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5 jogos cyberpunk que continuam a definir o género em 2026

Entre cidades cobertas de néon e corporações sem escrúpulos, estes jogos mostram porque é que o futuro distópico continua a fascinar os jogadores

5
Detroit: Become Human

Quando a Quantic Dream lançou este jogo em 2018, poucos esperavam que uma história sobre androides conseguisse gerar tanto debate sem recorrer a armas de fogo como ferramenta narrativa principal. A história acompanha três androides que, por caminhos distintos, começam a desenvolver algo semelhante a uma consciência própria, e é esse despertar que acaba por incendiar uma cidade inteira.

O que torna este título tão particular é a forma como dilui a linha entre jogo e drama televisivo. Cada conversa, cada gesto e cada decisão aparentemente insignificante pode alterar por completo o rumo da história, o que obriga o jogador a pensar com cuidado antes de agir, sabendo que não há forma de voltar atrás.

Ainda hoje, quase uma década depois do lançamento, este continua a ser um dos exemplos mais citados de como a ficção científica pode ser usada para discutir empatia, preconceito e direitos civis sem nunca soar a sermão. É um jogo que se sente mais como uma experiência coletiva do que como um simples entretenimento solitário.

4
Ghostrunner

A premissa de Ghostrunner é simples de descrever, mas brutal de jogar, depois de um colapso ecológico global, o que resta da humanidade vive amontoado dentro da Torre Dharma, uma estrutura gigantesca onde a posição social de cada um depende literalmente da altura a que vive. Quem está em baixo sobrevive na imundície industrial; quem está no topo desfruta de luz e privilégio.

Lançado em 2020 pelo estúdio polaco One More Level, o jogo transforma essa desigualdade vertical na sua própria mecânica central. Subir a torre não é apenas um objetivo narrativo, é também o desafio físico que o jogador enfrenta a cada nível, com combates relâmpago em que um único erro significa morte instantânea.

É raro encontrar um jogo que consiga ser tão implacável na dificuldade e, ao mesmo tempo, tão consistente na mensagem que transmite. Aqui, a velocidade do combate não é só um exercício de reflexos, é também uma metáfora sobre a urgência de quem não tem tempo nem margem para falhar.

3
Cyberpunk 2077

Pouquíssimos lançamentos geraram tanta conversa, expectativa e, mais tarde, redenção, como este projeto da CD Projekt Red. Ambientado em Night City, o jogo coloca o jogador no papel de um mercenário de rua cujo corpo passa a ser partilhado por uma inteligência digital com a personalidade de um músico já falecido, interpretado por Keanu Reeves.

Mais do que a trama principal, é a cidade em si que rouba a atenção. Night City alterna entre torres corporativas deslumbrantes e bairros à beira do colapso, e essa contradição visual está sempre presente, lembrando constantemente ao jogador que o brilho e a miséria coexistem a poucos metros de distância.

A verdadeira força do jogo está na quantidade de histórias paralelas que se cruzam com a narrativa central. Gangues cibernéticos, políticos corruptos, comunidades nómadas, cada faceta da cidade oferece uma perspetiva diferente sobre o custo humano do progresso tecnológico, sem nunca perder de vista as relações pessoais que dão sentido a tudo o resto.

2
Deus Ex: Mankind Divided

Este título da Eidos-Montréal parte de uma premissa incomodamente atual, depois de uma tragédia global atribuída a cidadãos modificados geneticamente, estes passam a ser vigiados, segregados e tratados como ameaça pelas autoridades. O jogador assume o papel de um agente de segurança fortemente aumentado, algo que o coloca numa posição desconfortável entre os dois lados do conflito.

A grande qualidade deste jogo está na liberdade de abordagem. Cada missão pode ser resolvida através de infiltração silenciosa, confronto direto ou manipulação social, e o desenho dos cenários reflete isso mesmo, com prédios, esgotos e sistemas de segurança pensados como caminhos alternativos e não apenas obstáculos.

São, no entanto, as missões secundárias que acabam por deixar a marca mais duradoura. Muitas vezes mais bem escritas do que a própria campanha principal, estas histórias paralelas mostram com bastante crueza como a discriminação institucional acaba por moldar a vida quotidiana de pessoas comuns, reforçando a ideia de que a tecnologia, isolada, nunca resolve as desigualdades que ajuda a criar.

1
The Ascent

Criado pelo pequeno estúdio sueco Neon Giant, este jogo isométrico oferece talvez a visão mais claustrofóbica desta lista. A ação decorre num planeta inteiramente controlado por uma megaestrutura corporativa, onde o protagonista é um trabalhador endividado cuja vida e modificações biológicas pertencem, na prática, à empresa que o emprega.

O ponto de viragem da história surge quando essa mesma corporação entra em colapso financeiro, deixando toda a cidade vertical à mercê de facções rivais que disputam o controlo do território. É nesse vazio de poder que o jogo ganha o seu ritmo mais intenso, com tiroteios táticos que destroem praticamente tudo o que está à volta.

O que torna este título especialmente coeso é a forma como nunca esconde a exploração laboral subjacente a toda a sua estética. Aqui, contar uma história através do próprio sistema de jogo revela-se tão eficaz, ou até mais, do que fazê-lo através de diálogos e cinemáticas, e isso é algo que poucos jogos do género conseguem replicar com a mesma naturalidade.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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