Dreams – Análise

Crítica ao jogo Dreams

A Media Molecule fundada em 2006 sempre foi uma companhia com muita criatividade no seu ADN, não fosse fundada por elementos da ex-Lionhead Studios e provou-o com o lançamento do muito bem recebido LittleBigPlanet que lhe valeu o prémio de Estúdio do Ano em 2008.

Comprada em 2010 pela Sony Computer Entertainment e incluída nos SIE Worldwide Studios muita expectativa foi criada à volta deste pequeno estúdio inglês e do seu próximo grande jogo, o misterioso Dreams.

Quando começam a jogar Dreams muito rapidamente vão compreender a razão pela qual este jogo demorou tanto tempo a ser lançado. Dar aos jogadores a possibilidade de construírem um jogo dentro do próprio jogo de forma graciosa e intuitiva necessitou certamente de muito teste e a criação de mecânicas avançadas que permitam uma boa fluidez com o mínimo de erros possíveis.

Em Dreams são dadas ao jogador duas opções, na primeira podem jogar os jogos criados pela própria Media Molecule e outros jogadores e a segunda, criarem o vosso próprio jogo e exporem a vossa experiência ao resto dos jogadores.

Com ferramentas relativamente simples é dado aos jogadores um conjunto ilimitado de mecânicas que podem desenvolver, algo verdadeiramente impressionante. Inicialmente pode parecer um pouco dantesco mas nunca são abandonados pelo jogo, o tutorial só termina quando assim o quiserem e o jogo premeia verdadeiramente aqueles que se dedicarem com afinco no domínio das ferramentas de construção disponibilizadas por Dreams, algo muito mais acessível do que vemos em outros softwares de criação de jogos.

As possibilidades são imensas e muitas vezes vamos ficar a pensar como é que alguém dentro do próprio jogo conseguiu fazer aquilo que estamos naquele momento a presenciar e jogar.

“Jogar, Criar, Partilhar”

Mas não se preocupem, embora Dreams ofereça a possibilidade de construírem os próprios  jogos, podem pura e simplesmente passar ao lado do aspecto “construtor de jogos” do jogo e dedicarem-se a 100% a experienciar os jogos disponibilizados pela Media Molecule e restante comunidade, aliás a razão da demora desta review foi mesmo para percecionarmos qual era a reação da comunidade de criadores de jogos a Dreams e esta não poderia ser melhor, rapidamente vimos não só surgirem jogos completamente novos e originais, alguns poderão até ter surpreendido a própria Media Molecule, como também vimos surgir uma tendência que certamente veio para ficar, a recriação em Dreams de outros jogos populares, nesta primeira semana, desde Fallout a Final Fantasy 7 passando por Star Wars, Red Dead Online e até Metal Gear Solid, vimos um pouco de tudo e certamente o número de experiências vai aumentar exponencialmente.

Vão perder horas a explorar todas as criações disponibilizadas em Dreams, mas em vosso auxílio o jogo tem um sistema de ranking onde os jogadores vão votando positivamente naquelas criações que mais gostaram. Uma coisa é garantida, definitivamente em Dreams vão encontrar um jogo que vão gostar e nada é mais gratificante que o sentido de camaradagem atualmente presente em Dreams. Aliás, a possibilidade de se poderem associar a uma equipa para a criação de um determinado jogo é superinteressante e dará a oportunidade a muitos de se iniciarem no mundo da criação de jogos e que até ao momento nunca sentiram a confiança necessária para o fazer.

Algo que pode ser inicialmente do desagrado dos jogadores pode ser o método de controlo, a utilização dos sensores de movimento do Dualshock 4 leva algum tempo até se habituarem e para aquelas criações mais rigorosas a passagem para um esquema de controlo com os thumbsticks torna-se imperativa. Tanto um como outro método de controlo vão necessitar de alguma habituação.

Oferecendo mil e uma possibilidades, Dreams dá-me a sensação que é um jogo cujo lançamento poderá ter passado ao lado de muitos, mas é definitivamente uma experiência a não perder e que veio para ficar!

Dreams é definitivamente uma experiência a não perder e veio para ficar!