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10 animes cyberpunk brutais que tens mesmo de ver

Néones, megacorporações, implantes e distopias onde sobreviver já é uma vitória, o cyberpunk sempre encontrou no anime o seu habitat natural. Aqui estão os títulos que definiram o género e continuam a fazer sentido hoje.

10
Cyber City Oedo 808

Cyber City Oedo 808 anime visual

Para quem nunca ouviu falar desta série, a premissa parece simples, três criminosos condenados são recrutados pela Cyber Police para proteger a futurista cidade de Oedo no ano 2808, com cada missão bem-sucedida a reduzir as suas penas. Mas o que torna este OVA de 1990, produzido pela Madhouse, num clássico duradouro não é a complexidade da premissa, é a forma como a executa com uma energia quase brutal.

Cyber City Oedo 808 não tenta ser mais do que é. Não há grandes ambições filosóficas nem arcos narrativos elaborados. O que há é um thriller cyberpunk visceral, com uma estética de néon e betão que capta perfeitamente o espírito do final dos anos 80, personagens carismáticos apesar do tempo de ecrã limitado, e uma acção que raramente perde o ritmo. Para quem quer uma introdução ao género sem grande comprometimento de tempo, este é um ponto de entrada honesto e satisfatório. O problema, para muitos, é que os três episódios acabam demasiado cedo.

9
Bubblegum Crisis

Bubblegum Crisis visual

Lançado entre 1987 e 1991, Bubblegum Crisis é uma das obras que melhor encapsulam o que foi o boom de OVAs dos anos 80, com tudo de bom e de excessivo que isso implica. A série passa-se em Mega Tóquio, onde um grupo de vigilantes femininas com armaduras de combate avançadas se confronta com uma megacorporação poderosa chamada Genom e com os seus androides cada vez mais instáveis.

O que torna Bubblegum Crisis fascinante é precisamente a transparência das suas influências. Blade Runner está lá, Streets of Fire também, e vários animes de mecha da época são referenciados sem pudor. Mas o resultado não é uma cópia, é uma colagem criativa com uma identidade própria, uma energia caótica e uma estética que só os anos 80 japoneses conseguiram produzir. A narrativa é por vezes incoerente, os episódios foram lançados ao longo de anos com mudanças de tom evidentes, e o final original ficou incompleto. Nada disso importa muito. Bubblegum Crisis é uma obra de época, no melhor sentido da expressão, e o seu impacto no género é inegável.

8
Psycho-Pass

Psycho-Pass 2 visual HD

Estreado em 2012 e produzido pela Production I.G., Psycho-Pass é provavelmente o anime desta lista que melhor envelhece à medida que o mundo real avança. A premissa é simples de explicar, no Japão do futuro, um sistema computacional chamado Sybil avalia continuamente o estado mental de cada cidadão, calculando a sua probabilidade de cometer um crime. Quem ultrapassa o limiar estabelecido pode ser detido, ou eliminado, antes de agir.

O que distingue Psycho-Pass de outros animes de ficção científica com premissas semelhantes é a recusa em tomar partido de forma fácil. A série não apresenta o sistema Sybil como pura vilania nem como utopia bem-intencionada, apresenta-o como uma realidade com as suas próprias lógicas e consequências, e deixa os personagens, e o espectador, a navegar essa ambiguidade. A inspectora Akane Tsunemori começa como uma idealista e vai sendo confrontada com o facto de que o sistema que serve pode ser simultaneamente justo e monstruoso. Para quem gosta de thrillers policiais bem executados com uma camada filosófica genuína, e não apenas decorativa, Psycho-Pass é difícil de igualar.

7
Ergo Proxy

Ergo Proxy

Produzido em 2006 pela Manglobe, Ergo Proxy é o tipo de anime que divide completamente as opiniões. Para uns, é denso, lento e críptico a um ponto que beira a inacessibilidade. Para outros, é precisamente essa recusa em facilitar as coisas que o torna memorável. A história passa-se num mundo pós-catástrofe ecológica onde os humanos vivem em cidades fechadas sob cúpulas, assistidos por androides chamados AutoReivs. Quando um vírus começa a despertar a consciência nesses androides, a inspectora Re-l Mayer abre uma investigação que vai desfazendo, camada por camada, a narrativa oficial do mundo em que vive.

