Após as notícias reveladas no D23, finalmente temos uma janela de lançamento para o Kingdom Hearts IV, no final de 2027. Como tal, esta é uma altura ideal para iniciarem a vossa jornada nesta maravilhosa série de videojogos, dando-vos tempo suficiente para explorarem cada um dos títulos que certamente vos trará imensa felicidade!
Portanto, cá estou eu para vos convencer a dar uma oportunidade a esta série. Talvez nunca vos tenha atraído, ou talvez tenham tido interesse, mas por uma razão ou outra nunca jogaram.
O que é Kingdom Hearts?
É só a melhor cena de sempre, okay?
Em resumo, tens duas empresas gigantes no reino do entretenimento: A Disney, e a Square Enix. E por coincidência, estas empresas partilhavam um escritório no Japão. A Square (na altura ainda Squaresoft) andava a querer fazer um jogo tridimensional ao estilo do Super Mario 64, mas tinham medo de não conseguir ter uma mascote tão proeminente na consciência das pessoas como o Super Mario. Seria preciso algo tão popular como… sei lá, a Disney?
E um dia, alguém da Squaresoft se cruzou com alguém da Disney no elevador, e o resto é história. Uma história que, como devem imaginar, é bastante mais longa e complexa do que eu escrevi aqui, mas o cerne da questão é:
Kingdom Hearts é uma série de JRPGs que fazem fusão da jogabilidade, estética (e algumas personagens) da Square Enix com personagens, locais, e sensibilidades da Disney. Neste momento conta com cerca de 13 jogos, com mais um anunciado, o Kingdom Hearts IV. (E um anime!!) E siiiiiiiiim, todos eles são importantes para a história. Não há cá spin-offs nem o que lhes queiram chamar, todos os jogos são importantes para a compreensão do enredo. O que, eu tenho noção, é um dos pontos que mais rapidamente desinteressa novos jogadores. Se calhar até acham piada a esta ideia de um crossover entre a Square Enix e a Disney, mas só a ideia de terem de jogar uma dúzia de jogos para perceber a história é um pouco assustadora.

Felizmente, o Kingdom Hearts I é uma experiência bastante completa por si só, e uma que eu posso recomendar sem reservas. Por isso, mesmo que não saibam se vão ficar investidos na série, podem sempre experimentar o primeiro jogo, e depois logo se vê.
Mas então, como exactamente é que uma pessoa acede a estes jogos?
Como jogar os jogos Kingdom Hearts?
É mesmo fixe viver em 2026. Bem. Às vezes. Mas no que se trata de jogar Kingdom Hearts, é um excelente ano. Nunca a série esteve tão facilmente disponível em tantas plataformas diferentes. Antigamente, a série estava espalhada pela PS2, Gameboy Advance, Nintendo DS, Nintendo 3DS, PSP, e até pelos telemóveis japoneses!
Mas agora, todas as plataformas modernas têm acesso a estes jogos, graças à KINGDOM HEARTS Collection [I~III], disponível para a Playstation 5, XBOX Series, Steam (embora sob o nome KINGDOM HEARTS INTEGRUM MASTERPIECE), e finalmente, para a Nintendo Switch 2!
Portanto, saber onde começar é fácil. Com o Kingdom Hearts I na plataforma à vossa escolha que vos der mais jeito. E isto são imensos jogos a um preço super acessível, e tendo em conta o histórico na Steam, será de esperar que os preços fiquem frequentemente com desconto, chegando a ser possível ver a coleção completa por cerca de 30€!

Mais para a frente, a série teve também um par de jogos mobile com relevância para a história que hoje em dia já não é possível jogar. Felizmente, a fandom de Kingdom Hearts é absurdamente dedicada, e para além de compilações das cinemáticas dos jogos, existe até uma fandub de um dos jogos, com uma planeada para o outro! Todos os outros jogos estão disponíveis nas consolas que falei, nem que seja só versões cinemáticas sem qualquer jogabilidade.
Mas se calhar a vossa questão é mais o porquê.
Porque é que devem querer jogar Kingdom Hearts?
Não leram em cima? É a melhor cena de sempre.

Mas, se quiserem razões mais concretas, elas resumem-se a duas principais: a jogabilidade, e o enredo.
Em termos de jogabilidade, esta combina acção em tempo real com elementos de RPG, evoluindo ao longo da série para oferecer combates cada vez mais fluidos. No Kingdom Hearts I, as mecânicas baseiam-se em ataques físicos, magia e invocações, geridos através de um menu dinâmico. Chain of Memories manda isto tudo passear e atira-te com cartas à cara. Com Kingdom Hearts II, o sistema tornou-se mais ágil, introduzindo as Drive Forms e reações contextuais. Os jogos que se seguiram, Birth by Sleep e Dream Drop Distance, trouxeram variações com Deck Commands e o sistema de Flowmotion, ampliando as opções de movimento e combate.
Finalmente, o Kingdom Hearts III refinou a fórmula com Attractions, que basicamente te enfiam numa atração de um parque da Disney; combinações de Keyblade e um sistema de batalha mais cinemático.
Não existe nada exactamente como Kingdom Hearts, e acreditem, eu procurei. O combate é simples, mas muito satisfatório, com um nível de complexidade que vai desde o braindead carregar no X e ocasionalmente no Δ para vencer, até à mais profunda combinação de bloqueios, desvios e ataques que deixaria os mais aficionados da dificuldade interessados. Tudo depende do nível de dificuldade que escolhem, e do tipo de desafio que querem ter.

