A Nihon Falcom Corporation e a NIS America voltam a convidar os jogadores a navegar pelos sete mares com Ys X: Proud Nordics, uma versão revista e expandida do décimo jogo desta longa e respeitada série Action RPG.

Importa salientar que esta produtora integra aquilo a que gosto de chamar a “ascensão AA” na indústria, ou seja, o período atual marcado por produções de orçamento intermédio. A Nihon Falcom Corporation afirma-se como um dos maiores nomes neste segmento, depois de conquistar os fãs com o remake de Trails in the Sky 1st Chapter, com o recentemente lançado The Legend of Heroes: Trails Beyond the Horizon, e já com Trails in the Sky 2nd Chapter e Kyoto Xanadu no horizonte de 2026.

Este é o próximo grande lançamento da empresa, no qual voltamos a assumir o papel de Adol Christin, o icónico espadachim ruivo cuja sede de aventura o conduz ao Gulf of Obelia, uma região dominada pelos normans, uma fação inspirada na cultura viking. É aqui que conhece a pirata Karja Balta, uma jovem guerreira impulsiva com quem acaba ligado, literalmente, pelas circunstâncias do destino, cujo “X” dá outro significado ao título. Juntos, embarcam numa aventura para enfrentar a ameaça imortal dos Griegr, enquanto exploram mares perigosos, ilhas remotas e territórios hostis. Não entrarei em demasiados detalhes sobre a história principal, uma vez que já a abordámos na análise da versão base, lançada em 2025 para a PlayStation 5.

Adol e Karja atuam como unidade através de uma ligação de Mana

Em termos de gameplay, o jogo mantém as bases do original, um sistema de combate dual, dinâmico, batalhas navais, mecânicas introduzidas progressivamente, uma banda sonora energética e confrontos memoráveis contra bosses. No entanto, esta versão orgulhosamente introduz diversas melhorias, tais uma nova habilidade de mana que permite mover e lançar objetos, que é útil quer em puzzles como em combate, e que se inspira nas mecânicas da duologia The Legend of Zelda da Nintendo Switch.

Foram também adicionadas novas áreas, tais como a ilha de Oland, Muspelheim, a masmorra avançada inspirada num dos Nove Reinos na mitologia nórdica, novos desafios navais e conteúdos no Coliseu de Bergen. De salientar que neste local, conhecemos Canute, primo de Karja, e Astrid, a sua irmã de escudo. Canute inspira-se na figura do “Rei dos Povos”, e reforça novamente a ligação a elementos históricos nórdicos.

O novo conteúdo narrativo está integrado diretamente na história principal, em vez de ser apresentado com um DLC em separado, num modelo semelhante ao de Persona 5 Royal. Novas personagens surgem ao longo da aventura, desde pequenas participações até momentos-chave para enriquecer a narrativa sem comprometer o ritmo de jogo. Adicionalmente, o jogo inclui várias melhorias novas funcionalidades, tais como sistemas de evolução de habilidades, ajustes em combates específicos e até uma navegação marítima mais suave.

Quanto à dificuldade, estão disponíveis cinco níveis, do fácil ao infernal, sendo os dois mais elevados particularmente exigentes por penalizarem fortemente a gestão de recursos. Mesmo no modo normal, os confrontos com bosses podem ser bastante desafiantes e obrigam o jogador a dominar as mecânicas de bloqueio, mobilidade e utilização da prancha. A duração da experiência também foi alargada. A história principal pode demorar entre 35 e 40 horas, mas quem participa em missões secundárias, pesca, combate naval, coliseu e a nova dungeon, poderá facilmente ultrapassar as 50 horas de jogo com facilidade.

Existem também inúmeras opções gráficas e de visualização que superam as versões da PlayStation 5, tais como suporte para ecrãs ultrawide, suporte para formato 16:10, a possibilidade de ajustar o volume dos vídeos, definições exclusivas para rato e teclado, opções específicas para gamepads, e Asset Caching. O jogo também inclui suporte HDR, definições para ajustar o intervalo dos autosaves, a possibilidade de mostrar a música em reprodução com informações da banda sonora, e escolher os ícones dos botões do comando. Enfim são elementos bem característicos das geniais ports de Durante e da PH3 que felizmente também marcam presença no mais recente episódio de Ys.

O jogo apresenta quatro predefinições gráficas, Desempenho, Padrão, Alta, Ultra, e várias opções para ajustar o aspeto visual do jogo, que incluem seis métodos tradicionais de anti-aliasing, Padrão, Sharp TAA, Smooth TAA, 2x MSAA, 4x MSAA, 8x MSAA, Sombras, Nevoeiro Volumétrico, Oclusão Ambiental, e muito mais, além da implementação da tecnologia NVIDIA DLSS 4.5 que julgo que partiu de The Legend of Heroes: Trails Beyond the Horizon. Todas as opções visuais podem ser modificadas a bel-prazer e estão organizadas no separador “Graphics” com outras áreas tais como “Sea” e “Field” com seções próprias.

A direção artística de YS X Proud Nordics faz com que jogo tenha um ótimo aspeto independentemente do hardware utilizado

Mesmo com a NVIDIA DLSS 4.5 na predefinição “L” com todas as outras definições no máximo, o jogo apresentou um aspeto polido e pude desfrutar da aventura praticamente a 144 FPS fixos. É realmente incrível o que a nova tecnologia da NVIDIA consegue produzir. De momento o jogo não tem suporte para AMD FSR. No entanto, na Steam Deck, mesmo sem recorrer a SuperSampling, o jogo correu de forma igualmente suave ao utilizar a predefinição Desempenho com a opção de gráfica alterada para Sharp TAA. Consegui jogar a uns estáveis 60 FPS durante o pouco tempo que o desfrutei na portátil da Valve. Apesar de todas as melhorias, existe alguma controvérsia entre os fãs, uma vez que quem adquiriu a versão original não pode desfrutar de uma edição muito superior e um preço “completo”, isto há sensivelmente dois anos. Daí que deveria ter sido pelo menos disponibilizada uma atualização paga ou até gratuita.

Ys X: Proud Nordics representa a forma mais completa e refinada de experienciar o cronologicamente segundo capítulo da série. Com mais conteúdo, melhor narrativa e várias melhorias técnicas, afirma-se como a versão definitiva do jogo e uma excelente oportunidade quer para novos jogadores como para quem pretenda revisitar a aventura numa experiência mais rica e polida, mas infelizmente a preço de jogo de lançamento.

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