Ergo Proxy não é um anime para consumo casual. O ritmo é deliberado, as referências filosóficas são abundantes, e a série confunde intencionalmente antes de explicar, quando explica. Mas quem investe nessa experiência encontra um dos exercícios de world-building mais coerentes e perturbadores do cyberpunk japonês, com uma protagonista que é simultaneamente distante e fascinante. É o género de obra que muda de significado consoante o momento da vida em que é vista.

6
Trigun / Trigun Stampede

Trigun Stargaze anime poster

Trigun existe em múltiplas formas, o mangá original de Yasuhiro Nightow, publicado desde 1995, o anime clássico de 1998, e o reboot Trigun Stampede, produzido pelo Studio Orange e estreado em 2023. À primeira vista, parece um western espacial com elementos de comédia, não um anime cyberpunk. E de certa forma é isso mesmo. Mas o cyberpunk não é apenas uma estética, é uma estrutura de valores, e Trigun cumpre-a integralmente.

O planeta árido e sem nome onde a série se passa é governado pela escassez tecnológica, pela violência como regra e por corporações que controlam os recursos de que todos dependem. Vash the Stampede, o protagonista, é um pacifista inveterado num mundo que pune consistentemente a compaixão, e é esse conflito que carrega a carga temática do género. O “high-tech, low-life” do cyberpunk está todo ali, mesmo que a estética vá buscar mais ao western do que ao noir urbano. Trigun Stampede renova a história com uma animação 3D CGI de alta qualidade que é marca do Studio Orange, e aprofunda os arcos mais sombrios do material original.

5
Serial Experiments Lain

Serial Experiments Lain anime visual

Lançado em 1998 pela Triangle Staff, Serial Experiments Lain é provavelmente o título desta lista que mais desafia qualquer tentativa de sinopse. Lain Iwakura é uma adolescente introvertida que começa a explorar a Wired, o equivalente da internet neste universo, após receber um e-mail de uma colega que se suicidou. A partir daí, a série desfaz progressivamente a fronteira entre o mundo físico e o digital, entre a identidade e a projecção, entre a memória e a fabricação.

O que torna Serial Experiments Lain extraordinário, e simultaneamente desafiante, é a sua recusa em oferecer clareza. A série não explica a sua mitologia, não resolve as suas contradições, não reconforta o espectador. Em vez disso, cria uma experiência quase sensorial de desorientação controlada, com uma estética visual única, cabos eléctricos em céus cor de cobre, estática, silêncio, que comunica muito mais do que o diálogo. Em 1998, isto era vanguarda absoluta dentro do género.

4
Cyberpunk: Edgerunners

Estreado em Setembro de 2022 na Netflix e produzido pelo Studio Trigger sob supervisão da CD Projekt RED, Cyberpunk: Edgerunners chegou num momento inesperado, o jogo Cyberpunk 2077 tinha tido um lançamento problemático em 2020, e transformou completamente a perceção pública de todo o universo. Em dez episódios, a série conta a história de David Martinez, um adolescente que perde tudo numa Night City implacável e decide sobreviver tornando-se um mercenário cibernético.

O que o Studio Trigger fez com este material é notável. A identidade visual da série, frenética, saturada, com uma brutalidade estilizada que é marca da casa, encaixa perfeitamente na estética de Night City sem a copiar passivamente. Mas o que eleva Edgerunners acima de uma excelente produção de acção é a dimensão humana da história de David, a sua relação com Lucy, o custo crescente dos implantes cibernéticos na sanidade, a ilusão da ascensão social num sistema desenhado para triturar quem tenta escalar. É um anime que consegue ser simultaneamente espetacular e genuinamente emotivo, e que tem um final que poucos esquecem. Uma segunda temporada, Cyberpunk: Edgerunners 2, foi anunciada em Julho de 2025, com uma história e personagens completamente novos.

