30XX, trata-se da sequela do jogo criado pela Batterystaple Games que explora os melhores registos e elementos da série Megaman X. Sendo a nossa redação uma fiel seguidora das aventuras de X, Zero e Axl contra as intermináveis investidas de Sigma, o nosso entusiasmo foi evidente quando recebemos esta pré-alfa fechada para análise. Mesmo numa fase primária vamos descobrir se a sequela de 20XX regressa mais forte passado um novo milénio.

Logo ao iniciarmos esta aventura, somos brindados com nostalgia, pois como pano fundo, encontramos uma cidade futurista repleta de carros voadores. No entanto, o elemento mais predominante na mesma, é o enorme arranha-céus, que claramente é uma referência à icónica abertura de Megaman II, para a NES, onde o Rock está no cimo de um destes edifícios. Assim que iniciamos a nossa jornada fomos colocados nas botas de Ace. Este é evidentemente uma versão da maior invenção de Dr. Wily, o corajoso, Zero. Tal como o Maverick Hunter vermelho, Ace comporta-se da mesma forma, é ligeiramente mais ágil que a personagem jogável que vamos introduzir mais adiante, apenas disfere golpes físicos por intermédio de um sabre de luz, e alguns dos seus ataques especiais são também gerados por comandos. Esta fase do jogo atua como um tutorial, que mesmo não sendo de uma forma patente, o layout do nível e inimigos faz com que o jogador teste ou implemente os seus valores e jogabilidade numa forma mais básica, por alto pensem como a fase inicial de Megaman X.

Nesta versão do jogo pré-alfa, muitos destes elementos tiveram mesmo de partir quer dos nossos conhecimentos das aventuras do robô azul da Capcom, como de pequenos textos, isto porque além do jogo não, ter quaisquer elementos de história com caracteres, a maioria das mecânicas do mesmo estão localizadas em alemão. Mesmo colocando os textos em Português do Brasil, os únicos textos localizados nesta língua são pequenos registos como opções de jogo, ou outros pequenos outros indicadores como iniciar uma nova fase, loja de itens, ou outras funções básicas são apenas os presentes nesta versão do jogo, após uma atualização recente confirmamos que a versão final do jogo está toda localizada na língua de Camões.

Adiante, e prosseguindo com a nossa aventura encontramos uma dupla de personagens, um gorila mecânico e uma cientista. Mantendo a boa e velha tradição onde 30XX retira os seus elementos, vamos chamar a cientista de Dr. Cien e o Gorila de Melee Kong. A dupla por razões desconhecidas, parte com o Ace, e no seu lugar o jogador é colocado aos comandos de Nina, que sem surpresa comporta-se tal e qual a Megaman X. À semelhança do reploid de potencial ilimitado, esta jovem é também munida de um canhão no seu braço direito, tal como Ace recupera parte dos poderes dos seus bosses derrotados, incluindo dos do já citado Melee Kong, onde disfere uma bola de fogo pelo ar que se dissipa em dois para cada um dos lados. Apenas a única diferente quando comparada da X, é o fato das suas balas não percorrerem um maior espaço e os seus tiros não atravessarem paredes. A produção também resgatou alguns dos elementos que celebrizaram o clássico da Capcom desde inimigos como as infernais plataformas de desaparecem em sequência, ou ainda o tradicional quarto trancado antes de um final contra um Maverick, ou Robot Master.

Logo após à conclusão deste tutorial é que sentimos que o jogo realmente começa, e tenta uma ligeira evasão das obras onde se baseia. O jogador é transportado para uma fase aleatória, onde no final confrontamos um inimigo. No nosso caso fomos transportados para uma fase baseada em elementos de vento, e no final confrontamos uma versão mais terra a terra de Storm Owl. Na mesma tivemos oportunidade de navegar para caminhos alternativos denominados quartos de glória. Estes são estruturados de uma forma diferente do nível em questão, embora resgatem os seus elementos base. Se o jogador concluir estes é congratulado com um chip, ou seja, uma habilidade ou melhoramento que se pode integrar na nossa personagem. Estas assumem diversas formas e poderes. Desde armaduras que reduzem danos, a uma maior habilidade de corrida ou dash. Por vezes quer nestes como em artefactos num nível tais como estátuas, o jogador pode encontrar pequenas arcas de tesouro onde além de recarregar energia, muitas vezes tem de realizar uma dura decisão, que poderes deseja para a sua personagem, e aqui apenas pode escolher um numa seleção de três. Mais uma vez um texto em alemão ou até incompreensível tornou este elemento um pouco contraproducente, pois não soubemos que habilidades escolher, e por vezes algumas estorvaram mais do que ajudaram tais como disparar apenas pequenos projeteis, ou disparos em espiral.

