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Remake de Bloodborne foi bloqueado e a Bluepoint pagou o preço

A Sony dizia que sim. A FromSoftware disse que não.

Bloodborne visual PSN

A história do encerramento da Bluepoint Games é mais complicada, e mais frustrante, do que parecia à primeira vista. Numa investigação publicada hoje, Jason Schreier, o jornalista da Bloomberg responsável por algumas das revelações mais importantes da indústria nos últimos anos, juntou os pontos de como um dos estúdios mais respeitados da Sony acabou encerrado cinco anos depois de ter sido adquirido, sem ter lançado um único jogo próprio durante esse período.

Depois de ter participado no desenvolvimento de God of War Ragnarök como estúdio de suporte, a Bluepoint embarcou naquilo que seria o seu projeto mais ambicioso, e o seu maior fracasso. O estúdio desenvolveu durante anos um jogo live-service dentro do universo de God of War, que teria como premissa Atreus a cair nos infernos, abandonando o cenário nórdico dos dois jogos mais recentes para regressar à Grécia clássica dos títulos originais. A ideia incluía elementos cooperativos, mas o estúdio nunca conseguiu encontrar um loop de gameplay suficientemente sólido para sustentar um jogo de serviço a longo prazo, a armadilha em que tantos outros estúdios já caíram antes.

Em janeiro de 2025, a Sony cancelou o projeto. A partir daí, a Bluepoint entrou numa corrida contra o tempo para encontrar um próximo passo.

Sony encerra Bluepoint Games, estúdio por trás de grandes remakes da PlayStation

A Sony disse sim. A FromSoftware disse não.

O que aconteceu a seguir é o centro de toda a história. Com o jogo live-service cancelado, a Bluepoint apresentou a proposta que muitos dentro do estúdio tinham como certa há anos: um remake de Bloodborne. O jogo de ação gótica da FromSoftware, lançado em 2015 exclusivamente para a PlayStation 4, é amplamente considerado um dos melhores jogos de sempre, mas a sua versão original sofre de quebras de frame rate e limitações técnicas que o tornam um candidato natural para o tratamento que a Bluepoint aplicou a Demon’s Souls e Shadow of the Colossus.

A resposta interna surpreendeu, segundo fontes citadas pela Bloomberg, os números faziam sentido e a Sony estava receptiva. O problema estava do outro lado, a FromSoftware não queria que o remake avançasse. O artigo não especifica os motivos exatos, mas o antigo executivo da PlayStation Shuhei Yoshida tinha antecipado esta possibilidade numa entrevista à Kinda Funny Games, dizendo que acreditava que Hidetaka Miyazaki, presidente da FromSoftware, estaria pessoalmente interessado em fazer o remake mas demasiado ocupado para o concretizar, e que “não quer que mais ninguém lhe toque”. Yoshida acrescentou que achava que a PlayStation respeitaria a vontade de Miyazaki apesar de deter a propriedade intelectual do jogo, e o artigo de Schreier parece confirmar essa teoria.

O que torna a situação particularmente irónica é que a Sony é detentora da IP de Bloodborne, e pode, em teoria, fazer o que quiser com ela. Mas nenhum projeto que excluísse a FromSoftware seria levado a sério, e aparentemente a relação entre as duas empresas não permite avanços sem o aval do criador original.

Bloqueada a opção Bloodborne, a Bluepoint tentou outras saídas. O estúdio trabalhou numa versão atualizada do seu próprio remake de Shadow of the Colossus de 2018, que a Sony rejeitou. Depois tentou apresentar ideias de jogos originais a outros estúdios PlayStation, incluindo um spin-off de Ghost of Tsushima que também não foi aprovado. A resistência era estrutural, os outros estúdios não estavam dispostos a alocar recursos significativos a projetos liderados por uma equipa externa.

O sinal definitivo chegou quando a Sony anunciou a trilogia de remakes de God of War, sem a Bluepoint envolvida. Para quem estava dentro do estúdio, a mensagem era clara. Uma semana depois desse anúncio, a Sony confirmou o encerramento da Bluepoint, deixando cerca de 70 pessoas sem emprego, embora a empresa tenha dado oportunidade aos trabalhadores de se candidatarem a posições noutros estúdios dentro da organização.

O que fica desta história

A razão fundamental do encerramento foi a perda de confiança por parte da liderança da Sony na capacidade da Bluepoint de entregar um jogo original de qualidade. O estúdio tinha sido adquirido em 2021 com grandes promessas, o então executivo da PlayStation Hermen Hulst escreveu na altura que a “vasta experiência em construção de mundos e criação de personagens será uma mais-valia enorme para as propriedades futuras da PlayStation Studios”, mas cinco anos depois não havia nenhum jogo para mostrar.

O que a Bloomberg deixa no ar é uma questão que vai continuar a incomodar os fãs: se a FromSoftware bloqueou o remake agora, isso significa que quer fazê-lo ela própria? Miyazaki disse em várias ocasiões que Bloodborne é o jogo que mais reflete a sua identidade criativa. Mas enquanto essa resposta não chega, o jogo permanece preso numa PlayStation 4 de 2015, sem atualização, sem remake e sem perspetiva clara de regresso.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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