InícioAnimeJá viste todos? 10 dos melhores animes dos últimos 20 anos

Já viste todos? 10 dos melhores animes dos últimos 20 anos

Duas décadas dão para muita coisa no mundo do anime. Estrearam séries que se tornaram referências, regressaram títulos clássicos com nova vida e o público do anime cresceu ao ponto de o meio já não ser visto como um nicho. Aqui está uma lista com 10 dos melhores animes dos últimos 20 anos.

10
Spy x Family

Visual 1 da Temporada 3 de Spy x Family

Quando estreou, em 2022, Spy × Family conseguiu algo pouco comum, agradar ao mesmo tempo a quem acompanha anime há anos e a quem nunca tinha pegado no género. A história parte de uma ideia simples e cheia de potencial cómico. Loid Forger, um espião encarregado de evitar uma guerra iminente, precisa de formar uma família para cumprir a missão. Adota uma criança que, sem ele saber, lê pensamentos, e casa com Yor, uma mulher que esconde a sua verdadeira profissão: assassina.

Cada elemento da família guarda segredos, e é isso que alimenta grande parte da graça da série. Anya sabe tudo sobre os pais e usa essa vantagem para os tirar de apuros, sempre com resultados imprevisíveis. A chegada de Bond, um cão capaz de ver o futuro, acrescenta mais uma camada ao grupo.

Ainda assim, a intriga de espionagem funciona sobretudo como pano de fundo. O que prende o espectador é a relação entre os três. Yor ganha confiança graças ao apoio de Loid e de Anya, a pequena encontra uma segurança que nunca teve no orfanato nem durante as experiências a que foi sujeita, e Loid vai deixando cair a frieza profissional para redescobrir o que é ser uma pessoa e não apenas um agente.

9
Terror in Resonance

Exibida em 2014 e produzida pelo MAPPA, Terror in Resonance foi criada e dirigida por Shinichirō Watanabe, o nome por trás de Cowboy Bebop, com música de Yoko Kanno. São apenas onze episódios, mas a série deixa marca pela forma como transforma um thriller sobre terrorismo numa reflexão sobre infância e perda.

Lisa Mishima é uma estudante maltratada em casa e alvo de bullying na escola. A sua vida cruza-se com a de Nine e Twelve, dois rapazes que se apresentam ao mundo como Sphinx e publicam online um vídeo em que ameaçam destruir Tóquio, a menos que alguém resolva o seu enigma. A narrativa alterna entre a perspetiva dos três e a do inspetor Kenjirō Shibazaki, e cada ponto de vista revela uma peça diferente do puzzle.

Tal como em Death Note, os protagonistas operam fora do heroísmo tradicional, mas aqui não existe qualquer complexo de superioridade. Nine e Twelve são fruto de uma experiência que tentou transformar crianças com síndrome de savant em armas, e o que procuram é vingança e, aos poucos, uma vida normal que nunca lhes foi permitida. Lisa funciona como testemunha, e é através dela que fica provado que estes rapazes existiram e que as suas vidas importaram, mesmo depois de tudo o que lhes foi retirado.

8
Kaguya-sama: Love Is War

Kaguya-sama wa Kokurasetai First Kiss wa Owaranai poster

À primeira vista, Kaguya-sama: Love Is War parece mais uma série escolar. A diferença está na premissa, uma comédia romântica tratada como guerra psicológica. Miyuki Shirogane, presidente do conselho de estudantes, e Kaguya Shinomiya, a vice-presidente, formam uma dupla perfeita, mas nenhum está disposto a admitir o que sente. O objetivo de cada um é levar o outro a confessar-se primeiro.

O humor nasce precisamente desse orgulho. Os dois pensam quase sempre as mesmas coisas, agem de forma desajeitada e inventam estratégias absurdas para evitar o que é óbvio para toda a gente. A série, adaptada pelo estúdio A-1 Pictures, parte do princípio de que o espectador já está do lado de ambos desde o primeiro episódio.

Quem desiste a meio por achar que se trata de uma slow burn arrisca-se a perder o essencial. Os dois acabam por confessar-se aproximadamente a meio da história, ambos ao mesmo tempo, o que empata o jogo. A partir daí, a série muda de foco e passa a mostrar o que acontece a seguir: as expectativas das famílias, as inseguranças pessoais e as dificuldades de começar uma relação. Apesar de se dirigir a um público mais jovem, trata esses temas com surpreendente atenção.

7
From the New World

From The New World

Baseada num romance publicado em 2008, From the New World foi adaptada pelo estúdio A-1 Pictures e estreou em 2012. Convém não a confundir com o mangá, que nasceu como adaptação independente, com personagens adicionais e variações face à história do anime.

