Back Street Girls – Ep.3: “Mestre das garotas”

Hoje traga-vos uma análise um pouco diferente das anteriores. Irei fazer uma dar a minha opinião geral face ao que achei dos últimos três episódios, porém, depois também irei destacar alguns dos momentos do episódio. Há quem refira a regra dos três episódios (ou até mais), como uma espécie de método para fazer um levantamento da série, de forma a determinar se quer ou não continuar a vê-la.

Primeiro de tudo, algo não relacionado com a performance artística em si: os episódios deveriam estar a sair à quarta-feira, mas não é o que está a acontecer pois têm saído mais tarde, desta vez até foi ao domingo. Tal como nos outros dois episódios, a animação de Back Street Girls continua particularmente tosca, permitam-me a expressão. O facto dos episódios serem repartidos em sucessivas partes também não ajuda, é como se cada segmento do episódio se tratasse de um capítulo do manga, tornando a sincronização da animação ainda mais estática. Consequentemente, ao fim deste terceiro episódio sinto-me um pouco desiludido com a J.C.Staff, que possui adaptações para séries anime que eu tanto aprecio. Tal descuido deve-se ao facto do estúdio de animação estar a centrar grande parte dos seus esforços em Satsuriku no Tenshi (Angels of Death), série anime que também estreou na temporada de Verão. Por isso é normal que tenham investido menos tempo e dinheiro em Back Street Girls, que não deixa de ter a sua razoável legião de fãs, pois como todos sabemos o fan service ajuda e de que maneira a aumentar significativamente o interesse em assistir a animes deste género. Para mim, esta série anime está inserida naquilo que costumo designar por categoria low cost, no entanto apresenta as suas qualidades.

Já que a nível visual não é de todo o melhor anime da temporada, no que toca à comédia propriamente dita tenho-vos a dizer que esta série é um autêntico espetáculo. Mesmo com as súbitas paragens que se dão entre os vários segmentos de cada episódio, não consigo desviar a minha atenção do ecrã. As pequenas peripécias das idols são genuinamente engraçadas. Mas nem tudo é comédia, o que é estranho quando se fala numa série anime de comédia. O anime também consegue mostrar como a vida real de um indivíduo da Yakuza pode ser cruel. Posto isto, é a partir daqui que vou referir algumas das partes que considerei mais impactantes deste terceiro episódio (aposto que já estavam impacientes).

Apesar de Kinoshita ser um manager de sucesso por levar qualquer grupo de idols rumo ao estrelato e de ser doutorado em psicologia no campo especial de estudos de mulheres jovens pela universidade de Kodan, no caso das Back Street Girls, é a primeira vez que ele não consegue arranjar soluções para os problemas enfrentados pelas idols. E a razão é óbvia, porque no final de contas elas são mulheres há bem pouco tempo. Ao deparar-se com tal situação, Kinoshita decide simplesmente em recomeçar as suas pesquisas sobre o público feminino, que tanto tempo investiu nelas, totalmente do zero.

Um momento que achei imensa graça foi quando as idols foram a uma audição de um filme sobre gangues. Ao início o diretor estava a humilhá-las profundamente, porque achava o grupo demasiado fofo para o filme em questão. No entanto, como elas tinham a experiência perfeita para desempenhar as personagens que lhes foram pedidas, elas deram um fabuloso espetáculo, totalmente inesperado por parte do diretor. Ao fim, até rolou a cabeça de um manequim, protagonista do filme. Como tal, foram rejeitadas por chamarem mais atenção do que a personagem principal.

Depois de Chika (antigo Kazuhiko), ter ido a casa do pai para contar o que lhe tinha acontecido ao fim deste tempo todo, Mari decide fazer o mesmo. O que ela não contava é que o seu pai também se tivesse tornado numa mulher. Ele que antigamente era um Yakuza tal como o seu filho, decidiu optar por ter uma vida bem diferente da que possuía, ao contrário de Mari que foi obrigada a mudar de género.

Seja como for, considero uma grande vantagem para Mari o facto do seu pai ter tomado tal decisão desenfreada porque assim já teria uma mente mais aberta para compreender a situação atual da sua “nova” filha. Pai e filho eram agora mãe e filha, pelo que juntas poderiam ter pela primeira vez conversas bem femininas.

Para Shinji Takemura, uma nova personagem que vemos nesta série anime, o desfecho não foi assim tão feliz. Depois de errar num trabalho da Yakuza, se não quisesse morrer, teria que se tornar numa idol como aconteceu ao nosso trio. Obviamente que ele não queria tornar-se numa idol, mas as Back Street Girls conseguem convencê-lo pois se ele decidisse tomar toda a responsabilidade como um verdadeiro Yakuza e suicidar-se, elas seriam consideradas a vergonha da Yakuza por terem optado pela via mais fácil. No entanto, a operação não correu como esperado:

Digamos que o seu aspeto e voz não eram dignos de uma verdadeira idol, pelo que o chefe acaba por perdoá-lo e desertá-lo da Yakuza. Por fim, Takemura acaba por ir viver para Nichoume, um bairro em Tóquio habitado por uma grande quantidade de pessoas LGBT.

Análise semanal por João Gomes.