Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy , trata-se da sequela de Atelier Ryza: Ever Darkness & The Secret Hideout, e é o vigésimo segundo capítulo desta longa série que nos acompanha desde 1997. A anterior aventura conseguiu o grande feito de finalmente transportar os jogos Atelier para um nível superior, será que o este novo capítulo vai conseguir reformular a fórmula mágica e melhorar o que produziu anteriormente? Para responder a essa questão só têm de continuar a ler esta análise.

Três anos passaram-se desde aquele inesquecível verão azul. No rescaldo de uma grande aventura os amigos de Reisalin Stout (Ryza) separam-se, cada um seguindo caminhos de vida opostos, deixando a nossa pobre amiga sozinha no seu atelier na ilha Kurken. Quando voltamos a encontrar a nossa jovem alquimista, esta encontra-se numa crise emocional, pois todos os seus amigos encontraram uma ocupação e uma via de vida, e mesmo sendo uma alquimista com alguma experiência a sorridente jovem encontra-se num impasse, isto porque não sabe como desenvolver os seus conhecimentos ou seguir em frente. Foi preciso a intervenção de Moritz Brunnen, para voltar a engrenar as rodas do destino da nossa alquimista favorita. Certo dia a imponente figura visita o seu Atelier acompanhado de uma estranha joia negra semelhante a um ovo, este acredita que Ryza com os seus conhecimentos poderia descobrir do que se tratava. Acontece que a jovem também desconhece o que é aquele objeto mas compromete-se a descobrir. Após relatar este acontecimento aos seus amigos, dias mais tarde recebe um convite para se reunir com Tao e Bos em Ashra-am Baird, a capital do reino, pois Tao acredita que a joia pode estar ligada com as ruínas e lendas locais. É numa destas expedições junto do seu amigo arqueólogo e da sua aprendiza, Patricia, que ao visitar um estranho mural, a estranha joia começa a aquecer e a brilhar. Este será só o começo de encontros e reencontros que farão Ryza e os seus amigos descobrirem não só muitas respostas para si mesmos, como encontrar o maior tesouro para as suas vidas.

Ao contrário da anterior aventura Atelier Ryza 2: Lost Legends & The Secret Fairy, sente-se como um jogo muito mais sólido, e que esteve atento às suas críticas. Para começar a história não se sente tão fragmentada ou até posta em segundo plano, aliás iríamos mais longe a afirmar ser representativa da evolução natural dos eventos que vivemos anteriormente. Ao passo que na primeira parte da aventura controlámos um grupo de jovens que eram muito novos para serem considerados adultos, ou com uma idade muito avançada para serem crianças. Estes nesta segunda parte, com base nos eventos decorridos na anterior aventura, são agora jovens adultos cientes do seu caminho, das escolhas que fizeram e do rumo que tomaram. Este registo permitiu um efeito de coesão não só com as mesmas, como atribuiu um núcleo narrativo muito mais sólido e até relacionável. Isto porque não será só Ryza, que lidará com as suas crises, muitos dos seus amigos mesmo com vidas estabelecidas enfrentarão também as suas dúvidas e fantasmas do passado, podendo alguns destes momentos tornarem-se um reflexo vivido pelos jogadores. Mesmo com uma narrativa mais expansiva, o fluxo do jogo e maior cartão de visita continua a ser a alquimia. O manifesto dissuasivo para os recém-chegados à série contínua bem presente, mas desta vez com algumas novidades. Ryza e os seus amigos continuam a revistar cada canto e recanto em busca de materiais para produzir itens. No entanto, felizmente desta vez os jogadores contarão com mais ações que dinamizarão a procura pelos mesmos. Ryza nestes seus três anos de ausência aprendeu a nadar, escalar, e até fazer rappel! Estes novos movimentos não só conseguiram produzir uma maior atividade na procura de itens como na exploração dos seus ambientes. Em suma estes receberam contornos bem mais interessantes do que simplesmente correr ou saltar.

Igualmente interessante e muito superior está a forma como Ryza obtém novas receitas de alquimia. Ao passo que na anterior aventura teríamos de chegar a um certo ponto na história para as desbloquear e prosseguir, em Atelier Ryza 2: Lost Legends & The Secret Fairy, os jogadores terão logo à sua disposição uma skill tree bem clássica, que acentuou um fluxo de jogo mais natural. Muitas das receitas que Ryza aprendeu e desenvolveu na aventura original estão logo à partida acessíveis. Mesmo acessórios como a foice, ou o machado, poderão ser desbloqueados muito mais cedo. Quem jogou ou conhece a primeira parte saberá que estes utensílios são muito importantes devido ao facto que consoante a ferramenta utilizada os itens obtidos serão diferentes. Suponhamos que Ryza está diante de uma árvore e usa o seu cetro no seu tronco, isto fará com que caiam frutas da mesma. Contudo, se a inocente jovem usar um machado o que irá recolher será madeira. Obter estas ferramentas muito mais cedo evitou revisitar vezes sem conta locais para a obtenção de itens, o que de uma forma muito positiva representou passagens muito mais agradáveis, evitando alguns momentos mortos iniciais quando nos deslocávamos a locais previamente visitados apenas para obtermos um ou dois itens necessários para avançar a história, quando agora numa expedição inicial podem ser recolhidos.

