InícioCinemaOs 10 filmes que dominaram o verão de 2026

Os 10 filmes que dominaram o verão de 2026

Ninguém apostava muito alto no verão de cinema de 2026. Depois de vários meses de previsões pouco animadoras, o público decidiu provar precisamente o contrário, gastando qualquer coisa como 4,6 mil milhões de dólares em bilhetes entre julho e setembro. O dinheiro não foi só para os habituais blockbusters, pequenas produções tornaram-se fenómenos nas redes sociais e partilharam protagonismo com épicos históricos, numa das temporadas mais equilibradas dos últimos anos.

10
Spider-Man: Brand New Day

Depois de anos a apostar em multiversos cada vez mais complexos, a Marvel decidiu voltar ao básico, e o público recompensou essa mudança de estratégia de forma quase imediata. Spider-Man: Brand New Day estreou com a segunda maior abertura de sempre nas bilheteiras, atrás apenas de Avengers: Endgame, depois de arrecadar cerca de 355 milhões de dólares só no primeiro fim de semana em território norte-americano.

Grande parte desse sucesso deve-se à decisão do realizador Destin Daniel Cretton de deixar a fadiga do multiverso para trás e concentrar praticamente tudo no isolamento de Peter Parker. É um Spider-Man que passa boa parte do filme a observar os amigos à distância, sem se revelar, enquanto tenta, sozinho, manter Nova Iorque a salvo.

Tom Holland aproveita esse espaço para entregar uma das interpretações mais adultas de toda a sua carreira na personagem, e a curiosidade em torno da misteriosa personagem interpretada por Sadie Sink, só ajudou a alimentar ainda mais a conversa à volta do filme nas semanas seguintes à estreia.

9
Tony

A maioria dos biopics tenta contar uma vida inteira em pouco mais de duas horas. Tony faz exatamente o oposto, concentra-se apenas num único verão caótico, em 1975, na pequena localidade de Provincetown, inspirando-se nos primeiros capítulos das memórias de Anthony Bourdain para construir toda a narrativa.

É essa escolha de foco que dá espaço a Dominic Sessa para construir um Bourdain de dezanove anos arrogante, inseguro e que praticamente tropeça na cozinha só para impressionar uma jaovem. O resultado é um retrato bem mais interessante do que qualquer resumo biográfico convencional conseguiria oferecer.

O realizador Matt Johnson aposta ainda numa estética crua, quase por polir, típica da produtora A24, com Antonio Banderas a destacar-se no papel de chef principal, exigente por fora mas visivelmente atento ao bem-estar de quem trabalha para ele. Os fãs de Bourdain têm sublinhado precisamente isso, Tony recusa-se a transformar o autor numa figura mitificada, preferindo mostrar sem filtros a dureza da vida dentro de um restaurante.

8
Project Hail Mary

Adaptar Andy Weir para o cinema nunca é tarefa fácil, mas Phil Lord e Christopher Miller conseguiram transformar Project Hail Mary num dos êxitos de ficção científica mais visualmente ambiciosos do ano. Ryan Gosling interpreta Ryland Grace, um simples professor de ciências do ensino básico que acorda sozinho numa nave espacial, sem qualquer memória do que o levou até ali.

À medida que a história avança, Ryland percebe que é, literalmente, a última esperança da humanidade contra um organismo capaz de devorar estrelas inteiras, uma premissa que poderia facilmente resultar num filme demasiado pesado. Não é isso que acontece.

O verdadeiro trunfo do filme está na relação quase de comédia entre Gosling e um engenheiro alienígena a quem a sua personagem acaba por chamar Rocky. Acompanhar as duas espécies a aprender a comunicar, num esforço conjunto para salvar os respetivos planetas, tornou-se num dos momentos mais celebrados do verão, e ajuda a explicar porque razão o público ainda tem apetite por ficção científica de grande escala quando a história é bem contada.

