Monster Jam Steel Titans 2 – Análise

Campanha o Melhor do Japão

Antes de mais, creio que é necessário algum contexto para este jogo. Monster Jam é uma série de competições/exibições de monster trucks organizada por uma empresa de entretenimento (FELD Entertainment), muito ao género daquilo que a WWE faz com wrestling profissional, fazendo tours anuais por várias cidades. Muitos dos monster trucks participantes seguem uma temática ou decorações específicas e completamente over-the-top como os vários Monster Mutt’s, com chassis desenhados para parecerem cães de várias raças, ou o Crushtation que parece uma lagosta, vários designs que parecem saídos dos catálogos da HotWheels (alguns provavelmente saíram, dado que há uma parceria da marca com a Monster Jam) a verdadeiros clássicos como Grave Digger, actualmente na sua 41ª iteração!

Isto tudo para chegar a esta conclusão – Monster Jam é uma franchise claramente feita para um público infanto-juvenil. Isto reflecte-se em Monster Jam Steel Titans 2, dos veteranos americanos da Rainbow Studios, responsáveis pelos clássicos Motocross Madness e pela franchise MX vs. ATV, e publicado pela THQ Nordic. Se por um lado o jogo mantém a apresentação e actividades num nível relativamente simples, o mesmo não se aplica à dificuldade das mesmas… Não que estejamos a falar de uma experiência tipo algo vindo da série “Souls”, mas o suficiente para eu imaginar que uma criança pudesse facilmente ficar irritada com o jogo.

Steel Titans 2 abre com um necessário tutorial de controlos, visto que estas enormes máquinas são controladas de uma maneira relativamente única, sendo possível utilizar ambos os eixos para controlar o veículo, com o analógico esquerdo a controlar o eixo dianteiro, como num qualquer carro, mas com a particularidade de o analógico direito controlar o eixo traseiro, o que permite controlar os monster trucks de maneiras verdadeiramente estranhas, desde drifts e donuts com tracção às 4, a andar quase de lado como caranguejos com rodas.

A partir daí, temos acesso a uma primeira área tipo open world, com alguns segredos escondidos relacionados com monster trucks específicos que podemos ir acedendo à medida que os desbloqueamos. Estas áreas são mais uma vez temáticas e estão ligadas umas às outras formando uma sandbox muito maior, começando o jogo num género de “campo de férias”, passando para um parque para cães e depois uma área com OVNI’s e bases super sci-fi até acabar com uma zona de deserto e uma floresta assombrada bastante spooky.

Em cada um desses mundos conseguimos aceder a um punhado dos 21 “capítulos” que o jogo oferece, que são basicamente pequenos campeonatos com alguns eventos que passam por corridas de checkpoints nas secções open world, a exibições Freestyle por pontos ou corridas em formato duelo em algumas das arenas dos tours da Monster Jam, onde as coisas parecem mais realistas e familiares. Cada capítulo desbloqueia o acesso a um dos 38 monster trucks disponíveis no jogo, com outros sendo desbloqueados nas actividades do open world.

Claro que quando se fala de monster trucks, o realismo é relativo, porque ninguém consegue imaginar uma carrinha de quase 6 toneladas saltar 10 metros no ar, ou fazer backflips aéreos lançados de um contentor de transporte… até o vermos acontecer. E de facto Monster Jam Steel Titans 2 traduz perfeitamente esse tipo de manobras, todas elas possíveis, desde andar em duas rodas a fazer equilibrismo, aos ditos backflips, até à facilidade com que os monster trucks simplesmente caem para o lado quando se faz uma curva mais apertada e à maneira como conseguimos endireitá-los com um donut lateral. Tudo isto é de loucos, mas extremamente satisfatório, principalmente quando começamos a ver os painéis de fibra de vidro e metal saírem disparados.

Monster Jam Steel Titans 2 é sem dúvida um jogo divertido para qualquer idade, com bastantes actividades, sejam elas realísticas ou fantasia, sendo a única parte confusa o seu público-alvo. Se por um lado toda a apresentação indica que procuram um público mais jovem, ou no mínimo ser bastante kid-friendly arriscando alienar um pouco o público mais adulto, as mecânicas e dificuldade mais complexas têm tudo para fazer o mesmo a um público mais jovem, acabando o jogo por cair num intermédio estranho. De qualquer das formas, agradará sempre aos fãs de condução e ao nicho específico dos fãs de monster trucks ainda mais.

Review por Tiago Vasconcelos.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.