Mais...
    InícioJapãoJapão regista mínimo histórico de suicídios, mas jovens enfrentam risco crescente

    Japão regista mínimo histórico de suicídios, mas jovens enfrentam risco crescente

    Dados de 2025 revelam descida histórica nos casos gerais, mas suicídios entre crianças e adolescentes atingem máximo de sempre pelo segundo ano consecutivo

    Morte no Verão e Outras Histórias de Yukio Mishima capa Portugal Japão (2)

    O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão divulgou os resultados preliminares do seu estudo anual sobre suicídios, trazendo uma mistura de esperança e preocupação. Pela primeira vez desde que os registos oficiais começaram em 1978, o número total de suicídios no país ficou abaixo dos 20.000 casos anuais.

    Durante 2025, o Japão registou 19.097 suicídios, uma redução de 1.223 casos em relação ao ano anterior, o que representa uma descida de 6%. Entre os homens, foram contabilizados 13.117 casos, menos 5% do que em 2024, enquanto as mulheres apresentaram uma diminuição de 8,3%, com 5.980 casos.

    A taxa de suicídios por cada 100.000 habitantes desceu para 15,4, contra os 16,4 de 2024 e 17,6 de 2023, marcando o valor mais baixo de sempre. Este número representa uma redução de quase 25% em relação à taxa de 20,0 registada em 2014.

    Por faixas etárias, as pessoas na casa dos 50 anos continuam a ser o grupo mais afetado, com 3.732 casos, seguidas pelos quarentões, com 2.951 suicídios. Os homens na faixa dos 50 anos representam a maior demografia por idade e género, com 2.696 casos. Todos os grupos etários adultos apresentaram descidas em 2025.

    Os problemas de saúde, tradicionalmente um dos principais fatores associados aos suicídios, mostraram uma redução significativa, tendo sido identificados como causa em menos 736 casos do que no ano anterior, uma diminuição de 6,1%. As questões económicas e financeiras foram citadas em 5.359 casos, com as dificuldades económicas e dívidas particularmente notáveis, enquanto problemas familiares surgiram em 4.198 situações.

    A análise dos dados revela que a redução não é apenas consequência da diminuição populacional do Japão. A taxa per capita confirma uma melhoria real na situação, com níveis que caíram abaixo dos registados no final dos anos 70 e início dos anos 80, quando a população japonesa era ainda menor do que a atual.

    The Diary of Ochibi-san anime japão screenshot

    Crianças e adolescentes: o lado sombrio dos números

    No entanto, existe um dado profundamente preocupante nos números de 2025. Enquanto todas as faixas etárias adultas apresentaram descidas, os suicídios entre estudantes do ensino básico e secundário aumentaram para 532 casos. Embora represente apenas mais três casos do que em 2024, é o número mais elevado alguma vez registado para este grupo etário, marcando o segundo ano consecutivo de máximos históricos.

    A distribuição específica mostra que 352 estudantes do ensino secundário morreram por suicídio, seguidos de 170 alunos do ensino preparatório e 10 crianças do ensino primário, de acordo com o ministério. Por género, as meninas representaram 277 casos, menos 13 do que no ano anterior, enquanto os rapazes totalizaram 255 casos, mais 16 do que em 2024.

    Esta tendência contrasta fortemente com a evolução positiva nos grupos adultos e levanta questões sobre as pressões específicas enfrentadas pelos jovens japoneses. As questões relacionadas com a escola foram identificadas como o fator mais comum para suicídios entre menores de 19 anos, seguidas de problemas de saúde mental.

    Face a esta situação, o parlamento japonês, conhecido como Dieta, aprovou no ano passado uma revisão da Lei Básica sobre Prevenção do Suicídio. A legislação revista determina que a Agência para as Crianças e Famílias, as escolas, as instituições médicas e os municípios locais devem abordar e prevenir mais ativamente os suicídios infantis.

    A lei revista, promulgada em junho de 2025, prevê a utilização de tecnologias digitais para combater os suicídios infantis e estipula que a Agência para as Crianças e Famílias tome medidas específicas de prevenção. Os municípios são agora obrigados a liderar a criação de conselhos que incluam escolas, instituições médicas e centros de consulta infantil para abordar a questão.

    Um funcionário do ministério da saúde comentou: “O número de suicídios entre homens de meia-idade e idosos está a diminuir, e o número de casos desencadeados por mau desempenho empresarial e dívidas também está a diminuir”, acrescentando que as tendências económicas podem ter tido impacto nos casos de suicídio.

    Quanto aos números elevados entre os jovens, o responsável referiu: “Os números de suicídios são elevados entre estudantes do ensino secundário e meninas do ensino preparatório, com um número crescente de casos em que os problemas de saúde mental se agravam e levam ao suicídio”.

    Screenshot Uji pela Kyoto Animation - Japão

    Japão trata suicídio como prioridade de saúde pública desde 2006

    O Japão tem uma longa história de combate ao suicídio como problema de saúde pública. A Lei Básica sobre Medidas de Prevenção do Suicídio, promulgada em 2006 e revista em 2016, marcou uma mudança de perceção, passando o suicídio a ser reconhecido como uma questão social e não apenas um problema individual.

    O governo japonês estabeleceu uma meta de reduzir a taxa de suicídios em pelo menos 30% até 2026, comparando com 2015. Os Princípios Gerais da Lei Básica, revistos de cinco em cinco anos, foram atualizados em 2022 para refletir as tendências nos dados sobre suicídios.

    Em resposta aos desafios identificados durante a pandemia de COVID-19, houve um foco no reforço de medidas para mulheres, crianças e jovens, bem como um aumento do apoio a outras populações de alto risco. A Agência para as Crianças e Famílias, em cooperação com o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, o Ministério da Educação, Cultura, Desportos, Ciência e Tecnologia, a Agência Nacional de Polícia e outras organizações relevantes, lançou o “Plano de Reforço de Emergência de Medidas de Prevenção do Suicídio para Crianças” em 2023.

    Por regiões, os números de suicídios diminuíram em 40 das 47 províncias do país. Yamanashi apresentou a taxa de suicídios mais elevada, com 21,4 por 100.000 habitantes, seguida de Niigata com 20,2 e Aomori com 19,6. A taxa mais baixa foi registada em Tottori, com 10,7, seguida de Ishikawa com 12,5 e Quioto com 12,7.

    Em Portugal a linha de prevenção do suicídio é:

    213 544 545 – 912 802 669 – 963 524 660 / Diariamente das 16h às 24h
    Linha Verde gratuita – 800 209 899 / Entre as 21.00 e as 24.00 horas

    No Brasil a linha de prevenção do suicídio é o 118.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

    Artigos Relacionados

    Subscreve
    Notify of
    guest

    0 Comentários
    Mais Antigo
    Mais Recente
    Inline Feedbacks
    View all comments
    - Publicidade -

    Notícias

    Populares