Ameaças de morte contra Otakus levam a “prisão” de líder de grupo islâmico

Ahmad Israpilov líder do Imamah of Dagestan
Ahmad Israpilov líder do Imamah of Dagestan

Em fevereiro deste ano noticiámos que a convenção russa AniDag Festival acabou por ser cancelada quando mais de 100 homens se reuniram para impedir o evento ameaçando bater nos participantes. Eles prometeram “enterrar”, “atirar” e “matar” os fãs de anime e cultura japonesa por estes alegadamente “corromperem” a juventude do Daguestão e terem atitudes não islâmicas.

O site russo Kommersan vem agora revelar que Ahmad Israpilov, o líder e administrador da comunidade nas redes sociais “Imamah of Dagestan” foi condenado por “incitação pública a atividade extremista” contra os visitantes do AniDag Festival.

Ahmad Israpilov, de 18 anos, foi condenado a dois anos em liberdade condicional, embora, como afirmou o seu advogado, ele não considere as suas ações ilícitas.

Israpilov foi condenado nos termos do artigo 280 do Código Penal da Federação Russa, que cobre incitação pública a atividades extremistas. As leis federais russas aplicam-se no Daguestão, embora a região principalmente rural e profundamente islâmica tenha o seu próprio conjunto de costumes e o domínio russo sobre a região seja ténue.

Na altura, Saida Tuchalova, organizadora do evento, disse que as autoridades apareceram para manter a ordem pública, mas pareciam estar do lado dos manifestantes do lado de fora. Ela chegou mesmo a dizer que os polícias assediaram os fãs rotulando o evento como um “encontro LGBT”. Antes do término do evento, ela foi detida brevemente pela polícia, mas libertada à noite sem nenhuma acusação.

Tuchalova afirmou que tudo começou quando um vídeo chegou à mídia social da República do Daguestão dos cosplayers do evento. O vídeo foi colocado no Instagram, apesar de um pedido para ser excluído, e tornou-se viral. A polémica forçou o local do evento a desistir do acordo para receber o AniDag Festival.

O diretor do teatro, Magomedrasul Magomedrasulov, recusou-se a cumprir o contrato e permitir que o festival fosse adiante. Ela disse que ele acusou os organizadores de “enganá-lo” e “andou pelo corredor a insultar as meninas, dizendo que elas pareciam prostitutas”.

Cada vez mais surgem vindos da Rússia e países circundantes relatos aterradores de perseguições e até tortura a elementos da comunidade LGBT e de outras minorias que alegadamente “corrompem” a juventude.

Podem conhecer aqui melhor o que aconteceu no evento e o que levou a toda esta confusão.