
Numa chamada com investidores realizada na manhã de 2 de março, David Ellison, CEO da Paramount Skydance, anunciou os primeiros detalhes concretos da fusão com a Warner Bros. Discovery: a Paramount+ e a HBO Max serão integrados numa única plataforma de streaming. Juntos, os dois serviços somam atualmente pouco mais de 200 milhões de assinantes diretos, um número que, a concretizar-se, tornaria a nova entidade no segundo maior serviço de streaming do mundo, ainda assim a mais de 100 milhões de distância da Netflix, que fechou 2025 com cerca de 325 milhões de subscritores.
O acordo que tornou tudo isto possível foi assinado a 27 de fevereiro, depois de a Netflix ter desistido abruptamente da corrida pela Warner Bros. Discovery, uma batalha corporativa que durou meses e envolveu acionistas ativistas, financiamento saudita e uma oferta hostil. A Paramount pagou 31 dólares por ação, num negócio que, contando com a dívida da WBD, totaliza mais de 110 mil milhões de dólares. A Paramount terá ainda de pagar 2,8 mil milhões de dólares à Warner pela penalização prevista no acordo que esta tinha com a Netflix.
Ellison foi explícito sobre o que quer preservar e o que vai mudar. Sobre a HBO, a posição é clara: “O nosso ponto de vista é que a HBO deve continuar a ser HBO. Construíram uma marca fenomenal. São líderes no setor, e queremos apenas que continuem a fazer mais do mesmo”. A HBO deverá assim funcionar como uma submarca dentro do serviço unificado, com autonomia criativa e editorial preservada, um modelo semelhante ao que a Disney adoptou com a Hulu.
O que ainda não está definido é o nome do novo serviço nem o preço da subscrição. Ellison não deu qualquer indicação sobre qualquer um dos dois, o que é compreensível dado que o negócio ainda está sujeito à aprovação de reguladores e acionistas. A questão do nome é politicamente sensível, a HBO Max tem atualmente uma base de assinantes maior do que a Paramount+, o que pode sugerir que o nome HBO sobreviva, mas a Paramount também tem interesse em projetar a sua própria marca no produto final.
Netflix desiste da Warner Bros. e Paramount vai ficar com tudo
Para além do streaming, Ellison comprometeu-se a uma janela de exibição em sala de 90 dias antes de qualquer título ser disponibilizado em plataformas de vídeo a pedido, um posicionamento que, como sublinhou, parte da convicção de que “os filmes devem ser vistos nos cinemas”. A empresa também prometeu lançar mais de 30 títulos por ano em circuito comercial. A fusão prevê 6 mil milhões de dólares em poupanças e sinergias, o que significa inevitavelmente despedimentos significativos, num setor que já foi fustigado por rondas de cortes nos últimos anos.
Os ativos que a Paramount adquire incluem a Warner Bros. Pictures, a DC Entertainment, a HBO e a CNN. Ao contrário do que estava previsto na proposta da Netflix, que excluía os canais de cabo, a Paramount adquire toda a WBD, incluindo o TNT, TBS e a Discovery. Ellison garantiu que não há planos de alienar nenhum desses ativos.