7
Teenage Sex and Death at Camp Miasma

Poucos filmes independentes geraram tanta conversa como Teenage Sex and Death at Camp Miasma, protagonizado por Hannah Einbinder como uma realizadora queer contratada para relançar uma franquia de terror já bastante desgastada. Ao seu lado está a veterana Gillian Anderson, no papel da sobrevivente original da saga fictícia.

Isolar as duas personagens num acampamento de verão abandonado dá ao filme espaço para ir esbatendo, aos poucos, a fronteira entre aquilo que é real e aquilo que está apenas a ser filmado dentro da própria história, um jogo narrativo que a terceira longa-metragem de Jane Schoenbrun explora com bastante confiança.

O que realmente distingue este filme, contudo, é a forma como usa as mortes violentas de um vilão de slasher fictício como metáfora para o despertar sexual e para a vulnerabilidade de baixar completamente a guarda emocional diante de outra pessoa. Uma confissão silenciosa entre as duas protagonistas acaba por enquadrar a intimidade num misto de perigo e ternura genuína, o suficiente para dominar as conversas do cinema independente durante praticamente todo o verão.

6
Backrooms

Kane Parsons tinha apenas 21 anos quando decidiu transformar um fenómeno assustador nascido na internet num êxito de bilheteira. Distribuído pela A24, Backrooms arrecadou quase 400 milhões de dólares em todo o mundo, um resultado notável para um orçamento de apenas 10 milhões, seguindo a história de um arquiteto falhado que descobre um portal misterioso na própria cave.

O que impressiona nesta estreia de Parsons é a segurança com que transporta uma estética quase à David Lynch para um formato de terror que nasceu, literalmente, dentro de fóruns da internet. Salas vazias, luzes fluorescentes a zumbir e um papel de parede entre o mostarda e o mel conseguem, de forma surpreendente, tornar-se mais assustadores do que a maioria dos monstros habituais do género.

Um dos momentos mais marcantes do filme surge quando uma simples porta se abre para um bairro suburbano infinito, escondido dentro de um edifício de escritórios sem qualquer janela. É precisamente esse tipo de imagem banal, mas profundamente errada, que Lynch passou décadas a tornar perturbadora, e que Backrooms consegue recuperar com uma naturalidade impressionante para uma estreia na realização.

5
The Drama

The Drama conseguiu, ao contrário de quase todos os outros filmes desta lista, gerar conversa antes mesmo de o público perceber do que realmente se tratava. Os trailers enigmáticos da A24 mostravam Robert Pattinson e Zendaya como um casal noivo a aproximar-se do casamento, mas entrevistas cada vez mais desconfortáveis, silêncios estranhos e discussões visíveis sugeriam que algo tinha corrido muito mal entre os dois.

Quando o verdadeiro conflito é finalmente revelado, a discussão em torno do filme só aumenta. O realizador Kristoffer Borgli constrói toda a narrativa à volta de uma confissão feita pela personagem de Zendaya, capaz de chocar profundamente a personagem de Pattinson e de obrigar quem os rodeia a decidir onde fica a própria linha moral.

Foi precisamente essa ambiguidade que garantiu a The Drama algo que muitos dos maiores êxitos do verão nunca conseguiram, uma discussão genuína, sobre honestidade e perdão, que continuou bem depois de os créditos terminarem, com o público a sair das salas em desacordo sobre se certas ações mudam para sempre a forma como se vê alguém.

4
Toy Story 5

Reabrir uma franquia que já tinha, à partida, um final praticamente perfeito é sempre um risco enorme. Ainda assim, o realizador Andrew Stanton conseguiu justificar essa aposta ao entregar uma das melhores animações de 2026, obrigando os personagens clássicos de Toy Story a competir diretamente com um tablet inteligente pela atenção da jovem Bonnie.