3
Texhnolyze

Texhnolyze anime visual

Há animes que entretêm, há animes que impressionam, e há animes que perturbam de uma forma que demora tempo a processar. Texhnolyze, produzido em 2003 pela Madhouse, pertence definitivamente à terceira categoria. A série passa-se em Lux, uma cidade subterrânea em colapso lento, onde facções rivais lutam pelo controlo de um território que já não vale a pena controlar. O protagonista, Ichise, é um lutador a quem são amputados um braço e uma perna como punição por uma ofensa menor, e que recebe depois próteses experimentais que o arrastam para o conflito entre essas facções.

Texhnolyze é deliberadamente desumanizante nos primeiros episódios, pouco diálogo, ritmo quase contemplativo, uma paleta visual que parece ter retirado a cor de propósito. É uma série que pede paciência activa, não passividade. Quem atravessa essa barreira inicial encontra um dos retratos mais honestos e sombrios que o cyberpunk já produziu, um mundo onde a tecnologia não promete nada, onde a esperança é uma fraqueza e onde o colapso é apresentado não como tragédia mas como inevitabilidade. É difícil recomendar Texhnolyze sem ressalvas. Mas é igualmente difícil negar que é uma obra singular que não se esquece.

2
Ghost in the Shell

Ghost in the Shell movie screenshot

Falar de Ghost in the Shell obriga a distinguir entre a franquia, que existe desde o mangá de Masamune Shirow, publicado em 1989, e o filme de 1995 dirigido por Mamoru Oshii, que é onde a maioria das pessoas começa e que continua a ser o seu ponto mais alto. O filme passa-se em 2029 num Japão tecnologicamente avançado, onde a Major Motoko Kusanagi, uma agente de operações especiais com um corpo quase inteiramente cibernético, investiga um hacker enquanto questiona a natureza da sua própria consciência.

O filme foi pioneiro na combinação de animação tradicional com computação gráfica, numa mistura que Mamoru Oshii usou para criar paisagens urbanas de uma densidade visual extraordinária, fortemente inspiradas em Hong Kong, numa escolha que carregava uma dimensão política sobre identidade e soberania. A banda sonora de Kenji Kawai, que mistura canto tradicional japonês com elementos electrónicos, contribui para uma atmosfera que é simultaneamente tecnológica e ritualística. Mas o que torna Ghost in the Shell verdadeiramente incontornável é a qualidade das perguntas que coloca, o que define a identidade quando o corpo é substituível? Quando é que uma entidade criada artificialmente tem direito a ser reconhecida como pessoa? São perguntas de 1995 que a actualidade transformou em questões urgentes, e o filme não perde nada da sua força. Foi uma das referências declaradas dos irmãos Wachowski para a trilogia Matrix, e o seu impacto na cultura pop continua a fazer-se sentir.

1
Akira

Poster IMAX do Remaster 4K de Akira

Não há forma de falar de cyberpunk no anime sem começar, ou acabar, por Akira. O filme de 1988, escrito e realizado por Katsuhiro Otomo a partir do seu próprio mangá publicado desde 1982, é uma obra fundadora num sentido literal, definiu a estética, o vocabulário visual e muitas das obsessões temáticas que o género continuaria a explorar durante décadas. Passa-se numa Neo-Tóquio distópica de 2019, onde Kaneda e o seu melhor amigo de infância Tetsuo se veem no centro de uma crise que envolve poderes psíquicos, experiências governamentais secretas e uma cidade à beira do colapso social.

A produção de Akira foi, para a época, extraordinária, mais de 160 000 fotogramas desenhados à mão, 327 cores diferentes com 50 delas criadas especificamente para o filme, e todas as falas gravadas antes da animação para garantir uma sincronia labial perfeita. O resultado é um filme com uma fluidez de movimento e uma presença visual que continuam a impressionar, quase quarenta anos depois. Matrix, Stranger Things, inúmeros videoclipes e produções de ficção científica carregam a sua sombra. A história de Kaneda e Tetsuo é, no fundo, uma história sobre o que acontece quando o poder cresce mais depressa do que a sabedoria para o controlar, uma ideia que na atualidade não perdeu nenhuma urgência.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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