ENDER LILIES: Quietus of the Knights, é um interessante projeto criado pela Live Wire e adglobe. Esta nova aposta Metroidvania, convida os jogadores para uma viagem a um mundo decrépito, que metaforicamente pode ser correspondido ao nosso na atualidade. Vamos então proceder à sua descoberta.

Este situa-se numa realidade onde uma chuva interminável, herdada de um reino distante -apelidado de Terra do Fim- transformou toda a humanidade em criaturas conhecidas como, os Corrompidos. A única esperança, reside nas Sacerdotisas Brancas, um grupo de jovens meninas capazes de purificar os espíritos de quem foi afetado por esta doença. A nossa aventura inicia-se com o despertar de uma destas jovens numa masmorra por uma entidade conhecida como, o Cavaleiro Negro. Contudo, esta sacerdotisa, tem a forma de uma frágil menina de 10 anos, sem noção de quem é, ou dos poderes que residem no seu interior. Felizmente a criatura oferece-lhe assistência e é precisamente aqui que o jogador inicia a sua jornada.

A área inicial atua como um tutorial, a nossa personagem age em tandem com os movimentos do Cavaleiro Negro. Enquanto podemos controlar a menina de branco com o manípulo analógico esquerdo, a câmara com o direto, o seu salto com um premir no botão “X”, cura com o “L1” e a esquiva como o “R2” -isto claro se usarmos um Dual Shock ou DualSense– os movimentos de ataque mapeados pelo botão “Quadrado” ficarão a cargo do cavaleiro sem nome. Para quem está familiarizado com as aventuras bizarras criadas pelo génio de Hirohiko Araki, pensem no Cavaleiro Negro como o Stand da jovem, e imediatamente perceberão como os seus movimentos agem com a criança. No entanto, e como perceberão com o fluxo da viagem, a dupla vai ganhar mais aliados através de confrontos contra estes, e consequentemente com a sua purificação. Estes assumem várias formas, e não só obtemos novos avatares para o arsenal da menina, como pelo seu toque repleto de pureza e misericórdia, a história também se abrirá, e revelará alguns acontecimentos bem perturbadores.

Para começar existem indícios de que o nome da nossa personagem é Lily, e é a última das Sacerdotisas Brancas. No entanto, as maiores revelações não serão através desta, mas sim de quem purifica e se alia à sua causa. Estes momentos não são para tomar de ânimo leve, e certamente deixarão transparecer os seus sentimentos ao jogador. Sem deambular muito nas mesmas, indicamos apenas que existirão manifestações de amores não correspondidos, desejos de voltar a estar com a família, cedências a uma loucura por não conseguirmos proteger aqueles de quem mais amamos, ou a incapacidade de não correspondermos à pressão e expectativas de uma entidade ou povo.  Além destes macabros eventos o jogador também poderá recolher retalhos da história através de pequenos documentos deixados pelos seus antigos habitantes, que não só detalham eventos das suas vidas passadas como do mundo em questão. Contudo, o manifesto mais importante que os Stands de Lily, representarão para o jogador comum, são o facto de cada um possuir habilidades e métodos de ataque distintos, alguns até abrirão novas áreas. Por exemplo, enquanto a bruxa Irene, permitirá Lily mergulhar até águas profundas, o poderoso guerreiro Gerrod, além de possuir um poderoso martelo de combate, o seu ataque em salto poderá ainda destruir pequenas barreiras de carne, onde a corrupção de instalou, e assim permitir a abertura de novas áreas.