É Joan Cusack quem assume o protagonismo emocional do filme como Jessie, lidando com o peso de ser preterida em favor da dopamina fácil de um ecrã brilhante, um tema surpreendentemente atual para uma franquia de animação com mais de duas décadas. Alguns dos momentos mais tristes do filme surgem precisamente daí, como os brinquedos de Buzz Lightyear descartados, presos em modo de demonstração numa loja, que percebem lentamente que nunca chegaram a ser verdadeiramente amados por uma criança.

Essa melancolia deu bastante conversa a Toy Story 5, mas foi a participação de Taylor Swift na banda sonora, com o tema I Knew It, I Knew You, que ajudou a levar a discussão em torno do filme muito para além do público habitual da Pixar.

3
The Invite

Se The Drama disseca a forma como se mantém, ou não, uma promessa de casamento, The Invite escolhe dissecar aquilo que acontece depois de o casamento já ter acontecido há demasiado tempo. O thriller claustrofóbico de Olivia Wilde decorre inteiramente dentro de um único apartamento em São Francisco, onde Seth Rogen e a própria Wilde interpretam um casal exausto obrigado a lidar com os vizinhos poliamorosos do andar de cima, interpretados por Edward Norton e Penélope Cruz.

A verdadeira força do filme está na tensão hilariante, e por vezes desconfortável, entre as quatro personagens principais. Um acidente pouco convencional deixa a personagem de Rogen completamente presa ao sofá durante boa parte da história, uma imagem que acaba por funcionar quase como metáfora direta de quão preso ele próprio se sente dentro do casamento.

Sem recorrer a explosões ou a grandes reviravoltas, The Invite constrói toda a sua tensão através de diálogos afiados e interpretações sólidas, terminando sem oferecer ao público qualquer resposta moral fácil ou reconfortante.

2
Obsession

A estreia de Curry Barker na realização, Obsession, transformou-se numa das maiores surpresas de bilheteira do verão, convertendo um orçamento minúsculo num percurso comercial verdadeiramente inesperado. O filme colocou ainda Inde Navarrette na conversa para prémios de interpretação pelo papel de Nikki, a protagonista da história.

A premissa é enganadoramente simples, um rapaz chamado Bear fica obcecado por Nikki e recorre a um salgueiro mágico dos desejos para a fazer apaixonar-se por ele. Como seria de esperar, conseguir exatamente aquilo que deseja acaba por revelar-se muito mais aterrador do que Bear alguma vez imaginou.

Os sentimentos de Nikki por ele tornam-se tão intensos que o amor começa rapidamente a parecer-se mais com posse do que com afeto genuíno, e é observar Bear a perceber isso, aos poucos, que dá a Obsession o seu lado mais perturbador. Boa parte da conversa gerada pelo filme nasceu precisamente dessa ambiguidade moral, com o público a discutir se ainda existe alguma hipótese de relação normal depois de um desejo tão perigoso.

1
The Odyssey

Christopher Nolan pegou num poema com três mil anos de história e transformou-o no verdadeiro fenómeno cinematográfico do verão de 2026. Segundo os dados de bilheteira mais recentes, The Odyssey já ultrapassou 1,6 mil milhões de dólares em receitas mundiais, lotando salas IMAX em praticamente todo o planeta.

Grande parte da conversa em torno do filme passou por Matt Damon, na pele de Ulisses, e pelas próprias leituras que Nolan faz da mitologia grega, muitas vezes distantes daquilo que o público esperava de uma adaptação de Homero. Filmar todo o projeto em película IMAX de 70 milímetros já seria, por si só, motivo de destaque, mas a verdadeira conquista está naquilo que Nolan decidiu colocar diante das câmaras.

Muitos outros filmes deste verão foram maiores em escala, mais estranhos ou mais surpreendentes do que qualquer previsão inicial, mas nenhum dominou verdadeiramente a temporada da forma como The Odyssey conseguiu. Nolan pegou numa das histórias mais conhecidas de toda a humanidade e, ainda assim, fez o público correr para as salas IMAX só para descobrir o que aconteceria a seguir.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

Artigos Relacionados

Subscreve
Notify of
guest

0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente
- Publicidade -

Notícias

Populares