
Um caderno com a inscrição Death Note levou à suspensão de um aluno e a uma investigação policial numa escola do ensino básico em Sterling, no estado norte-americano de Massachusetts. Apesar de as autoridades não terem encontrado qualquer indício de ameaça, a mãe de uma colega diz que a filha aparece na lista e que a resposta da escola foi insuficiente.
Segundo o Boston.com, a direção da Chocksett Middle School alertou a polícia por volta das 16h00 de 30 de setembro, depois de o caderno ter sido descoberto. Os alunos já tinham saído da escola quando os agentes chegaram.
O caderno tinha uma lista de mortes, uma terminologia coerente com a do anime Death Note. A diretora, Tina Boss, explicou numa carta enviada à comunidade escolar que o aluno justificou o caderno com a série: “Quando falámos com o aluno, este explicou que o caderno estava ligado a uma série anime e que não tinha sido pensado como uma ameaça“.
A investigação incluiu dezenas de entrevistas a alunos e não encontrou indícios de que o caderno ou o seu conteúdo tivessem sido pensados como ameaça contra a escola ou contra algum aluno em particular. Boss classificou o caderno como ligado a um tema inapropriado que chegou à escola. O aluno foi suspenso durante três dias, e a escola organizou uma assembleia a 1 de outubro para tranquilizar os estudantes.
A polícia de Sterling, que reuniu com a administração e com a equipa de avaliação de ameaças da escola, não encontrou perigo imediato. Num comunicado, afirmou: “Com base na informação disponível neste momento, o Departamento de Polícia de Sterling não está a pedir acusações criminais em relação a este incidente“. Na terça-feira, 6 de outubro, houve presença policial visível na escola para tranquilizar alunos, funcionários e famílias.
Jen DiCandia, mãe de uma aluna da escola, não ficou convencida. Diz que a filha consta do que descreve como uma lista de morte e que ficou com medo de ir às aulas. Numa publicação nas redes sociais, mostrou-se profundamente desiludida com a forma como o distrito lidou com a situação e contestou o regresso do aluno à mesma sala de aula após apenas três dias de suspensão: “Ela merece sentir-se segura na sua sala de aula, todos os dias“.
DiCandia contou que a filha chorou até adormecer na noite anterior ao regresso à escola. Pediu à diretora uma ordem de afastamento entre o aluno e as filhas, mas a resposta foi que não seria possível numa escola tão pequena. Segundo a mãe, existe um plano de segurança, mas não lhe dá tranquilidade.
O mangá Death Note, de Tsugumi Ohba, acompanha um estudante que encontra um caderno sobrenatural capaz de matar quem tiver o nome escrito nas suas páginas. A obra já teve adaptações para anime e cinema, incluindo uma versão live-action na Netflix, e há muito que alguns alunos americanos reproduzem o objeto, com consequências reais.
Em setembro de 2026, um aluno de 12 anos foi detido na Florida depois de ter sido encontrada uma nota com nomes de alunos e funcionários na Argyle Elementary School. Um colega que estava sentado perto viu o aluno a escrever e avisou de imediato uma professora, que recuperou a nota do lixo. O aluno foi acusado ao abrigo da lei estadual sobre ameaças escritas.
Em 2008, dois alunos de 12 anos foram detidos no Alabama depois de as autoridades encontrarem um caderno inspirado em Death Note com nomes de alunos e funcionários. Os rapazes disseram à direção da escola que era uma brincadeira, mas o caso foi tratado como ameaça terrorista. Já em 2015, o caderno de uma escola secundária em Nashua, no New Hampshire, tinha 17 nomes e levou os pais a manifestar preocupação com a segurança dos filhos.









