
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) mantém como regra de base da sua política para as indústrias criativas o compromisso de não interferir no conteúdo das obras que apoia. O princípio faz parte da estratégia que o ministério quer usar para multiplicar as vendas de conteúdo japonês no estrangeiro e voltou a ser incluído no documento estratégico que o METI concluiu recentemente.
O compromisso consta dos cinco princípios da política para o entretenimento e as indústrias criativas, aprovados na oitava reunião do grupo de estudo do ministério, a 23 de outubro de 2025. O terceiro princípio estabelece que o apoio do Estado não deve influenciar o conteúdo das obras e deve garantir a liberdade de expressão dos criadores, conforme consta de um documento do METI. Na prática, o dinheiro público para anime, mangá, videojogos, cinema e música não vem condicionado a mudanças na narrativa.
O princípio refere-se ao apoio concedido pelo próprio Governo. Não regula a forma como plataformas ou empresas estrangeiras tratam estas obras.
O objetivo que enquadra tudo isto é elevar para 20 biliões de ienes as vendas de conteúdo japonês no estrangeiro até 2033, o equivalente a cerca de 130 mil milhões de dólares. O valor mais recente rondava os 3,84 biliões de ienes, em 2024, pelo que a meta implica mais do que quintuplicar essa receita.
Em março, o METI detalhou a parte que cabe a cada setor. O anime e os videojogos somam 18 dos 20 biliões previstos, e o objetivo para o anime isolado é de 6 biliões de ienes.
Os cinco princípios
Os princípios definidos pelo ministério são os seguintes:
- Apoiar em grande escala, a longo prazo e de forma estratégica.
- Apoiar iniciativas que criem no Japão e cheguem ao mundo, com investimento em propriedade intelectual, talento e tecnologia digital, e em redes de distribuição internacionais e na formação de comunidades de fãs.
- Não interferir no conteúdo das obras.
- Fazer o apoio chegar diretamente a quem o usa, com sistemas simples que qualquer interveniente consiga utilizar, mesmo sem experiência em procedimentos administrativos.
- Dar prioridade a quem aposta em projetos novos e arriscados, com maior risco e maior potencial de retorno.
O ministério justificou a mudança com os resultados modestos das medidas anteriores para expandir o conteúdo japonês no estrangeiro, que ficaram abaixo dos de países como a Coreia do Sul. O anúncio surgiu cerca de um mês depois de a federação empresarial Keidanren ter pedido ao Governo um apoio imediato, de grande escala e de longo prazo ao setor.
O terceiro princípio ganhou atenção especial por surgir num período de restrições de conteúdo cada vez mais agressivas e de pressão de empresas de processamento de pagamentos sobre criadores e editoras.
A 20 de agosto, o METI anunciou que concluiu a Estratégia para as Indústrias do Entretenimento e Criativas de 2026, de acordo com o comunicado oficial do ministério. O documento resulta das discussões do grupo de estudo realizadas ao longo do ano fiscal de 2025, que envolveram mais de 90 responsáveis de topo de vários setores e mais de 100 startups e criadores.
Para jogos, anime, mangá, música e live-action, o plano prevê criar no Japão, distribuir para o mundo e rentabilizar a propriedade intelectual em vários formatos, do mangá ao anime, aos videojogos, ao live-action, à música e ao merchandising, devolvendo parte do valor aos criadores. Entre as cinco reformas estruturais previstas estão a formação e a retenção de criadores, o acesso a financiamento, a conciliação entre o uso de inteligência artificial e a proteção de direitos, uma remuneração ajustada aos resultados e um aproveitamento mais estratégico da propriedade intelectual.










Enquanto isso aqui no Brasil, se fosse 1/3 pensado e feito aquilo o que é pensado e feito no Japão, já seria bom demais, mas infelizmente, parece que o querem que seja pensado e feito aqui é justamente o oposto. Aprenda Brasil!