Um dos grandes aliciantes da jogabilidade de Ender Lilies: Quietus of Knights, é que os guerreiros recolhidos por Lily, podem ser mapeados a botões e ações, e em combate poderão ser usadas combinações entre os mesmos, permitindo assim não só uma abordagem diferente a diversos inimigos ou situações, como desenvolver estratégias contribuindo para um retalho da viagem de Lily diferente a cada partida iniciada. Também as suas ações podem ser canceladas sem a necessidade que a sua animação prossiga até ao fim, permitindo assim também uma jogabilidade fluida e imersiva. Porém, Lily ainda pode aumentar este registo através da conquista de inimigos. Através das suas lutas, reúne corrupção e ao atingir um determinado número aumenta as suas capacidades. Também enquanto deambula neste mundo precário, pode recolher vestígios de alma ou dor, estes podem ser usados para melhorar o desempenho dos seus aliados em combate, permitindo não só mais usos ou responsividade, como também maior poder de ataque. Finalmente Lily também poderá equipar relíquias, que têm a forma de joias ou outros artefactos deixados por antigas Sacerdotisas Brancas como um último manifesto a uma esperança futura.

É nesse manifesto que todo o ambiente de Ender Lilies: Quietus of Knights se debruça. As masmorras, florestas mágicas ou aldeias, têm como pano de mundo uma realidade de tristeza, mas igualmente de esperança. Não só através dos seus deslumbrantes visuais 2D, oriundos de obras da Vanillaware, ou recorrentes do recente Vigil: Longest Night, como também pelas suas melodias compostas por Mili, um grupo musical que produziu as célebres melodias de Deemo ou nos encerramentos das séries Ghost in the Shell: SAC_2045 ou Gleipnir. As mesmas não surgem em abundância, mas quando o fazem assentam que nem uma luva nos seus momentos, quer seja numa aldeia que anteriormente prosperou de vida, e entusiasmo como nos próprios confrontos contra os Corrompidos, os quais ostentam uma melodia comportamentalmente propícia aos eventos que serão mostrados no rescaldo desta. Perante a elevada qualidade de fidelidade musical, ironicamente abata-se o primeiro problema que sentimos no jogo. A produção devia polvilhar mais áreas com mais música ambiente, ou até separar algumas destas com diferentes faixas. Não nos interpretem mal, as melodias de Ender Lilies: Quietus of Knights, estão longe se serem pobres, apenas julgamos que deveriam ser mais diversas e espelhadas a mais áreas circundantes a este referenciado belo e trágico mundo, ao invés de corredores num pertinente silêncio. Todos os ambientes do jogo encontram-se interligados, afinal falamos de um jogo situado no sub-género Metroidvania. Neste ponto também se debruça outro problema que sentimos ao longo deste produto. O seu mapa situado no seu canto superior direito, não é muito explicito, e por vezes representou momentos contraproducentes durante esta breve mais intensa viagem. Em vez de situar o jogador, acaba por dissuadir, ficando o jogador largos minutos a analisar onde estava a nossa personagem no mapa ou que área estava representada. Deixamos aqui a sugestão para que as equipas de desenvolvimento possam melhorar este elemento.

Como não podia deixar este conto de fantasia negra na PC Steam, não irá fazer suar nenhum componente dos nossos computadores, sejam de secretária ou portáteis. Na nossa configuração Ender Lilies: Quietus of Knights, foi executado a 120fps, sem quaisquer quebras de animação e na resolução mais alta, ou seja, 4K. Acreditamos que qualquer configuração moderna conseguirá executar este genial jogo na sua fidelidade visual máxima. Por último, mas não menos importante para alguns jogadores o jogo está totalmente localizado num elevado número de línguas, entre uma das quais podemos encontrar o Português do Brasil.

Ender Lilies: Quietus of Knights, é uma aventura mais que recomendada para todos os fãs de jogos Metroidvania. Mesmo que apenas seja representativo de 30% do produto final, este já está dotado de uma enorme qualidade e maturidade. Estamos perante uma autêntica viagem repleta de emoções que exploram a humanidade do ser humano, enquanto espécie animal. Ficámos realmente rendidos a este primeiro olhar de um produto que com o seu desenvolvimento e envolvimento com a correspondente comunidade, certamente ficará ainda mais requintado e quem até poderá mesmo tornar-se numa referência dentro e fora do seu género.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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Paulo Henrique
29 , Janeiro , 2021 22:06

Comprarei com todo prazer quando sair a versão final, aliás até esses estúdios indie lançam jogos em português e a Nintendo não :C