Mas, pelo menos pessoalmente, não é a jogabilidade que mais me atrai em Kingdom Hearts, especialmente porque ela vai variando bastante de jogo para jogo, passando por jogos de cartas em tempo real, um jogo de ritmo, e até um idle mobile game.
Não, o que me atrai nestes jogos é a história, as personagens e… a vibe.
E qual é a vibe de Kingdom Hearts? Simples:
Esta música, para mim, encapsula tudo o que esta série é. É nostálgica e melancólica, inocente e deslumbrante. E os jogos em si são tudo isto e muito mais.
A música, por inteiro, é simplesmente fenomenal. Todos os temas, de personagens, de mundos, de batalhas, o que seja, são todos absolutamente incríveis. Os gráficos, mesmo os da altura da PS2, continuam bastante bons, e os mais recentes são mesmo muito bonitos.
Não há nenhuma outra história como esta, sejam jogos, séries, ou livros. Há quem diga que o enredo é complicado, e eu não digo que não, embora também ache que essas opiniões são exageradas, mas é uma aventura que merece ser vivida.
A história começa de uma forma relativamente simples, com um rapaz, o Sora, que vive num pequeno arquipélago num pequeno mundo, e sonha, juntamente com os seus amigos, Riku e Kairi, explorar outros mundos que existam. Este sonho torna-se realidade de uma maneira mais abrupta do que ele esperava quando o seu mundo é destruído pelas forças das trevas, e ele tem de embarcar numa viagem por vários mundos da Disney (e não só) em busca dos seus amigos perdidos e de uma maneira de salvar todos os mundos.

É assim que a história começa, mas rapidamente cresce para além desta premissa simples. Eu costumo dizer que Kingdom Hearts I é o primeiro jogo da série, mas Chain of Memories, inicialmente lançado para o GameBoy Advance e depois remade para a PS2, é onde a série verdadeiramente se torna Kingdom Hearts.
Para terem noção, Kingdom Hearts I tem 4 personagens originais. Todas as outras já existiam, quer fossem da Disney ou da Square Enix. Chain of Memories tem 9, sem contar com as 4 anteriores, num jogo com uma narrativa muito mais compacta.
Obviamente, o contexto geral do Sora ser um herói que quer salvar o mundo das forças das trevas mantém-se sempre ao longo da série. Mas questões de identidade e individualidade começam a aparecer quando existem várias versões diferentes das mesmas personagens, questões de redenção e crescimento pessoal, e claro, questões de como continuar a lutar quando tudo parece perdido. Os pontos de vista ao longo da narrativa vão crescendo, com prequelas, prequelas de prequelas, jogos que acontecem ao mesmo tempo que outros jogos, jogos em que as personagens que controlas são os vilões de outros jogos… Tudo pode verdadeiramente acontecer em Kingdom Hearts.

O elenco de personagens continua a crescer e a aumentar com cada jogo, e quase todas elas são memoráveis de uma maneira ou outra. As relações que estas várias personagens têm entre si são também uma das grandes forças da série, com guerras de shipping que se tornaram infames na Internet.
E como é óbvio, isto continua a ser um jogo da Disney, pelo que o Donald e o Goofy são os nossos party members, e ocasionalmente temos o Mickey a aparecer.
É difícil explicar o que faz desta história especial. Há uma frase do Tetsuya Nomura, o criador de Kingdom Hearts, que eu gosto muito:
“Nunca irei compreender jogos em que tudo é explicado no final e o pano cai”, diz Nomura. “Quando lia manga assim em criança, achava sempre aborrecido não ter mais espaço para usar a imaginação. Seja em jogos, anime ou manga, é essencial deixar margem para especulação. Odeio dar respostas aos jogadores. Se fosse por mim, nunca revelaria um único segredo.” – LEVEL Magazine, 2010
E ele efectivamente esforça-se ao máximo para construir enredos cheios de segredos para descobrir e teorias para criar. Como tal, a fandom de Kingdom Hearts também é famosa pelas suas teorias estrambólicas, algumas das quais foram sendo confirmadas ao longo dos anos!

E é esta… surpresa que me continua a atrair nesta série. Que eu espero que vos atraia a todos também. Esta incerteza de nunca saber o que vai acontecer a seguir, de saber que tudo é possível, mesmo o que parece impossível. Que as coisas mais minúsculas podem ter o maior significado.
É uma curiosidade que me absorve por completo, esta necessidade de ver, saber, e descobrir. Querer ver mais interações entre as personagens, queres saber mais sobre o lore deste mundo, querer ser surpreendida e querer ter razão. É esta dicotomia, este ideal de querer ser surpreendida da maneira que encaixa com aquilo que imagino, que me mantém agarrada a esta série, a estas personagens, e a esta história como mais nada. Eu quero estar na montanha-russa de emoções do Nomura.
E quero convidar-vos para esta aventura louca.

Com tantas personagens, conceitos, e aventuras, eu verdadeiramente acredito que Kingdom Hearts tem algo para toda a gente disfrutar. Desde os mais focados na jogabilidade, que vão adorar o combate frenético e dinâmico, aos que adoram a história, e mal podem esperar para ver qual será o próximo conceito que o Nomura nos vai apresentar.
Nunca foi tão fácil começar a ser um fã de Kingdom Hearts, e com a revelação da janela de lançamento do próximo jogo, nunca foi tão satisfatório. Existe tanto para descobrir de conteúdo criado pelos fãs também, desde mods de jogabilidade e randomizers, a todo o tipo de fanart e fanfiction, a músicas originais sobre os jogos e GMVs e animatics e horas e horas e horas de vídeos de teorias e análise.
Iniciar uma aventura não é assim tão difícil, ou se calhar até já começou.
E só vos custará cerca de 30€, se comprarem na altura certa… e talvez a vossa sanidade mental para o resto da vida.
Mas se alguma vez gostaram de jogos de acção, de JRPGs, da Disney, ou simplesmente de histórias que tocam o vosso coração… joguem Kingdom Hearts.










