Presidente da Kadokawa fala sobre a censura futura na indústria anime e mangá

Produções vão começar a trilhar o caminho do "politicamente correto"

Presidente da Kadokawa fala sobre a censura futura na indústria anime e mangá

Um programa especial exibido por streaming na Abema TV mostrou uma entrevista a Takeshi Natsuno, o recém-nomeado presidente da Kadokawa, uma companhia envolvida em várias produções dentro da indústria de anime, mangá, novels e videojogos.

Na entrevista ele abordou a questão de como a indústria se deve transformar para atingir o público de forma mais eficiente. Ele mencionou que hoje, a prioridade da Kadokawa e muitas outras empresas do setor é que o Google e a Apple sejam uma ferramenta de suporte e não uma barreira impossível de lidar.

Segundo Natsuno tanto Google como Apple são atualmente os maiores meios de distribuição para empresas de entretenimento, porém, para que um produto chegue aos olhos do consumidor por meio desses gigantes da internet, é necessário que eles passem por alguns filtros para não chegarem aos destinatários errados.

Ele afirmou:

Atualmente, existem muitos mangás que possuem imagens muito extremas ou que tocam em temas delicados, isso infelizmente é um obstáculo para conseguir passar os critérios do Google e da Apple. Temos que criar um novo padrão para o que pode ser mostrado ao público e o que não pertence mais a esta era da internet.

A empresa para a qual trabalho está cheia de pessoas que estão do lado da liberdade, mas acho que devemos dar um passo atrás.

Esta declaração tornou-se viral nas redes sociais japonesas, com muitos fãs de anime e mangá a temerem uma transformação do que é atualmente a indústria otaku no Japão, caracterizada por ter um lado que explora o fanservice e questões controversas. No entanto, parece que as empresas que se dedicam à produção vão começar a trilhar o caminho do “politicamente correto” para poder continuar sem restrições.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.