A ação decorre mil anos depois do colapso da sociedade moderna. Em Kamisu 66, todos os habitantes possuem poderes psíquicos conhecidos como Canto, e Saki Watanabe cresce ali com os amigos, convencida de que a Sage Academy existe para os preparar para a vida adulta. Com o tempo, os jovens descobrem que são vigiados e que quem é considerado instável ou perigoso desaparece, ficando os restantes obrigados a esquecer quem perderam.

A crueldade do sistema acompanha Saki até à idade adulta. Já a trabalhar para o Departamento de Gestão de Mutantes, supervisiona os Queerats sem saber que estes foram humanos transformados à força por não terem poderes psíquicos. Quando surge uma ameaça capaz de pôr toda a humanidade em risco, a série revela até onde vai uma sociedade que passou séculos a suprimir e a eliminar tudo o que considera perigoso.

O que torna a obra tão perturbadora é a escolha de crianças como protagonistas. Os adultos defendem que cada decisão protege a civilização, mas os métodos incluem vigilância, conformismo imposto, manipulação de memória e assassinato. A ideia que fica é desconfortável, a maior crueldade humana pode vir menos da capacidade de destruir e mais da facilidade em convencer-se de que a destruição é necessária.

6
Cyberpunk: Edgerunners

Lançada em 2022 pelo Studio Trigger, Cyberpunk: Edgerunners passa-se em Night City, o universo de Cyberpunk 2077, e segue o percurso de David Martinez, um estudante da Arasaka Academy de origem humilde. A morte da mãe empurra-o para as ruas, onde conhece Lucy e acaba integrado numa equipa de edgerunners, mercenários que sobrevivem à margem da lei com a ajuda de implantes cibernéticos.

David revela uma tolerância fora do comum a essas modificações e vai levando o corpo ao limite para se tornar mais forte e proteger quem ama. A série mostra uma cidade onde a diferença entre ricos e pobres se reflete até no próprio corpo, e onde a tecnologia que promete liberdade acaba por ser mais uma forma de exploração.

Muitas histórias de ação terminam com os protagonistas a vencer. Esta não. A violência é constante, mas surge rodeada de personagens com sonhos e esperanças genuínos, o que faz com que o desfecho se adivinhe cedo e custe na mesma. A ambição acaba por ser fatal para quase todos, e o sonho que se concretiza deixa um sabor amargo, porque já não há ninguém para o partilhar. É esse custo humano que dá à série a sua força.

5
Frieren: Beyond Journey’s End

imagem Frieren celebra 3 anos de anime (1)

A adaptação do mangá de Kanehito Yamada e Tsukasa Abe, produzida pelo estúdio Madhouse, estreou a 29 de setembro de 2023 com um episódio especial de duas horas e conta com 28 episódios na primeira temporada. A segunda chegou em janeiro de 2026. Pelo caminho, tornou-se uma das séries mais elogiadas dos últimos anos.

A premissa é invulgar para um anime de fantasia. A história não começa com a aventura, mas com o seu fim. Frieren, uma elfa que integrou o grupo que derrotou o Rei Demónio, despede-se dos companheiros com a promessa de os voltar a ver em 50 anos. Quando regressa, os humanos envelheceram e Himmel acaba por morrer pouco depois, o que a obriga a perceber como sabia pouco sobre o homem com quem viveu uma década.

A partir daí, parte para norte, para o local onde repousam as almas, com a esperança de reencontrar Himmel. Pelo caminho forma um novo grupo com Fern e Stark e revisita as memórias do antigo, reparando em pormenores que antes lhe pareciam insignificantes. O ritmo é lento e propositado, porque a série fala de tempo. Para Frieren, ele passa depressa e quase sem se notar, e são os companheiros humanos que lhe recordam que não dispõem de tanto como ela.

O que fica é uma obra sobre luto, memória e sobre o que permanece depois de uma despedida, contada através de uma personagem que ainda está a aprender o que significa viver uma vida mortal.

4
The Apothecary Diaries

The Apothecary Diaries anime visual 2

Estreada em outubro de 2023, The Apothecary Diaries foi produzida pela TOHO animation e pelo estúdio OLM e adapta as light novels de Natsu Hyuga. A ação decorre num país fictício inspirado na China da dinastia Tang, onde Maomao, uma jovem que aprendeu medicina com o pai boticário, é vendida ao palácio imperial.

Longe de se resignar, Maomao usa os conhecimentos que tem para resolver mistérios e ajudar quem a rodeia. A curiosidade é o motor da série e obriga o espectador a desconfiar de cada conversa. Uma palavra pode ter duplo sentido e um incidente aparentemente banal pode estar ligado a uma conspiração que envolve todo o palácio. Concubinas, damas de companhia, Jinshi e a própria Maomao têm motivações complexas, e a protagonista precisa de pensar vários passos à frente para evitar que as coisas corram mal.