Porém, para desbloquear as várias receitas que habitam no subconsciente da alquimista, os jogadores deverão antes de amealhar alguns pontos de alquimia. Estes são recebidos quando a rapariga produz itens com sucesso, ou reporta missões concluídas no café local da cidade. A inovadora e igualmente complexa forma de produzir os mais variados produtos regressa com os mesmos moldes da primeira parte praticamente nada foi alterado. Para evitar repetições recomendo lerem a análise à primeira parte, pois literalmente as mecânicas encontram-se inalteráveis.

Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout – Análise

Um núcleo que recebeu melhorias significativas foram os seus combates. Não se iludam as lutas contra as mais variadas criaturas continuam a ser por turnos. No entanto, devido a uma participação mais ativa as mesmas regressam de uma forma bem mais dinâmica, diríamos até fervorosa e veloz para o seu género. À semelhança do anterior capítulo podemos controlar qualquer uma das personagens, alterando-as conforme a direção combate. A grande novidade aqui são os bloqueios das investidas inimigas. Vários inimigos podem atacar em sucessão, e se bloquearmos no momento em que o ataque vai incidir na nossa personagem (parry) o seu dano não será apenas reduzido como permitirá recolher AP extra que pode ser usado para desferir ataques mais poderosos. Será frequente nos combates os nossos aliados pedirem para a nossa personagem desempenhar uma função específica, quer seja usar um item, atordoar, ou realizar ataques físicos, ou mágicos. Se estes forem bem executados, além de aumentar o nível tático, os nossos aliados realizarão ataques super poderosos, capazes de reverter a luta a nosso favor quando esta estiver em declínio. Esta não é uma novidade para quem jogou a primeira parte, contudo, nesta segunda será possível encadear vários destes pedidos em rápida sucessão produzindo várias cadeias. Este efeito em conjunto com as novas funções de bloqueio atribuiu aos combates por turnos uma dinâmica muito interessante que recompensa os jogadores mais atentos, e pune -não de uma forma muito acentuada ou cruel- os mais desatentos. Quando Ryza e os seus aliados não criam itens ou exploram ruínas, podem alimentar e desenvolver os seus Puni, para que estes procurem itens para o grupo; Podem também desenvolver a sua reputação na cidade através da conclusão de várias tarefas secundárias. Para momentos mais relaxantes podem simplesmente decorar o seu espaço, ou simplesmente tirar fotos para mais tarde recordarem esta grande aventura.

Em suma, os jogadores de Atelier Ryza 2: Lost Legends & The Secret Fairy, não se sentirão pressionados em nenhum momento da história, quer seja a amealhar materiais, participar nos seus intensos combates, ou simplesmente relaxar, tal como no anterior capítulo cada aventureiro pode decidir como encarar esta nova aventura. Também à semelhança do seu antecessor, a aventura principal não é muito vasta. No entanto, se desejarem melhorar os equipamentos das personagens e explorar tudo o que o jogo tem para oferecer podem crer que vão atingir os três dígitos no relógio do jogo.

Atelier Ryza 2 key visual RPG

Tecnologicamente Atelier Ryza 2: Lost Legends & The Secret Fairy é bem mais requintado que o seu anterior embora partilhe muitos dos seus condicionantes. Ficamos agradavelmente surpresos por encontrar cidades que são mais que um nome, como acontece em muitos RPG. As suas ruas estão repletas de habitantes, muita cor e movimento. Os restantes cenários do jogo também estão repletos de detalhe e as suas personagens embora apresentem essencialmente os mesmos modelos da anterior aventura estão ligeiramente mais polidas. O jogo volta a contar com ciclos diários, onde o movimento quer de NPCS, como de monstros é um reflexo ao mesmo. Muito indiretamente Atelier Ryza 2: Lost Legends & The Secret Fairy, também conseguiu inovar o seu mundo, digamos pelas razões mais nefastas. Não é surpresa para ninguém, que Ryza é uma personagem que conquistou os seus fãs pelo seu charme, carisma e aspeto físico. A produção reconheceu esse efeito, e colocou um novo ambiente climático ao jogo, a chuva, pelo que as suas roupas se vão molhar e revelar mais detalhes. Porém, esta decisão contribuiu também para um efeito verdadeiramente fantástico. No rescaldo ou durante um dilúvio, a chuva chapinha nas ruas, e os reflexos surgem nas poças de água. Quando um sol pálido depois aparece, podemos encontrar pequenas poças de água que persistiram e alguma lama. Todos os seus visuais podem ser desfrutados a 4K via checkerboard até 30fps, com pequenas quebras mesmo em áreas mais populadas. Relativamente ao áudio, o jogo apenas pode ser jogado com as vozes originais japonesas e praticamente todas as suas faixas são alusivas a inocência ou ternura, mesmo a faixa de combate é bastante festiva para o seu género.

Atelier Ryza 2: Lost Legends & The Secret Fairy é um produto essencialmente construído à imagem e desejos dos seus fãs. Todas as lacunas do primeiro jogo foram completamente retificadas. Esta nova aventura é dotada de uma maior fluidez quer na colheita de itens como na exploração de ruínas, que evolui com o equilíbrio e desempenho das suas personagens. Semelhante a Animal Crossing: New Horizons, este é um jogo perfeito para esta época de confinamento, pois trata-se de um jogo calmo onde também podemos desempenhar tarefas mundanas e criar itens sem pressas na companhia de um carismático e animado grupo de jovens adultos.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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