O verão de 2026 já ficou para trás e o calendário anime começa a virar-se para o outono, mas há finais que continuam a dar que falar. Aqui ficam cinco séries anime que encerraram a temporada da melhor forma.
5Daemons of the Shadow Realm
Conhecida no Japão como Yomi no Tsugai, esta é a adaptação do mangá de Hiromu Arakawa, publicado na revista Monthly Shonen Gangan desde dezembro de 2021. A Bones Film, com direção de Masahiro Ando, o mesmo de Sword of the Stranger, estreou a série a 4 de abril e manteve-a em exibição, sem interrupções prolongadas, até ao 24º episódio, a 19 de setembro. Ou seja, atravessou a primavera e o verão, algo pouco habitual numa altura em que a maioria das séries se fica por uma estação.
Uma duração destas costuma ser um risco para qualquer final, mas a série conseguiu evitar esse problema. A história em torno dos gémeos Yuru e Asa e das misteriosas criaturas conhecidas como Daemons foi sempre tecida de forma a manter a tensão, e as várias personagens tiveram tempo para brilhar. Nos últimos episódios, o argumento introduz novos nomes e aprofunda a história, em vez de tentar arrumar tudo à pressa.
Essa opção acabou por ser confirmada logo a seguir ao episódio final, quando foi anunciada uma segunda temporada, de novo a cargo da Bones Film.
4Jaadugar: A Witch in Mongolia
A Science SARU, o estúdio por detrás de Devilman Crybaby e DanDaDan, apostou aqui num registo pouco habitual. O anime adapta o mangá A Witch’s Life in Mongol, de Tomato Soup, publicado pela Akita Shoten, e passa-se no século XIII, durante o Império Mongol. A história acompanha Sitara, uma jovem que é levada para a Mongólia depois de a sua terra ter sido invadida, e que, sob o nome de Fatima, começa a planear a sua vingança. A direção é de Abel Góngora, que também co-dirigiu a segunda temporada de DanDaDan, e a direção executiva está a cargo de Naoko Yamada.
O que mais impressionou foi a mudança de tom. A série arranca com um aspeto quase de livro ilustrado, doce e acolhedor, mas dá uma reviravolta logo no segundo episódio e transforma-se num drama histórico sobre poder e opressão. Aos poucos, a vingança pessoal de Sitara cresce para algo maior, um conflito político em que entram várias personagens, algumas vítimas da tirania do império, outras do patriarcado. Entre as alianças que ganham peso está a que Fatima estabelece com Töregene, a sexta mulher de Ögedei Khan.
O último episódio exibido a 12 de setembro, deixa duas mulheres a unirem esforços para derrubar o império, enquanto o novo líder é apresentado como alguém com a sua própria visão e vontade de mudar. É um desfecho que mostra bem o que fez desta série uma proposta diferente do verão e que cria as condições para uma segunda temporada. O mangá está longe de terminar, o que deixa história para contar.
3Black Torch
O shonen do verão tem uma origem pouco comum. Black Torch nasceu como mangá de Tsuyoshi Takaki, publicado na Jump Square entre dezembro de 2016 e março de 2018, e foi cancelado antes do tempo. É raro um mangá interrompido chegar a ganhar uma adaptação anime, e o mérito coube ao 100studio, que apresentou a série na Emerald City Comic Con em março de 2025 e a estreou a 4 de julho, com direção de Kei Umabiki e música de Yutaka Yamada.
A história segue a receita clássica do género. Jiro Azuma é um adolescente descendente de uma longa linhagem de ninjas, capaz de comunicar com animais, e a sua vida muda quando encontra um gato negro ferido chamado Rago. Só que Rago não é um gato comum, é o Black Star of Doom, uma figura lendária entre os mononoke, os espíritos do folclore japonês. Perante a ameaça dos espíritos que querem explorar os seus poderes, entra em cena uma organização secreta, o Bureau of Espionage.
O que faz da série a melhor estreia shonen do ano é a forma como se serve de vários conceitos-comuns do género sem perder identidade, e como consegue contar tudo em apenas 12 episódios, sem quebrar o ritmo. O combate final resolve um grande conflito entre humanos e espíritos, mas deixa a sensação de que nem tudo está fechado. O anime terminou a 19 de setembro e adaptou a totalidade da obra original, e o próprio Takaki já disse que não tem planos para continuar o mangá, mas que gostaria de ver a série voltar com uma história original.
2Smoking Behind the Supermarket with You
A Asahi Production adaptou para anime o mangá de Jinushi, editado pela Square Enix. A série estreou-se no Japão a 9 de julho, tem 12 episódios e chegou ao resto do mundo através da Crunchyroll. Esta é uma das séries que mais se destacou pelo seu público-alvo adulto, algo raro nos últimos anos.
O ponto de partida é quotidiano. Sasaki é um funcionário de escritório na casa dos 40 anos, cujo pequeno alívio do dia a dia é fumar e a simpatia de uma funcionária do supermercado do bairro. Numa noite, depois de um dia particularmente difícil, é convidado por uma mulher misteriosa a juntar-se a ela na zona de fumadores, nas traseiras da loja, e é ali que a rotina começa a mudar. A série é uma comédia romântica típica na estrutura, mas com uma atmosfera de filme noir e um ritmo lento.
O final consolida a relação entre Sasaki e Tayama, uma ligação madura em que ambos percebem as dificuldades um do outro e se apoiam. O último episódio em vez de forçar uma aproximação rápida, deixa Sasaki mais vulnerável do que nunca e mantém o ritmo calmo que caracterizou a série desde o início.
1Chainsmoker Cat
O anime mais adulto da Netflix este ano adapta o mangá Yani Neko, de NyanNyanFactory, publicado na Weekly Young Magazine, da Kodansha, desde fevereiro de 2023. A Bibury Animation Studios ficou responsável pela animação, com Taku Kimura na direção, e a série estreou a nível mundial a 2 de julho, com episódios semanais e uma versão sem cortes. No Japão, a emissão decorreu entre 3 de julho e 25 de setembro, com uma versão censurada na Tokyo MX e na BS11 e outra sem cortes no canal AT-X.
Os primeiros trailers causaram agitação entre os fãs e levantaram suspeitas de que a série pudesse promover o tabaco. Na realidade, aconteceu o contrário, a história de humanos e gatos híbridos, cuja fuga passa por uma substância prejudicial, funciona mais como um retrato das consequências do vício. Ao longo de 12 episódios, mistura comédia negra com elementos bem mais sombrios, tratando temas como o trauma e a baixa autoestima, sempre a par de piadas para adultos.
Nesse sentido, o final não pretende resolver tudo por magia. As dificuldades das personagens são apresentadas como cicatrizes com que vão ter de viver, sem que isso as impeça de tentar ser melhores do que eram na véspera.








