
Layoffs quase diários, custos de desenvolvimento a disparar, a sombra da inteligência artificial sobre toda a criação. Quem olha para a indústria dos videojogos em 2026 encontra motivos de sobra para preocupação. Naoki Yoshida, mais conhecido como Yoshi-P e diretor de Final Fantasy XIV, não ignora nenhum desses problemas, mas chega a conclusões radicalmente diferentes.
Numa entrevista à Famitsu, publicada no âmbito dos 40 anos da revista japonesa, em que participaram 52 criadores de videojogos, Yoshida foi direto ao assunto: “É um mundo difícil. Com custos de desenvolvimento a subir em flecha, avanços tecnológicos a acelerar, a diminuição do tempo disponível dos consumidores e mudanças rápidas no mercado. Embora seja precisamente por isso que sinto que é um dos momentos mais empolgantes para a indústria”.
Reformar? Nem pensar
Questionado sobre os seus planos para o futuro, o diretor foi igualmente claro, não há reforma à vista. A “evolução contínua de Final Fantasy XIV” continua a ser uma prioridade central, mas não é a única coisa que o mantém motivado.
Yoshida revelou que tem “muitas ideias de jogos” guardadas em propostas de projeto que ainda não viram a luz do dia, acrescentando que “ainda há muitas coisas que quero experimentar”. Uma dessas ideias passa por um “design de jogo que combina IA e servidores”, uma formulação deliberadamente vaga que, por ora, não permite perceber exatamente o que tem em mente.
Para além de Final Fantasy XIV, Yoshida tem estado ligado a vários desenvolvimentos recentes dentro da Square Enix. O estúdio anunciou em abril a próxima expansão do MMO, intitulada Evercold, prevista para janeiro de 2027, que incluirá duas novas classes e uma colaboração com a série Evangelion.
Uma visão contra a corrente
A perspetiva de Yoshida contrasta com o tom predominante na indústria nos últimos meses. Os despedimentos em massa têm afetado estúdios de todas as dimensões, e o debate em torno da inteligência artificial, tanto como ferramenta criativa como ameaça ao emprego, não dá sinais de abrandar.
O que o diretor parece defender é que os momentos de maior turbulência são precisamente os que forçam a criatividade e a reinvenção. Não é uma posição ingénua face aos problemas reais do setor, mas sim uma leitura do caos como oportunidade, uma distinção que, para quem passou os últimos dezasseis anos a transformar um MMO inicialmente falhado num dos mais populares do mundo, talvez não seja assim tão surpreendente.








