Isso é uma mudança intencional”.
O que também transparece nas declarações de Oda é um processo de adaptação pessoal em relação aos próprios atores. Durante a primeira temporada, o autor confessou que avaliava o guião tendo sempre em mente a versão do mangá, o que criava fricção.
“Na primeira temporada, só conseguia imaginar o Luffy do mangá, por isso dava notas do género ‘o Luffy não diria ou faria isso’ na fase do guião”, explicou. A mudança aconteceu quando viu as filmagens. “Quando vi o que foi realmente filmado, percebi que o Luffy do Iñaki consegue mesmo fazê-lo. Portanto, depois da primeira temporada, temos uma ideia melhor do que o Luffy [do Iñaki] pode dizer e fazer. Ou o que o [seu] Luffy não deveria dizer ou fazer. Agora temos uma linguagem comum sobre o [seu] Luffy, o que ajuda muito”.
Iñaki Godoy, o ator que interpreta Monkey D. Luffy, é o centro desta nova dinâmica, e foi também o parceiro de conversa de Oda no próprio podcast.
As cenas favoritas de Oda na nova temporada
Entre as alterações feitas em relação ao mangá, Oda destacou algumas que considera especialmente bem conseguidas. A mais referida foi a cena em que Luffy canta para Laboon, um momento que não existe no mangá nestes termos e que o criador descreveu como o seu favorito da temporada.
“Em termos de algo que mudou em relação ao mangá, adoro a cena em que [Iñaki Godoy como Luffy] canta para Laboon”, afirmou Oda. “É memorável, com certeza. Também tenho a certeza de que a última cena com o Chopper correu bem. E a Charithra [Chandran] tem um papel de destaque e dá uma grande atuação. Isso merece ser destacado”.
Chopper foi, aliás, um dos personagens que gerou mais ansiedade antes da estreia. A ideia de adaptar um rena que fala para live-action era um dos maiores riscos da nova temporada. Segundo Oda, houve muita discussão interna sobre como equilibrar o realismo com a estranheza característica do personagem, e a versão final reflete precisamente isso.
Criador de One Piece já sabe como quer terminar a série live-action
A terceira temporada já está em produção
Com a segunda temporada a receber reações positivas dos fãs, a produção da terceira já avançou. A temporada 3 irá continuar a saga de Alabasta, um dos arcos mais amados de todo o mangá.
O ator Mackenyu Arata, que interpreta Roronoa Zoro, revelou entretanto numa entrevista que Oda já definiu um ponto de chegada para a série live-action, um arco específico até ao qual quer que a adaptação chegue, sem revelar qual. “Ele tem uma visão até onde quer que isso chegue — não ‘terminar’, mas até onde quer levar o live-action. Todos nós sabemos. Todos nós sabemos até onde ele quer chegar. Há um arco específico até ao qual ele quer que cheguemos, antes de termos 50 anos”, disse Mackenyu.








