
Numa das primeiras entrevistas desde que assumiu o cargo, a nova CEO da Microsoft Gaming, Asha Sharma, foi direta sobre um dos temas mais sensíveis da indústria neste momento: a inteligência artificial nos videojogos. Em declarações ao Windows Central, Sharma e o novo chief content officer Matt Booty esclareceram que não existem ordens de gestão para impor o uso de IA no desenvolvimento de jogos, mas também que o tema exige cuidado.
“Penso que com qualquer nova tecnologia, ela traz possibilidades enquanto ferramenta, mas ainda mais importante, especialmente agora, precisamos de traçar linhas sobre o que não faremos”, afirmou Sharma. “Foi isso que tentei fazer quando partilhei a minha carta de abertura. Não vou inundar o nosso ecossistema com lixo. Não teremos output descuidado, não teremos trabalho derivativo. Acredito profundamente nas palavras que partilhei anteriormente”.
A posição reforça o que Sharma já tinha dito na semana passada na sua primeira declaração pública enquanto CEO, onde prometeu que a Xbox “não vai perseguir eficiência a curto prazo nem inundar o ecossistema com lixo de IA sem alma”, acrescentando que “os jogos são e serão sempre arte, criada por humanos”.
Matt Booty complementou a posição da colega com uma perspetiva mais operacional sobre como a tecnologia está realmente a ser usada dentro dos estúdios da Microsoft. “Tal como grupo, os game developers estão sempre ansiosos por adotar novas tecnologias”, disse. “Quando o Photoshop apareceu, demorou cerca de um mês a aparecer em todos os estúdios de jogos do planeta porque era muito útil”.
Booty foi específico quanto ao que está a acontecer no terreno: “O que ouço em todos os nossos estúdios é que são as pessoas, os nossos artistas, os nossos programadores, os escritores, eles é que fazem o trabalho criativo. Na minha experiência, sempre que surge uma nova tecnologia, o que acontece é que há necessidade de mais especialistas, novos especialistas. Eleva o nível das expectativas em relação à qualidade dos jogos”.
E foi ainda mais claro quanto à ausência de pressão interna: “Não temos pressão da Microsoft, não há diretivas sobre IA a chegar. As nossas equipas são livres de usar quaisquer tecnologias que possam ser benéficas, seja para ajudar a escrever código ou a verificar bugs, coisas mais no pipeline de produção. No final do dia, como a Asha disse, estamos comprometidos com arte feita por pessoas. A tecnologia está apenas ao serviço disso”.
O contexto desta entrevista é relevante, Sharma vem precisamente do cargo de presidente do CoreAI product da Microsoft, o que tornava previsível que a sua chegada à liderança dos jogos levantasse questões sobre a direção que a empresa tomaria em relação à IA. As declarações desta semana parecem uma resposta direta a essas preocupações.
A nova liderança tomou posse na segunda-feira, após o anúncio surpresa da semana passada de que Phil Spencer se reformava do cargo. Além de Sharma como CEO, Matt Booty foi promovido a chief content officer, enquanto a presidente da Xbox, Sarah Bond, apresentou a sua resignação.








