
Os fãs de Black Lagoon têm motivos para acreditar que algo está a ser preparado para 2026. Durante meses, a comunidade de anime tem alimentado especulações sobre um possível novo projeto anime, alimentadas pelas recentes declarações do criador Rei Hiroe. Quando questionado repetidamente sobre a possibilidade de uma continuação do anime nas redes sociais, o mangaká japonês abandonou as respostas negativas firmes do passado e começou a responder com frases vagas como “não é impossível”.
A data em questão não é arbitrária. 2026 celebra duas décadas desde que o estúdio Madhouse lançou a primeira temporada da adaptação para anime em 2006, tornando-se num dos títulos de referência do estúdio. Desde então, os fãs da série tiveram apenas um OVA entre 2010 e 2011, Roberta’s Blood Trail, deixando um vazio de quase 15 anos sem novos episódios.
O mangá Black Lagoon de volta à vida
O timing das especulações coincide com desenvolvimentos concretos no lado editorial. Após anos de pausas prolongadas, consequência da luta aberta de Hiroe contra a depressão desde 2010, a obra regressou à serialização regular na Monthly Sunday Gene-X em julho de 2025. Este regresso marca um ponto de viragem importante para uma série que já tinha ultrapassado os 9,5 milhões de cópias em circulação até dezembro de 2023.
O volume 14 está confirmado para 2026, criando uma simetria perfeita entre o calendário editorial e o aniversário da adaptação para anime. Para os analistas da indústria, esta convergência não parece acidental. Com material acumulado nos volumes 10 a 13 mais o próximo lançamento, existe conteúdo suficiente para justificar 12 episódios ou uma nova série de OVAs focada no arco The Wired Red Wild Card.
Quem conhece Black Lagoon sabe que a série nunca foi apenas sobre tiroteios cinematográficos. Lançado em 2002, o mangá de Rei Hiroe segue Rock, um trabalhador de escritório que transforma o sequestro pela Lagoon Company numa oportunidade de recomeço. Abandonado pela própria empresa que se recusou a pagar o resgate, junta-se aos mercenários piratas que operam nas águas do sudeste asiático.
A estética visual homenageia John Woo e Quentin Tarantino, mas o peso narrativo vem dos diálogos afiados sobre moralidade e sobrevivência numa cidade onde as regras convencionais não existem. Roanapur funciona como personagem própria, um porto criminoso onde todas as decisões existem em tons de cinzento.
A franquia mantém-se relevante através de spinoffs como Sawyer the Cleaner e Eda Initial Stage, provando que o apetite por este universo noir persiste. Os números não mentem, mesmo com hiatos prolongados, cada regresso do mangá gera atenção mediática e vendas consistentes.
Resta saber se 2026 trará finalmente o anúncio oficial que a comunidade aguarda ou se estas especulações permanecerão apenas como rumores. Uma coisa é certa, se as pistolas de Revy voltarem a disparar em animação, a Madhouse, ou qualquer estúdio que assuma o projeto, terá uma audiência faminta à espera.
Hiroe foi também o criador original da série anime Re:CREATORS. Foi também responsável pelos designs originais das personagens e escreveu e supervisionou os guiões da série. O anime de 22 episódios estreou em abril de 2017.