Os casos que investiga raramente valem apenas pelo enigma. Por trás deles aparecem o amor, o desespero, o ciúme e o instinto de sobrevivência, escondidos em gestos pequenos. A série foi também construída para ser revista, já que cada pista ganha outro peso quando se conhece o desfecho. Com uma protagonista apaixonada por venenos, a curiosidade tem aqui um preço, mas pode ser a diferença entre a vida e a morte de quem está em perigo.

3
Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Fullmetal Alchemist: Brotherhood

Adaptação do mangá de Hiromu Arakawa, produzida pelo estúdio Bones e estreada em 2009, Fullmetal Alchemist: Brotherhood continua a ser uma das referências do género. A série parte de uma tragédia: Edward e Alphonse Elric tentam ressuscitar a mãe através da alquimia e pagam um preço brutal, ele com um braço e uma perna, o irmão com o corpo inteiro. A recuperação passa por encontrar a Pedra Filosofal, o que leva Edward a juntar-se ao exército como Alquimista Estatal.

A história vai muito além da busca individual. Mostra um regime militar que controla o acesso ao conhecimento e esconde verdades incómodas, como o massacre conhecido como Guerra de Extermínio de Ishval, no qual muitos alquimistas participaram apenas por obedecerem a ordens. Nos bastidores, os Homunculi manipulam o conflito para os seus próprios fins, e os irmãos acabam por descobrir que a Pedra que procuravam é feita de vidas humanas.

Cada revelação complica ainda mais a situação, até ao confronto com Father. O desfecho assenta numa ideia simples, Edward percebe que pode viver sem alquimia, mas não sem o irmão, e abdica do seu poder para o recuperar. A série defende, assim, que aceitar a verdade passa por aceitar limites em vez de tentar ultrapassá-los.

2
Puella Magi Madoka Magica

Puella Magi Madoka Magica anime visual

Estreada em 2011 e produzida pelo estúdio Shaft, Puella Magi Madoka Magica começa como uma história de garotas mágicas e depressa deixa de o ser. Madoka Kaname é uma estudante comum, até conhecer Homura Akemi e acabar presa no labirinto de uma bruxa, de onde é salva por Mami Tomoe. É então que Kyubey surge com uma proposta, formular um desejo, tornar-se rapariga mágica e combater bruxas.

O problema está no que Kyubey não diz. Como as meninas nunca fazem as perguntas certas, ficam por esclarecer as consequências do contrato. Kyubey é um Incubator e sabe que as garotas mágicas se tornarão bruxas, deixando que sintam esperança antes de colher a energia libertada quando ela se converte em desespero. Essa energia serve para adiar a morte térmica do universo, o que transforma o sofrimento das jovens numa peça de um sistema pensado para preservar o cosmos.

Entretanto, Homura viaja no tempo repetidamente para tentar salvar Madoka, e cada nova linha temporal torna a amiga mais poderosa e mais perigosa. Quando Madoka descobre o que a colega tem feito por ela, formula um desejo que muda as regras de todo o sistema: apagar as bruxas antes de nascerem e libertar as garotas mágicas do destino que as esperava.

A série pergunta se a esperança pode fazer sentido num mundo em que o sofrimento parece inevitável. A resposta de Madoka é recusar essa lógica e devolver à esperança o seu poder, mostrando que o desespero não tem de ter a última palavra.

1
Death Parade

Death Parade - nova imagem promocional

Os animes sobre a vida depois da morte não são novidade, mas Death Parade distingue-se pelo tom. Apesar do tema, mantém uma leveza pouco habitual, sobretudo graças ao protagonista. Produzida pelo estúdio Madhouse e estreada em 2015, a série passa-se no Quindecim, um bar gerido por Decim, um árbitro responsável por decidir se uma alma reencarna ou cai no Vazio.

A decisão é tomada através de jogos que obrigam os mortos a mostrar quem realmente são. Os participantes não sabem que morreram, porque as memórias foram apagadas, e é nessa pressão que se revelam. Decim chegava a manipular os jogos para levar as pessoas ao limite e observar como reagiam, até Chiyuki aparecer. Como é uma humana com amnésia e ele não pode julgá-la sem conhecer o seu passado, acaba por mantê-la no bar como assistente.

Ao ver as reações de Chiyuki, Decim começa a sentir algo que o treino de árbitro nunca previu. A explicação está em Nona, a sua superiora, que lhe deu um coração humano quando o criou, e é essa herança que lhe permite desenvolver empatia. Quando chega a hora de julgar Chiyuki, a decisão custa-lhe, e vê-la partir em direção à reencarnação, de sorriso no rosto e lágrimas nos olhos, deixa-o a chorar. Mais tarde, cria um manequim à sua semelhança para a manter por perto durante os julgamentos que lhe cabem. Com esta história, Death Parade mostra que perceber o que as pessoas são em face da morte exige mais do que julgá-las.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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