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    Paramount avança com ação judicial contra a Warner Bros. Discovery

    Paramount exige transparência sobre o acordo de 82,7 mil milhões de dólares com a Netflix

    A batalha pela Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo esta segunda-feira, quando a Paramount avançou com uma ação judicial no Tribunal de Chancelaria de Delaware. A empresa liderada por David Ellison acusa o conselho de administração da Warner Bros. Discovery de ocultar informações financeiras críticas sobre o acordo com a Netflix, impedindo os acionistas de tomarem decisões informadas.

    A ação judicial, apresentada depois da Warner Bros. Discovery ter rejeitado mais uma vez a proposta da Paramount, procura forçar a divulgação de detalhes sobre a avaliação do acordo de 82,7 mil milhões de dólares com a Netflix. Esta é a oitava oferta da Paramount a ser recusada pela Warner Bros. Discovery desde que o processo começou em setembro de 2025.

    Numa carta aberta aos acionistas da Warner Bros. Discovery, David Ellison, CEO da Paramount, foi direto ao assunto: “A WBD falhou em incluir qualquer divulgação sobre como avaliou o capital próprio da Global Networks, como avaliou a transação geral com a Netflix, como funciona a redução do preço de compra devido à dívida na transação da Netflix, ou mesmo qual é a base para o seu ‘ajuste de risco’ da nossa oferta totalmente em dinheiro de 30 dólares por ação”.

    A Paramount está a oferecer 30 dólares por ação em dinheiro pela totalidade da Warner Bros. Discovery, comparado com a oferta da Netflix de 27,75 dólares por ação apenas pelos ativos de streaming e estúdios. O acordo com a Netflix, anunciado a 5 de dezembro de 2025, exclui a divisão Global Networks, que inclui canais como CNN, TNT e HGTV, e que deverá ser separada numa empresa independente no terceiro trimestre de 2026.

    Para Ellison, há contas que não batem certo. “Os acionistas precisam dessa informação para tomarem uma decisão de investimento informada sobre a nossa oferta,” defendeu o CEO da Paramount, acrescentando que a empresa apresentou o processo judicial “simplesmente para pedir ao tribunal que direcione a WBD a fornecer esta informação para que os acionistas da WBD tenham o que precisam para poderem tomar uma decisão informada sobre se aceitam as suas ações na nossa oferta”.

    Warner Bros Discovery rejeita proposta da Paramount e mantém negócio com Netflix

    A Warner Bros. Discovery não demorou a responder às acusações. Num comunicado, a empresa classificou o processo como “sem mérito” e acusou a Paramount de tentar distrair os investidores: “Apesar de seis semanas e do mesmo número de comunicados de imprensa da Paramount Skydance, esta ainda não aumentou o preço ou abordou as numerosas e óbvias deficiências da sua oferta. Em vez disso, a Paramount Skydance está a procurar distrair com um processo sem mérito e ataques a um conselho que entregou uma quantidade sem precedentes de valor aos acionistas”.

    O acordo entre Netflix e Warner Bros. Discovery representa uma mudança histórica para a plataforma de streaming, que sempre seguiu uma filosofia de crescimento orgânico. Ted Sarandos e Greg Peters, co-CEOs da Netflix, defenderam a aquisição como uma oportunidade de combinar “forças altamente complementares e uma paixão partilhada pela narrativa”.

    O timing do processo é deliberado. A Paramount estabeleceu o prazo de 21 de janeiro de 2026 como data limite para os acionistas aceitarem as suas ações na oferta pública de aquisição. Ellison manifestou a sua frustração com a forma como o processo tem sido conduzido: “Permanecemos perplexos pelo facto de a WBD nunca ter respondido à nossa oferta de 4 de dezembro, nunca ter tentado clarificar ou negociar qualquer um dos termos dessa proposta, nem ter trocado revisões de contratos connosco”.

    O CEO da Paramount acrescentou ainda que ficou surpreendido com a falta de reuniões formais do conselho no período que antecedeu a decisão de aceitar o acordo com a Netflix: “Ficamos impressionados com o facto de terem havido poucas reuniões reais do conselho no período que antecedeu a decisão de aceitar uma transação inferior com a Netflix. E ficamos surpreendidos com a falta de transparência por parte da WBD em relação a questões financeiras básicas. Simplesmente não faz sentido — tal como a matemática sobre como a WBD continua a favorecer aceitar menos do que a nossa oferta totalmente em dinheiro de 30 dólares por ação para os seus acionistas”.

    Larry Ellison, cujo património é estimado em cerca de 247,3 mil milhões de dólares, disponibilizou-se a fornecer uma garantia pessoal irrevogável de 40,4 mil milhões de dólares para financiar a oferta do filho pela Warner Bros. Discovery, numa tentativa de responder às preocupações do conselho sobre a solidez do financiamento.

    Em jogo está o controlo de alguns dos ativos mais valiosos da indústria do entretenimento. A Warner Bros., fundada há mais de um século, detém direitos sobre franquias como Harry Potter, Game of Thrones, DC Universe e um vasto catálogo que inclui desde clássicos como Casablanca até produções recentes da HBO. A divisão de videojogos, que a Netflix classificou como “menor” no contexto do acordo, também faz parte do pacote.

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    A questão central do litígio prende-se com a forma como a Warner Bros. Discovery está a avaliar a Discovery Global, a empresa que ficará com os canais de televisão por cabo após a separação. Segundo a análise da Paramount, publicada a 8 de janeiro, o valor total da transação com a Netflix para os acionistas da Warner Bros. Discovery é de 27,42 dólares por ação, considerando a queda no preço das ações da Netflix desde o anúncio do acordo. A interpretação dos números pela Paramount sugere que as ações da Discovery Global têm valor zero no acordo com a Netflix.

    O conselho da Warner Bros. Discovery já tinha indicado que a Paramount precisaria de oferecer mais dinheiro e menos dívida para que a proposta fosse reconsiderada. A empresa mantém a posição de que o acordo com a Netflix é superior, citando riscos regulatórios e questões de endividamento como razões para rejeitar a oferta da Paramount.

    Tanto a Netflix como a Warner Bros. Discovery recusaram-se a comentar especificamente o processo judicial. A batalha jurídica promete arrastar-se pelos próximos meses, com o desfecho a poder redefinir o equilíbrio de poder na indústria do entretenimento global.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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