Após a conquista da fase de Storm Owl, e assimilarmos o seu poder na forma de um pequeno tornado, fomos transportados para um templo repleto de elementos religiosos, e de escuridão. Infelizmente fomos derrotados pelo inseto mecânico desta seita religiosa. No rescaldo de falharmos esta missão, fomos imediatamente transportados para uma hud, que atua como base. Aqui além de voltar a cruzar com a Dr. Cien, pudemos escolher também entre Ace ou Nina, até convidar um amigo e jogarmos a campanha cooperativamente. Contudo, a maior surpresa foi descobrirmos que todo o nosso arsenal recolhido nas duas últimas fases anteriores desapareceu, quer as armas adquiridas dos chefes como dos chips adquiridos nos quartos de glória. Os únicos elementos que persistiram no nosso inventário foram uns cubos que foram adquiridos nas nossas conquistas contra os chefes. Estes desbloqueiam efeitos permanentes, como mais capacidade de energia, velocidade de corrida ou outras habilidades. Em suma, o fluxo de 30XX consiste numa fase aleatória gerada por elementos rougelite, onde tentarmos alcançar o maior número de níveis consecutivos. Ou seja, pensem como um grande nível dotado de uma estrutura semelhante a Megaman ZX, onde apenas temos uma vida e tentamos alcançar o maior número consecutivo de fases podendo escolher entre duas personagens após uma missão sem sucesso.

Embora graficamente 30XX, seja um produto que explora muito pouco as capacidades de qualquer PC moderno, o seu detalhe gráfico e requinte gráfico são dignos de serem mencionados. O anterior modelo gráfico que muito consideraram semelhante a um jogo em flash deu lugar a fantásticos sprites 2D em alta resolução, todas as suas fases apresentam elementos de Paralax bem interessantes, desde grutas escuras, a florestas verdejantes que oferecem e proporcionam um maior escopo e dimensão ao mundo de 30XX. As personagens e elementos como explosões apresentam fluidez e boas animações, aliás até nos atrevemos a afirmar que as mesmas nas personagens são praticamente idênticas às X e Zero, desde Nina a segurar o seu canhão enquanto atira, a quase ouvirmos Ace, a gritar, “Huh, Ha, Ho!” quando realiza um combo básico com o seu sabre de luz.  Este jogo embora retire os seus maiores elementos e destaques de Megaman X, certamente que se debruça nas melodias da série clássica. As mesmas tratam-se de chiptunes com elementos característicos das suas fases. Aqui sentimos que faltou um pouco de energia às mesmas, porque muitas vezes uma ação calma não se traduzia muito bem, no meio de explosões ou movimentos frenéticos das suas personagens. Também embora apresentem uma boa qualidade não alcançam para já o estatuto de muitas criadas para os jogos da Capcom. Porém, pensamos que com o decorrer do tempo e atualizações, este elemento amadureça como um bom vinho. A respeito de opções gráficas o jogo suportou resoluções 4K até 120fps com o nosso equipamento. Jogarmos com uma jogabilidade mega suave, num jogo onde saltos e outros movimentos milimétricos, certamente contribuíram para uma maior abordagem qualitativa do jogo, tudo é incrivelmente responsivo e suave. Uma última curiosidade para os mais nostálgicos, o cancelamento ou saída de menus de jogo, resgata mais um elemento clássico, o som é o mesmo que a Sega Saturn, usou nas mesmas funcionalidades. Sem dúvida que este pequeno registo, é mais uma referência ao seu público alvo.

30XX mesmo nesta fase embrionária já é mais que suficiente para conquistar um público que espera ansiosamente por novas aventuras dos Maverick Hunters. O seu requinte, referências e jogabilidade é consciente e reminiscente de uma era onde vibrar com uma dupla de guerreiros metálicos contra investidas de um vilão do mais tenaz possível enchia as nossas jovens vidas de alegria e emoção. Mesmo que a Capcom não volte a resgatar X de compilações ou jogos para telemóvel, os fãs do reploid têm aqui uma fantástica alternativa que com o seu desenvolvimento se poderá mesmo equiparar às suas melhores aventuras.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal, até à sua atualidade. Devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também é adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.