Será Kimetsu no Yaiba uma boa adaptação?

Será Kimetsu no Yaiba uma boa adaptação?

Kimetsu no Yaiba de Koyoharu Gotouge, está a ser adaptado desde o dia 6 de abril pela ufotable, já com 9 episódios exibidos e 26 episódios programados. Kimetsu tem sido um dos animes mais populares desta temporada, a par de One-Punch Man 2 e Attack on Titan 3 parte 2, grande parte de seu sucesso deve-se ao seu já anteriormente popular mangá e ao estúdio ufotable, reconhecido pelas suas belas e estéticas animações.

O que vou comentar hoje pode ser meio contraditório com o que a maioria pensa, neste tema sobre a adaptação de Kimetsu eu tenho um grande “mas”, vou apontar os aspetos negativos que me fazem dizer que o anime de Kimetsu está longe de ser perfeito, mas também dar os devidos méritos visuais à ufotable, claro.


Será Kimetsu no Yaiba uma boa adaptação

Tirando o primeiro episódio que adaptou apenas o primeiro capitulo (que continha mais de 60 páginas) do mangá, o anime tem adaptado quase “religiosamente” 2 capítulos por episódio. O problema de Kimetsu começa logo por ai, já é muito típico em adaptações de mangás shonen (por exemplo os da weekly shonen jump) adaptarem poucos capítulos por episódio para não alcançarem o mangá e terem mais conteúdo para adaptar em vez de escolher a outra via que é a produção de fillers. Para terem uma ideia One Piece atualmente não deve sequer atingir 1 capitulo por episódio e Fairy Tail apenas adapta 1,5 capítulos por episódio. Alguns podem preferir esse modelo outros podem preferir ter fillers tendo uma adaptação mais “cuidada” do mangá, mas por outro lado a grande quantidade de fillers (se for o caso) acaba por transformar o anime em algo aborrecido se for mal utilizado. Naruto um dos animes mais conhecidos por esse mesmo modelo foi capaz de adaptar em média 3 capitulos por episódio graças ao sistema de fillers, tal como Bleach (outro anime sinonimo com fillers) seguiu o mesmo modelo adaptando também cerca de 3 capitulos por episódio.

A verdade é que os fillers são cada vez menos o modelo escolhido, hoje em dias temos animes como My Hero Academia, que na minha opinião é um dos melhores exemplos de uma boa adaptação, tendo apenas uma temporada de 13/24 episódios por ano, com o número de fillers a não passar de um por temporada e segue o mangá de forma a seguir um ritmo coerente sem a necessidade de apressar ou quebrar o ritmo da obra original. Outros bons exemplos desse modelo são The Promised Neverland, Haikyuu e até Jojo.

Será Kimetsu no Yaiba uma boa adaptação

Já Kimetsu segue a mesma via, seguindo o mangá de perto e até usando o mesmo “timing“, o que não se traduz muito bem para a forma de anime. A adaptação de Kimetsu até começou bastante bem, com ritmo consistente e coerente, não perdendo muito tempo com “coisas” desnecessário. Teve até alturas que pensei que estaria a avançar rápido demais, mas até esse aspeto foi adaptado exatamente do mangá. Sobre a sua lentidão foi mais a partir do episódio 6 que se fez sentir, é certo que nas partes de “construção” de momento e com menos ação é suportável, mas o ritmo em que as batalhas são feitas é bastante frustrante.

Sem dúvida que a animação (que eu vou falar um pouco mais à frente) é um grande “plus” nesta adaptação, tanto no uso do 3DCG como nos efeitos e a não existência de censura é um aspeto até surpreendente tendo em conta o “gore” que Kimetsu demonstra. No entanto esse aspeto acaba sempre por ser assombrado pelo ritmo das batalhas. Entre monólogos, explicação de técnicas já reveladas anteriormente e adaptação quase que “quadro a quatro” do mangá, só para enumerar alguns apetos “desnecessários” que fazem esta adaptação não ter uma identidade própria, ou por outras palavras, onde está o “toque” do diretor(es) no anime.


Será Kimetsu no Yaiba uma boa adaptação

Olhando para a staff, começando pelo diretor geral Haruo Sotozaki com experiência em direção apenas na franquia de “Tales”. Quando foi anunciado o staff para o anime foi um dos aspetos que me deixou de duvidoso sobre esta adaptação, ir de uma adaptação de um jogo para um mangá tão popular como Kimetsu e sem grandes provas dadas de sua direção com certeza me causou alguma preocupação, que agora se comprova pela sua falta de identidade nesta adaptação. E fato curioso ou engraçado, os episódios que menos gostei foram os que ele esteve responsável pelos storyboards…

De notar que, de longe está não é a melhor staff da ufotable. Talentos “chave” do estúdio como Tomonori Sudou, designer de personagens em Fate/Zero e Unlimited Blade Works, tal como Garden of Sinners (Kara no Kyōkai); Akira Hiyama no enredo dos mesmo; Takahiro Miura nos storyboars de Heaven’s Feel; Kei Tsunematsu storyboarder em Fate/Zero e diretor de Heaven’s Feel I, entre outros diretores de animação e animadores que estão apontado as suas forças para a trilogia de Heaven’s Feel.

Para ser sincero, não tenho nada de negativo a apontar para o resto da staff principal. Akira Matsushima (designer de personagens) fez um excelente trabalho nos designs, Masahiro Kimura (designer de arte), Yuichi Terao (diretor de fotografia) e Yūko Ōmae (designer de cores) estão a fazer um bom trabalho ao garantir que a animação seja tão linda e colorida como podemos ver até agora. Ainda Kazuki Nishiwaki (diretor de 3DCG) está também a fazer um excelente trabalho a supervisionar as cenas em 3D que até agora têm estado espetaculares, muitas delas superam outras cenas em 2D tradicional.

Ainda quero destacar Masayuki Kunihiro, um dos animadores principais de kimetsu e grande talento da ufotable, tem participado nas populares franquias da “ufo”, fate, tales e kara no kyoukai, que nos tem presenteado com várias cenas fantásticas de ação desde o primeiro episódio como esta:

Por último, só quero deixar esta nota, que é que este artigo foi apenas uma opinião minha do momento. É mais fácil julgar o ritmo de um anime quando só se assiste semanalmente, até pode ser que mude de opinião (o que é pouco provável), mas neste momento é o que eu penso de Kimetsu. Chamar uma péssima adaptação seria um pouco demais, mas sem dúvidas que para mim tem sido uma desilusão.